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Arqueologia recente

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Eu sempre costumei guardar folhetos e ingressos de show e peças que assisti. Tenho documentos de quase tudo que já presenciei nesta vida. Hoje, revisitando os guardados, encontrei o folheto de uma mostra de música na Unicamp, em 1979, quando eu ainda estava no segundo ano do curso de graduação em Letras. O Ciclo Básico fervia de alunos na hora do almoço, e ali tinha show, comício, assembléia e rodas de truco. O prédio do Ciclo Básico da Unicamp A programação musical daquele mês de novembro incluía essa mostra: Frente do folheto No verso do folheto, estava a programação e, ali, uma curiosidade: a dupla Marcelo (Engenharia) e Cassiano (Ciências Sociais) apresentando suas composições próprias. Verso do folheto O Cassiano estudava no prédio do IFCH, vizinho ao meu, que era o IEL, e eu estava acostumada a vê-lo por ali, na cantina, nos intervalos das aulas. Já o Marcelo eu não conhecia direito, porque era aluno de Exatas e não circulava pelos mesmos domínios que eu. Naquele folheto, ningué

Milagres de fevereiro

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Nos primeiros dias deste mês de fevereiro passei por algumas experiências que confirmam um dos versos de Caetano Veloso de que mais gosto: “quem é ateu e viu milagres como eu”.  Foram dias realmente miraculosos, esses dias de fevereiro na Bahia. Tudo começou quando Carmem e eu finalmente decidimos viajar para a Bahia a tempo de participar do encerramento da festa de Nossa Senhora da Purificação, em Santo Amaro. Há algum tempo planejávamos participar da festa, mas sempre algum imprevisto se apresentava. Neste ano decidimos, meio de improviso, que iríamos. Chegamos em Santo Amaro a tempo de presenciar o último dia da novena da padroeira e reconhecer o território para os eventos do dia seguinte, em que uma procissão encerraria os festejos. No dia seguinte, pela manhã, lá estávamos nós, esperando pelo primeiro evento da tradição: ver Maria Bethânia adornando a imagem de Santa Bárbara que faria parte do cortejo. Para quem não sabe, na procissão de Nossa Senhora da Purificação acontece um de

E assim se passaram dez anos!

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Não dá nem pra acreditar que já se passaram dez anos, desde que eu comecei este blog! Sim, eu decidi criar o Psiulândia no dia 30 de dezembro de 2008. Parece que foi outro dia mesmo, né? Mas eu preciso confessar que 2018 foi muito difícil, e acabei deixando o blog de lado: a postagem anterior a esta foi já há um ano! Que vergonha! Vamos ver se em 2019 eu consigo retomar com alguma regularidade... Tem bastante novidade, inclusive no capítulo das séries. Por enquanto, só posso agradecer a quem ainda passa por aqui e desejar que os maus presságios que temos para o ano que vem não nos desanimem. Resistir é preciso. Sobreviveremos. E Psiulândia também sobreviverá. Assim espero.  

Adeus, 2017!

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Parece que finalmente 2017 tá acabando, né? Para mim, foi um ano que poderia ser resumido num verso de uma canção de Fito Páez, chamada " Zamba del cielo ": "La vida es este río de maravillas y de dolor" Digo isso porque esse foi um ano cheio de coisa muito legais e coisa muitos ruins. Vou lembrar das coisas boas: Viajamos pela Índia e pelo Nepal. Passamos uns dias como "moradoras" à beira do Lago de Garda, na Itália. Conhecemos Quito, no Equador. Fomos a Mendoza e tomamos muito vinho. Comemorei meu aniversário de 58 anos almoçando num de meus restaurantes preferidos no mundo: El Mercado, em Lima. Finalmente conseguimos ir a Machu Picchu, sem greve. Carmem e eu conseguimos comprar um novo apartamento e para lá nos mudaremos em 2018 (mas vamos continuar também em Santos, no querido Edifício Enseada). Minhas fotos foram parar no cd e no dvd de Maria Bethânia, "Abraçar e agradecer". Minhas fotos também apareceram no livro

Cinderela tamanho GG

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Não sei se já contei aqui, mas calço sapatos de numeração entre o 40 e o 42 (depende da fôrma). Ok, alguns parágrafos de silêncio para as piadinhas sobre tamanho do pé e preferências sexuais: § § § Pronto? Passou? Continuemos. Num post anterior ( aqui ), expliquei que, sendo uma mulher grande (leia-se alta e gorda), sempre olhei para roupas nas vitrines como quadros numa galeria: lindos mas impossíveis de comprar. O mesmo acontece, em versão piorada, no que se refere a sapatos. As vitrines de calçados femininos nunca têm algo que me sirva. Meu único recurso sempre foi o de procurar, na vitrine masculina, algum sapato que fosse mais "versátil". Ou então me submeter aos preços altos das poucas lojas especializadas. Ultimamente, porém, acho que as coisas estão mudando. Tenho conseguido achar sapatos femininos que me servem em lojas comuns. São poucos pares em estoque, quase sempre apenas de alguns modelos, mas, enfim, é um começo. A Outer, por exemplo, tem feito muitos dos sapat

Ceci n'est pas une pipe

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Durante muitos anos comecei minhas aulas, no início do semestre, no primeiro ano de Letras, com essa imagem já tão conhecida de René Magritte: Os alunos, inicialmente, ficavam tentados a achar outras imagens no quadro, pra justificar a frase "isto não é um cachimbo". Felizmente essa fase durava pouco e sempre alguém tinha aquele momento de iluminação: não é um cachimbo porque é um quadro que representa um cachimbo. Uma representação de um cachimbo não é um cachimbo. Parece óbvio, mas vivemos um tempo triste em que mesmo o óbvio tem de ser dito. Uma pena que certos grupos não passaram por aulas tão básicas como essa.

Cheiro de mexerica

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Dia desses comprei algumas mexericas. Estavam saborosas, suculentas, cheirosas. Enquanto comia uma delas, fiquei pensando bobagens: como era incrível poder ter ali na mão um gominho cheio de suco de tangerina, fresquinho, pronto pra ser consumido, sem grande dificuldade. Tá, eu sei que tem gente comprando mexerica já descascada, pra facilitar o serviço e evitar aquele cheiro característico que fica impregnado nas mãos quando as descascamos. Mas, para mim, o aroma do sumo nas mãos é parte da coleção de sensações que essa fruta me proporciona. O cheiro da casca, para mim, ativa sempre a lembrança do meu avô paterno. Explico. Esse meu avô, que tinha sido seleiro, era um homem calado, meio voltado pra dentro. Andava pela casa sempre cantarolando canções que ninguém conhecia. Aquele murmúrio de bocca chiusa era uma das marcas da sua presença. A outra era o cheiro do fumo de corda, que ele picava pacientemente nos dedos amarelados, antes de enrolar na palha o seu cigarrinho. Suas mãos sempre