quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Sobre ruínas e grafites.

Outro dia foi aniversário do blog da Carmem, o De uns tempos pra cá. Em comemoração, ela pediu textos para os amigos e eu escrevi um dos posts comemorativos.
No post, eu falava sobre a destruição de uma vilazinha de casas que ficavam penduradas nas encostas da avenida 23 de maio, no viaduto Paraíso.
Pra quem quiser ler na íntegra, é só clicar aqui.
E então, pesquisando um pouco na internet (viva o Google), achei um outro blog que falava sobre o mesmo local: era o Espaçonave.
Achei bem legal a história contada ali, e recomendo a todos um passeio por lá pra saber mais sobre como um grupo de grafiteiros tentou transformar a ruína das casas numa galeria de arte a céu aberto!
Pelo menos fiquei com a certeza de que eu não era a única rabugenta a achar inacreditável o trabalho da prefeitura ali naquele pedacinho de São Paulo!

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Amigos secretos porém públicos!

Chega dezembro e é batata: nenhum restaurante, bar, lanchonete fica livre da tão famigerada confraternização dos funcionários da empresa!
Ontem estive num lugar desses e, para mim, foi como estar na ante-sala do inferno...
Quando cheguei, a música no ambiente já estava alta. Minha pequena mesa (éramos apenas 2 pessoas com fome) situava-se entre duas longas mesas, cada uma delas reunindo um grupo grande de colegas de trabalho, comemorando o fim do ano, bebendo, comendo e disparando flashes.
Se fosse só isso, já era muito. Mas aí começaram a distribuição de presentes do amigo secreto e tudo piorou. Todo mundo falando alto, gargalhando, gritando e depois batendo palmas.
E todos os outros clientes do restaurante sabendo quem era o amigo secreto de quem, o que cada um tinha ganhado de presente e eventualmente servindo de paisagem de fundo nas fotos, com os olhos já cegos de tantos flashes!
Será possível que todo ano a gente tenha de passar o mês de dezembro tentando fugir das festinhas de confraternização?
Será que não dá pra fazer a festinha na sala de reuniões do trabalho?
Dá pra fazer o amigo secreto de todo ano ficar um pouco menos público?

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Amor, festa e devoção.


Fui ontem ver a estréia do "Amor, festa e devoção", de Maria Bethânia, no Teatro Abril. Como muita gente me pergunta se gostei, e desta vez a resposta não é simples, resolvi escrever este pequeno texto sobre minhas impressões. Fiz muitas fotos, como sempre, e o link para vê-las está aqui.
Pra começar, preciso dizer que show da Bethânia, para mim, SEMPRE é bom. Não me arrependo de ter ido e iria de novo, se pudesse.
Fiquei também muito feliz pela decisão dela e da produção de não fazer mais shows em casas que mais parecem restaurantes que auditórios: foi maravilhoso ver Bethânia sem cheiro de cerveja e coxinha e garçons passando na minha frente a toda hora.
Considerando, entretanto, que venho assistindo a shows dela há uns dez anos e sou fã dela praticamente desde o início da sua carreira, preciso dizer que foi a primeira vez que não me emocionei.
Em primeiro lugar, achei que o roteiro do show estava mal costurado, com um sub-aproveitamento dos dois discos novos. Muitas músicas já conhecidas foram incluídas, algumas sem necessidade. Eu adoro "Dama do cassino", por exemplo, mas acho que a interpretação de Bethânia não acrescentou nada à já clássica gravação de Jussara Silveira.
Da mesma forma, ainda acho que ninguém mais deveria cantar "Não identificado" depois da Gal Costa dos anos 70, mas a interpretação de Bethânia justifica-se pela explicação sobre a preferência do pai por aquela música.
Gostei da inclusão de "Serra da Boa Esperança", e achei que ela encadearia com "Saudade", de Chico César e Moska, uma das melhores coisas de "Tua" e que casaria muito bem com o tema e a melodia da maravilhosa canção de Lamartine Babo. Bethânia preferiu, entretanto, juntar a letra delicadíssima e elaboradíssima de "Saudade" à mais pura breguice sertanejo-pop de "É o amor". Não gostei.
Enfim, por último, também vou aproveitar a minha rabugice de hoje e dizer que não gosto de cantores que lêem a letra das músicas, e acho que Bethânia abusou disso nesse show. Não me incomodo quando ela lê algum texto, mas cantar olhando pra estantezinha com a letra enquanto canta eu achei um pouco demais.
Só pra terminar e reforçar: eu sempre acho os shows de Bethânia maravilhosos. Iria novamente inúmeras vezes assistir de novo a "Amor, festa e devoção", mas penso que em outras ocasiões Bethânia conseguiu me fazer sair do teatro agradecendo à vida por me permitir ser contemporânea de uma artista tão maravilhosa e desta vez eu saí apenas achando que era um show bonito. Quero mais da minha cantora predileta!

domingo, 6 de dezembro de 2009

Calçada da lama - parte 2.

