sábado, 28 de março de 2009

Gritando por silêncio???

A revista Época São Paulo do mês de março tem uma matéria interessante chamada "Gritando por silêncio". Se você não leu, a íntegra da reportagem está aqui: http://migre.me/g18

Em resumo, o artigo fala de um movimento iniciado no bairro do Itaim Bibi, em São Paulo, contra os barulhentos da madrugada. Moradores do bairro criaram algo chamado "Movimento Guerrilheiro πsil", que propõe que as pessoas que fazem barulho de madrugada sejam alvo de represálias na forma de bexigas cheias de água. Nenhum dos líderes se identifica, e divulgam o movimento num blog vizinho daqui: http://www.pissil.blogspot.com/, onde chegam a insinuar que as bexigas podem ser enchidas também com urina.

Fui dar uma olhada por lá e de cara já fiquei meio bronqueada, porque declaram que combatem "gritos de gordas histéricas, bêbados sem noção e buzinaços desnecessários". Senti um certo clima de machismo e de preconceito em relação às pessoas gordas, e fiz questão de deixar meu comentário sobre isso no blog deles. Sou mulher, gorda, e vivo implorando por um mundo mais silencioso... Enquanto isso, por exemplo, garotos magrinhos ficam urrando pelas ruas cada vez que seu time faz um gol... Não dá pra reconhecer um barulhento só pelo seu sexo ou pela forma do seu corpo, feliz ou infelizmente. E isso de associar histeria ao sexo feminino não perdoo nem mesmo nos que começaram a estudar esse tema no século XIX.

Mas além do preconceito exposto já na primeira postagem do blog e na primeira página da matéria da revista, eu penso que essa proposta de guerrilha urbana não se afina muito com minha maneira de encarar possibilidades de militância anti-ruídos noturnos.

Sou muito condicionada pela minha formação meio anos 60 e acabo acreditando que esse tipo de ataque só nos equipara aos que nos incomodam. Retibuir uma agressão com outra sempre me parece o começo de todas as guerras. E o próprio título da matéria já expõe, de certo modo, essa contradição: gritar por silêncio me parece de uma incoerência total!!!

Leis mais rigorosas, fiscalização mais eficiente, melhor educação para todos: não vejo outra forma de resolver as coisas que consideramos erradas no nosso mundo, como o sambão ao vivo, em alto volume, que rola num boteco aqui ao lado enquanto escrevo este post, às 22 horas de um sábado.

Psiu!!!!!!!!!!

segunda-feira, 16 de março de 2009

Bem-vinda à Psiulândia, Adriana Calcanhoto!

Numa noite dessas, estive zapeando pela TV e me deparei com uma entrevista da Adriana Calcanhoto ao Alex Lerner, no episódio 31 do programa Por trás da fama, no Multishow.
Lá pelo final da entrevista, o entrevistador pergunta:
"Você já teve essa sensação de que tem muita música no mundo?"
E a resposta dela é ótima:
"Tenho, total, total! Música no elevador, música no café da manhã... Você vai num hotel, qualquer hotel do Brasil, você vai tomar café da manhã, tem música, às 8 horas da manhã, tem música animada! No avião tem música. Eu acho demais. Eu não entendo o motivo. Eu acho que é mais o medo do silêncio do que desejo real de ouvir música. Posso estar sendo ranzinza, provavelmente estou, mas não consigo pensar de outra maneira."
Não é mesmo uma observação digna deste blog? E ela usa, inclusive, a palavra que é o nosso subtítulo: "ranzinza"! Adorei!
Mas meu trecho favorito é um pouco antes disso, quando ela diz "Eu acho que é mais o medo do silêncio do que desejo real de ouvir música." Achei perfeita essa análise.
Pra quem não lembra, Psiulândia já tratou desse assunto numa das primeiras postagens, chamada "Música compulsória"(http://psiulandia.blogspot.com/2008/12/msica-compulsria.html)
As idéias da entrevista e as da postagem são bem parecidas, portanto, bem-vinda à Psiulândia, Adriana!
Acho que o programa não está disponível online na íntegra, mas de qualquer maneira aí vai o site dele: http://multishow.globo.com/Por-Tras-da-Fama/index.html. Torçam por uma reprise, porque vale a pena.

