sábado, 12 de março de 2011

Um amor antigo e dois problemas novos

Eu adoro a Livraria Cultura do Conjunto Nacional por vários motivos. Sou cliente de lá desde muito antes de existir a atual livraria, que agora funciona onde era o Cine Astor.
O espaço era pequeno: é onde fica a atual seção de livros de arte. Sendo assim, não tinha café, não tinha banca de revista, não tinha teatro e quase não tinha cds e dvds. Também não existiam malucos com tacos de beisebol, e a gente rodava em torno daqueles balcões circulares, pra se inteirar dos lançamentos e levar uns livros novos pra casa. Nem o plano Mais Cultura existia, gente!
Daí, quando o Cine Astor fechou, fiquei triste, mas ao ver a nova Livraria Cultura ali naquele espaço, achei lindo e continuei frequentando o local, que eu adoro.
Mas vejam só: a mudança pode ter trazido muitas vantagens, mas trouxe também, para mim, dois problemas que até me tiram a vontade de circular por ali.
O primeiro deles é a quantidade de filantes de leitura de revistas que montam guarda ali no espaço da banca. Nos fins de semana é pior: quase é preciso pedir por favor pra conseguir pegar um exemplar de alguma revista, porque todo mundo fica ali em volta, lendo sem pagar. E depois, quando a gente consegue pegar a dita cuja, muitas vezes já vem bastante manuseada pelos frequentadores.
Tá, eu sou chata, mas isso já está avisado lá no cabeçalho do blog. Eu detesto ter de pedir licença a quem lê sem pagar pra poder pegar e pagar a minha revista sossegada!
O outro problema é o das mesas do café. É praticamente uma guerra conseguir um espaço ali. A gente tem de ficar na desagradável condição de tocaia de alguma mesa que a gente ache que vai vagar e praticamente se atirar em cima dela quando alguém se levanta. Hoje vivi uma situação esdrúxula: vi duas moças se levantando e fui até lá. Antes que eu me sentasse, ouvi de uma delas que elas resolveram levantar "pensando" naquele senhor que passara por ali à procura de uma mesa, então o lugar era dele - que já estava indo embora e voltou, diante desse "bom pensamento". E eu, que estava ali havia um tempão, fiquei a ver navios... Nunca tinha ouvido falar dessa modalidade de "levantar pensando" em alguém... Quer dizer que, se aquele cara não tivesse passado por ali, elas não se levantariam nunca?
Quando outra mesa vagou, vi uma funcionária do café dizer que estava reservando a mesma para uma senhora que estava comprando seu café. Como assim? Tem reserva de mesa e ninguém me contou?
Enfim, o café da livraria virou um exemplo enorme daquela frase que garante que o mundo é dos espertos e que é preciso saber levar vantagem em tudo.
Fiquei tão aborrecida que quase fui embora sem comprar meu livro e tomar meu café. Assim não dá, né?
Minhas sugestões, então.
Para o primeiro problema, basta deixar apenas um exemplar da revista à mostra e embalar os demais. Certamente isso reduziria o afluxo de filantes e garantiria aos compradores uma revista ainda não manuseada.
Quanto ao segundo problema, já passou da hora de o Viena, que administra o café, estabelecer uma senha por ordem de chegada, pra evitar aquele salve-se quem puder na hora de garantir uma mesa.
Fácil, né? Mas acho que infelizmente essas providências não serão tomadas tão cedo... Que pena!

terça-feira, 8 de março de 2011

Alguém duvida?

Eu nem dou muita bola pra esse negócio de Dia Internacional da Mulher, porque sempre acho que, se dizem que um dia é das mulheres, de um certo ponto de vista significa que os demais não são. Enfim, apesar disso, não dá pra ficar completamente alheia a isso, já que o bombardeio na mídia é grande.
Foi assim que me chegaram às mãos duas publicações relacionadas ao 8 de março e que eu gostaria de usar como ilustrativas da maneira como as mulheres são vistas nesse mundo patriarcal em que vivemos.
A primeira foi um e-mail do UOL, do qual sou assinante, homenageando as mulheres. Abaixo vai uma parte do tal e-mail, com os presentes que eles ofereciam às mulheres:

Confesso que não fui ao site das Americanas.com pra conferir quais eram os produtos com desconto, mas as três outras ofertas são todas relacionadas a cuidados com a saúde e a beleza. Ninguém ofereceu um desconto num restaurante, numa viagem a Paris, num curso de informática. Só cuidados com o corpo!
Depois disso, fui ao supermercado e encontrei lá esse folheto:

Só pela capa já dá pra sentir que o clima é o mesmo: as ofertas da semana da mulher estão relacionadas a "alimentação e saúde"! Pra comprovar, segue abaixo uma das páginas do folheto, com algumas das ofertas:


Queijo minas frescal? Quinua? Linhaça? É assim que querem que a gente comemore o Dia Internacional da Mulher? Cuidando da beleza? Eu confesso que trocaria de bom grado o meu desconto em quinua por um desconto nos maravilhosos vinhos vendidos ali...
Voltando então ao primeiro parágrafo deste post... Se houvesse um Dia Internacional do Homem, alguém poderia imaginar o tipo de promoção que estes dois estabelecimentos iriam fazer? Deixo para a imaginação dos leitores...
E ainda há quem diga que o sexismo é uma invenção das feministas!

sábado, 5 de março de 2011

Cinéfilos ranzinzas, a postos!


Bem escondidinho, ao lado da escada que leva ao restaurante, o pessoal responsável pelas salas de cinema do Reserva Cultural colocou um totem discreto. Chegando mais perto, a gente vê que se trata de uma maquininha encarregada de coletar informações dos frequentadores sobre o local. Tentei tirar uma foto, mas com celular, naquele lugar meio escuro, ficou péssima. Em todo o caso, coloco aqui pra ver se dá pra ter uma ideia da tela que aparece:


Chamo a atenção para as duas últimas questões. Como a parte inferior da foto está pior, transcrevo aqui:

4. Qual é a sua opinião em relação à venda de pipocas na Reserva Cultural?
a. Sou a favor b. Indiferente c. Sou contra
5. A venda de pipocas na Reserva Cultural influenciaria em suas vindas a Reserva Cultural?
a. Sim, aumentaria b. Não c. Sim, diminuiria

Por um lado, eu adorei a pesquisa, achei uma excelente demonstração de respeito ao cliente. Por outro, fiquei preocupada: e se os pipoqueiros ganharem? Vai para o brejo meu último refúgio quase à prova de pipoca no universo das salas de cinema de São Paulo!
Convoco, então, todo mundo que passar lá pela Paulista a deixar seu voto. E, se possível, a favor da manutenção daquele espaço livre da pipoca!