Não resisti a fazer um novo post sobre o caso da assim chamada "Calçada da fama", principalmente depois de ler uma matéria sobre calçadas em São Paulo na revista Época São Paulo de dezembro de 2009. O site da revista, que dá de 10 a 0 na Veja São Paulo, está aqui. Não encontrei a tal matéria disponível online, portanto vou tentar resumir: a idéia principal é a de que seria interessante que empresas "adotassem" trechos de calçadas em São Paulo, garantindo a sua manutenção. Alturas tantas, entretanto, a reportagem alerta para os perigos dessa possibilidade de solução para uma das grandes mazelas da cidade:

Mas depender de patrocinadores também pode abrir caminho para empreendimentos controversos, como o que foi suspenso pela Justiça no bairro de Santa Cecília, no fim de novembro.
Ali, a empresária da noite Lílian Gonçalves planeja transformar o passeio de um dos lados da rua Canuto do Val numa versão brasileira da calçada da fama de Hollywood - com estrelas para homenagear celebridades nacionais, a começar por Xuxa, Roberto Carlos e Pelé. As obras, iniciadas em outubro, avançaram sobre uma faixa da rua antes destinada à circulação de veículos, desapropriada para ampliar a calçada em dois metros. Apesar disso, o espaço reservado aos pedestres permanece inalterado. É que boa parte dos seis metros de pavimento é destinada às mesas e cadeiras dos cinco bares do local - que pertencem a Lílian Gonçalves.
Para não prejudicar a circulação na via, que faz parte da rota de ambulâncias da Santa Casa, as vagas de zona azul foram canceladas. Não por acaso, a associação criada para gerenciar a calçada da fama está construindo sua sede em um edifício ali em frente, com oito pisos de estacionamento que serão administrados por Lílian.

Dá pra acreditar na desfaçatez dessa gente? Gostei da reportagem, porque revela a extensão do alcance dos tentáculos da empresária. É preciso brigar mesmo, porque este é mais um caso explícito do Estado e de bens públicos servindo a interesses inequivocamente privados.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

O público a serviço do privado!

Eu trabalho no interior de São Paulo e venho com muita frequência para a capital. Como sempre vou e volto de ônibus, para os meus deslocamentos, já há muito tempo uso o Terminal Rodoviário Barra Funda.
Nos últimos anos, porém, uma universidade privada que funciona ali perto tem trazido o caos para as noites do Terminal. São dezenas de barracas de lanche nas calçadas, um comércio variadíssimo na praça em frente (tem inclusive serviço de xerox), carros estacionados em todos os lugares possíveis e imagináveis etc.
É uma confusão! Nas noites de sexta, então, a coisa piora: parece que ninguém assiste às aulas, vão todos para os botecos improvisados nas calçadas, que muitas vezes têm até música ao vivo!
Para mim, entretanto, o mais impressionante é ver, nos horários de entrada e saída das aulas, o desfile de centenas de pessoas pela rampa de acesso ao Terminal. É uma imagem inesquecível, parece uma serpente gigante com muitas cabeças e pés passando pela travessia de pedestres. Fica quase impossível andar em sentido contrário ao da correnteza de gente.
Filas pra comprar bilhete de metrô e trem, filas para passar nas catracas, enfim, gente e mais gente que não acaba nunca.
Além disso, tem sempre aqueles que não se dispõem a usar a passagem de pedestres - até pela dificuldade de andar no meio da multidão - e atravessam pela rua mesmo, pulando o guard rail que separa as faixas e correndo entre carros, motos, ônibus. Algum dia certamente alguém será atropelado, se é que já não foi.
A partir da convivência com essa situação, comecei a observar melhor a localização das faculdades privadas e percebi que há uma preferência por locais próximos a estações do metrô, já que assim os alunos podem chegar e sair utilizando uma forma de transporte mais fácil.
Basta observar: só no trecho entre as estações Paraíso e Liberdade, temos 3 enormes câmpus. Isso sem contar com as pequenas instituições que aparecem em cada esquina!
Tudo muito fácil para os alunos e donos das escolas, não é?
Essa conveniência, entretanto, tem um preço: a superlotação das estações e trens num nível insuportável! É como se o serviço de transporte público acabasse monopolizado por uma empresa privada, que faz uso dele sem nenhuma precaução e sem oferecer nenhum retorno à sociedade. Ao contrário, no entorno dessas instituições há uma evidente proliferação de bares improvisados, de alunos ocupando as calçadas para beber, conversar e fumar, muitas vezes ocupando até mesmo algumas faixas da rua, colocando sua própria segurança em risco e ainda criando problemas para o trânsito.
Até quando o Estado vai continuar fornecendo facilidades para aumentar o lucro dos donos das faculdades privadas? Já está mais do que na hora de vermos esses empresários da educação darem um retorno à sociedade, contribuindo para melhorar e não piorar a vida das pessoas que circulam em torno de seus estabelecimentos!

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Psiulândia itinerante!

Ontem foi aniversário de um blog que eu sigo, o De uns tempos pra cá, escrito pela Carmem. Para comemorar, ela propôs que os amigos mandassem textos para publicação, e eu resolvi aderir. Assim, minha rabugice foi dar um passeio por lá, no post Aniversário. Pra quem gosta de acompanhar minhas reclamações, é só dar um passeios lá na outra freguesia.
Logo estaremos de volta, em nosso endereço costumeiro!