sexta-feira, 25 de maio de 2012

Liberdade, essa palavra...

Já tem algum tempo que eu estou matutando sobre esta postagem, mas parece que nunca consigo colocá-la online. Hoje eu decidi que finalmente chegou o dia.
Começo contando um caso ocorrido - mais uma vez - num ônibus. Eu estava fazendo uma viagem de trabalho entre São Paulo e Araraquara. Já a bordo, começo a ouvir aqueles desagradáveis ruídos de um desses celulares que funcionam por rádio. No caso desses aparelhos infernais, a gente tem de ouvir periodicamente um som de campainha que sinaliza de quem é a vez de falar. Além disso, quase todo mundo que eu conheço que tem um celular desses deixa o dito cujo funcionando no viva-voz. Ou seja, é uma verdadeira orquestra composta por pelo menos 3 instrumentos: a voz de quem está ao seu lado, a voz da pessoa com quem ele fala e a maldita campainha alternando entre um e outro. Dentro de um ônibus, essa combinação pode levar qualquer um à loucura.
Por causa disso, e por causa da longa conversa que vinha sendo obrigada a testemunhar, comecei a lançar alguns olhares de desagrado ao rapaz que estava ao telefone. Num determinado momento, ele notou meus olhares e perguntou, muito irritado, por que eu estava olhando tanto pra ele. Eu disse que o celular dele incomodava o ônibus todo. O que me surpreendeu foi a resposta dele: "E a minha liberdade? Tenho toda a liberdade de falar ao telefone!"
Mais irritada ainda, disse que liberdade total ele tinha, sim, dentro da casa dele, que ali era um espaço público e ele tinha de respeitar os demais.
De alguma maneira acho que funcionou, pois ele terminou a tal conversa e dormiu o resto da viagem.
Mas esse acontecimento me abriu os olhos para o fato de que está acontecendo alguma coisa muito louca nesse mundo. Tenho a impressão de que depois de tantos anos de ditadura, as pessoas resolveram levar o conceito de liberdade a patamares que chegam facilmente ao nível da falta de educação.
Qualquer possibilidade mínima que seja de restrição é vista como cerceamento, como opressão.
A mesma coisa se pode dizer dessas barbaridades que certos "comediantes" tem falado aqui e ali.
Tenho visto inclusive nas redes sociais pessoas que julgam que podem dizer o que quiserem sem qualquer restrição. Todo questionamento é visto como censura, como atentado à liberdade de expressão.
Sinto muito, caros leitores, mas a velha e boa expressão que a gente aprendia na escola está cada vez mais atual e necessária: a minha liberdade vai até onde começa a do outro. Se o que eu estou dizendo ou fazendo incomoda outras pessoas, eu preciso levá-las em consideração. Qualquer coisa além disso não é mais do que falta de educação.

sexta-feira, 11 de maio de 2012

De volta...

Olha eu aqui de novo! Minha vida deu umas reviravoltas nos últimos meses, então Psiulândia ficou mais em silêncio do que de costume. Mas vamos ver se volto a uma periodicidade mais razoável nas postagens!
Pra inaugurar essa nova fase, começo contando que me mudei pra Santos. Cansei daquela vida no interior, numa cidade árida, que pouco tinha a ver comigo.
Vim morar na Ponta da Praia, um pouco mais distante do pontos mais muvucados da orla santista, pra tentar ter ao mesmo tempo uma vista bonita na janela, se possível sem muito barulho.
A vista que tenho é cinematográfica. Adoro ficar assistindo ao vai e vem dos navios entrando e saindo do porto (mesmo quando eles apitam aqui em frente). É bom ver também as coloridas canoas havaianas que passam todas as manhãs, os pescadores que todos os dias se colocam no pier com suas varas mesmo sem muito sucesso... Tem até uma tartaruga marinha que de vez em quando me aparece aqui em frente!
Uma coisa, entretanto, anda me aborrecendo: não sei que atração a calçada em frente ao meu prédio exerce sobre os jovens que gostam de ouvir música em volume alto nos carros pela madrugada!
Quase toda semana eu acabo acordando com um grupo parado na calçada em frente, com o som do carro a todo volume. Outro dia teve até mesmo uma festa de aniversário na calçada, com direito a gritaria, parabéns, cerveja e altofalantes!!!
Cheguei a elaborar uma hipótese para esses programas ao ar livre: devem ser jovens menores de idade, que não podem beber álcool nos bares, então se reúnem para isso nas calçadas, onde não tem vigilância.
Na calçada, tudo é liberado: bebida e cigarro para qualquer faixa etária, acompanhados de som alto e gritaria.
Sinceramente não sei que solução seria possível pra esse caso. Leis? Policiamento? Fiscalização? Educação?
Sei lá... E, enquanto isso, durma-se com um barulho desses!