sexta-feira, 13 de março de 2009

Pedofilia e batatas fritas

Acho que vou comprar uma briga com muita gente, mas vou dizer: odeio gente que come no cinema! Pronto, falei!
Hoje fui assistir ao lindo e tenso "Dúvida", com Meryl Streep, Philip Seymour Hoffman e Amy Adams, entre outros. O filme trata de um tema muito complicado: a possibilidade de o padre que é superior de uma escola ser pedófilo e ter mantido relações com o único aluno negro da turma.
Enquanto o filme se desenrolava na tela, com atuações ótimas dos atores e uma tensão crescente na narrativa, a garota que estava à minha frente comia seu sanduíche do McDonald´s com batatas fritas, mostarda e catchup. Ao lado dela, o namorado devorava um daqueles sacos gigantes de pipoca amanteigada. Tudo devidamente regado a baldes de refrigerante e com trilha sonora de sacos de papel sendo manuseados e de dentes mastigando pipocas e batatinhas.
Não tem coisa melhor pra quebrar o mágico envolvimento com um bom filme do que cheiro de BigMac e barulho de pipoca bem crocante sendo mastigada de boca aberta!
Eu fico me perguntando como é que alguém tem fome numa hora dessas... E olha que eu estou muito longe, anos-luz talvez, de anorexias. Mas não dá pra pensar em batatas fritas com Meryl Streep vestida de freira condenando Philip Seymour Hoffman vestido de padre por ter abusado do aluno!!!
E o pior: mais ou menos metade das pessoas no cinema estava devorando seus punhados de pipoca durante o filme. Parece que ninguém mais é capaz de entrar no cinema sem ter um desses baldes calóricos na mão.
Até acho que num desses filmes barulhentos de ação, vá lá, ninguém escuta mais nada além dos tiros e bombas, mas num filme delicado como esse que eu vi, chega a ser falta de educação passar quase que o tempo inteiro do filme mastigando pipoca.
Tem mais uma coisa: até o McDonald´s foi obrigado por lei a manter visível a informação nutricional de tudo o que vende, assim a gente sabe a bomba calórica que é um BigMac. Mas ninguém nunca viu um quadrinho afixado no cinema dizendo que um saco de 172 gramas de pipoca tem 860 calorias (a fonte: http://www.pernambuco.com/diario/2004/08/01/brasil7_0.html).
Ou seja, além de aporrinhar o ouvido de quem gosta de cinema com barulhos inconvenientes, o devorador de pipoca ainda leva de brinde alguns quilinhos a mais! Será que todos sabem disso?
Às vezes juro que tenho vontade de mandar fazer um adesivo com cola bem forte, com essas informações nutricionais da pipoca, e pregar em todos os cinemas! Isso sim é que seria uma bela ação terrorista...

PS 1 - Tem um post de um blog que eu acompanho que tem tudo a ver com este Psiulândia:
http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2009/02/27/a-escandalosa-e-insuportavel-voz-do-silencio/ Recomendo! Aliás, recomendo o blog todo: http://www.sandrofortunato.com.br/

PS 2 - Psiulândia tá num ritmo mais lento porque voltei ao trabalho e, depois das férias, tem sempre muita coisa acumulada! Mas sempre que possível, tem post novo!

sexta-feira, 6 de março de 2009

A gente não sabe nunca ao certo onde colocar o desejo...

A frase acima é da música "Pecado original", de Caetano Veloso, e eu acho que ela se aplica perfeitamente ao tema do post de hoje: escapamentos.
Quem de nós nunca precisou parar uma conversa porque o som de um escapamento furioso ensurdeceu os que tentavam escutar a voz humana que falava?
Embora ônibus e caminhões também às vezes ultrapassem o limite do bom senso sonoro, carros e motos são os principais vilões nessa história. Aliás, os verdadeiros vilões são os donos de carros e motos.
Enquanto a indústria procura fazer veículos cada vez mais silenciosos - pelo menos é o que eles dizem - alguns motoristas e motoqueiros parecem nunca se satisfazer em ir de um lugar ao outro sem fazer com que todos saibam que eles estão passando. E aí valem todos os truques que são sobejamente conhecidos dos barulhentos de plantão: eliminar o silenciador, "abrir o escapamento" (seja o que isso for), trocar o escapamento original por um "esportivo" (idem)...
O Código de Trânsito prevê punições:

Art. 230. Conduzir o veículo:
VII - com a cor ou característica alterada;
XI - com descarga livre ou silenciador de motor de explosão defeituoso, deficiente ou inoperante;
Infração - grave;
Penalidade - multa;
Medida administrativa - retenção do veículo para regularização;
Valor - R$127,69 (cada uma)

O problema é que as leis existem mas não existem muitos mecanismos que façam com que elas sejam cumpridas... Pelo menos enquanto o Brasil continuar sendo um país tão despreocupado com os níveis de poluição sonora.
Do meu ponto de vista, estas adequações no carro ou na moto não têm como objetivo único fazer barulho: todos querem dar a impressão de mais potência no motor do que o veículo de fato tem.
E aí, meus caros barulhentos, não precisa ser Freud para perceber que vocês estão transferindo a potência para o lugar errado... Ou, como diria Caetano Veloso, estão provando que a gente não sabe nunca ao certo onde colocar o desejo...