segunda-feira, 20 de maio de 2013

Virando

Neste último final de semana aconteceu a Virada Cultural em São Paulo. Agora, já que tem muita gente falando bem e mal do que aconteceu lá, me achei no direito de dizer como foi a nossa experiência. Com fotos.
Começamos pelo sábado à noite, na Paulista:


Mais exatamente, na Casa das Rosas, onde Monica Salmaso cantava lindamente (embora com som num volume insuficiente para a quantidade de público), com André Mehmari ao piano:


Dali, depois de uma passadinha no Astor pra comemorar o aniversário de uma amiga querida, fomos para o palco da Barão de Limeira, ver Rita Benneditto mandar muito bem e ajudar a matar a saudade que a gente estava de ouvi-la cantar:


Depois de um show tão lindo, voltamos pra casa, pra repor as energias para o dia seguinte.
Demos uma passadinha pela Avenida São Luiz, e aproveitamos para comer um arroz de pato na barraca dos Bertolazzi. Carmem adorou:


Depois demos umas voltas ali pelo centro, aproveitando pra prestar atenção nas coisas lindas e horríveis da cidade que a gente adora:





No meio da tarde, enquanto todo mundo torcia vendo o futebol das tevês dos botecos, fomos ver o Oliveira de Panelas que se apresentou no palco do Rap da Rio Branco. Rap e Repente, todo mundo junto. Teve até repente pra quem ia postar fotos do show no Facebook:


Ali perto, tinha até igreja participando de modo independente da Virada:


Tínhamos planejado ir ver o show de encerramento, com o Jorge Drexler, mas o cansaço acabou chegando antes da hora. Passamos pelo palco durante a passagem de som, mas não ficamos. Em todo o caso, foi lá que eu vi uma cena que pra mim fechou a Virada Cultural 2013. Compartilho aqui:


Em resumo, a Virada Cultural, pra mim, é sempre uma possibilidade de ver a cidade ocupada pelos seus habitantes ininterruptamente durante 24 horas. Não fui furtada, não vi arrastões. Algum empurra-empurra na saída do metrô, na madrugada, mas nada muito diferente do aperto dos dias comuns na hora do rush (alô, governador, que tal manter as escadas rolantes funcionando da próxima vez?).
Posso ter dado sorte, mas também não dei bobeira: o celular melhorzinho ficou em casa e, no bolso bem justo da calça, só documento, um dinheirinho, bilhete único e a câmera fotográfica, sempre com a cordinha presa no pulso.
Depois de uma boa noite de sono pra repor o cansaço das andanças pra lá e pra cá, já tô pronta pra outra. Ainda bem, porque neste próximo fim de semana tem Virada Cultural em Santos! Oba!

sábado, 11 de maio de 2013

Quadros numa galeria

Na semana que passou, causou revolta em muita gente a declaração do dono de uma marca famosa de que não queria ver pessoas gordas usando as roupas de sua grife, porque ele quer que suas lojas sejam frequentadas apenas por pessoas bonitas. Olha o que disse o cara (que por sinal é bem feio):

"Em todas as escolas existem os adolescentes que são populares e descolados, e existem os que não são. Nós vamos atrás do primeiro grupo, que possuem atitude e muitos amigos. Muitas pessoas não pertencem a nossa marca e não podem pertencer. Nós somos excludentes? Totalmente".

Na verdade, pra mim, esse tipo de postura não é novidade. Acho que desde que me tornei adulta, tenho consciência de ter um corpo que não é o padrão: gorda, alta e de pés grandes. Com esses três atributos, aprendi uma técnica que é a de passar pelas vitrines de lojas de roupas e calçados como quem passa diante de obras de arte em uma galeria: pode-se gostar ou não deles, mas com a certeza de que eles jamais serão seus.
Como não ando descalça e pelada, como imagino que senhores como esse lá daquela grife gostariam, acabei encontrando aqui e ali formas de me vestir e me calçar, a duras penas. 
Imagino que já deve ter alguém aí pensando: "Mas por que ela não compra nas lojas especializadas para gordos e para mulheres de pés grandes?"
Calma, gente, não é tão fácil assim. Alguém já parou pra olhar os modelitos que estão à venda nas lojas de roupas para gordas? Em primeiro lugar, esqueça as roupas de algodão, tudo é feito de tecido sintético. Imagino que essa opção deva ser baseada na crença de que se nós, gordos, suarmos bastante dentro dessas roupas sintéticas e quentes, vamos acabar emagrecendo...
Os modelos também são de chorar. Tudo muito convencional, peças próprias de guarda-roupa de senhoras já avançadas na idade. Tá, eu sei que estou velha agora, mas nunca gostei de me vestir de modo muito convencional e não vai ser agora que vou começar a usar vestidinhos de jérsei bem comportados.
É muito difícil encontrar algo mais alegrinho, menos sisudo. É de deprimir qualquer um.
No capítulo dos sapatos, confesso que chego a sentir até algum alívio de que não façam calçados femininos acima de 39, porque eu não tenho muita vocação para saltos altos e brilhos. Mas ficar condenada a escolher, na vitrine masculina, algum calçado que me convenha, também é triste.
Enfim, minha gente, mesmo antes da declaração infeliz daquele senhor mencionado no início, eu sempre me senti excluída desse mundo das pessoas que escolhem roupas e calçados à vontade nas vitrines. O cara apenas escancarou o que quase todas as marcas já praticam desde que eu me entendo por gente.
Como sempre, continua um inferno achar roupas e sapatos pra mim. E duvido que isso vá mudar.