terça-feira, 20 de novembro de 2012

Silêncio, hospital.



Aposto que a imagem acima (ou variações mais modernas dela) já é bem conhecida por todos nós. A enfermeira pedindo silêncio no hospital, para permitir o repouso dos pacientes, é uma figura tão clássica que acredito que seja das primeiras imagens que nos vêm à memória quando pensamos em alguma situação que exija silêncio.
No presente, entretanto, parece que a associação entre silêncio e hospital anda problemática. E não falo apenas dos escapamentos barulhentos e buzinas ensandecidas dos veículos que passam ao lado desses locais.
Tive a triste experiência de acompanhar minha mãe numa internação, num bem conceituado e antigo hospital de São Paulo, e pude constatar que o repouso dos doentes é a última das preocupações, inclusive -e principalmente - do corpo de enfermagem.
O quarto que minha mãe ocupou, para nosso azar, ficava exatamente em frente ao posto da enfermagem naquele andar. A noite que passei ali foi praticamente sem dormir, porque a conversa animada dos funcionários do hospital não permitiram que o sono me levasse.
Fiquei sabendo dos problemas que alguns têm com os filhos, das brigas com os namorados, das intrigas entre alguns funcionários, das encrencas pra resolver quem estaria de plantão durante as festas do final do ano...
Até mesmo as desventuras amorosas de uma enfermeira que tinha "ficado umas 3 vezes com um cara com quem conversava no Face" foram plenamente expostas num volume perfeitamente audível por mim lá naquela desconfortável cama de acompanhante de pessoas internadas.
Minha mãe? Tinha a bênção de um comprimido para dormir e não se incomodou com a falação. Acho até que esse comprimidinho foi incluído na prescrição dela justamente para que ela não se incomodasse com a animação do posto de enfermagem...
Cheguei até mesmo a falar com uma enfermeira, expondo a situação, mas a conversa seguiu inalterada, com vozes em volume alto e risadas mais adequadas a uma mesa de bar.
Felizmente, no dia seguinte minha mãe teve alta e ficamos livres daquela situação. Mas pobre de quem ficou por lá!
Tomara que o quadrinho da enfermeira ali de cima volte a fazer efeito nos corredores dos hospitais!