sábado, 30 de maio de 2009

Mais uma aventura noturna

Um post rapidinho, só pra atualizar como anda a minha vida com os celulares...
Mais uma viagem noturna, e mais uma experiência a bordo que só posso definir como bizarra.
Tudo começou já de forma atrapalhada: tinha uma moça sentada no meu lugar, carregando uma caixa com um animado cachorrinho. Enquanto esperava a garota que embarcava os passageiros acabar sua tarefa para poder resolver a minha questão de assento ocupado, observei que vários ex-presidiários estavam embarcando. Fiquei já imaginando como a viagem seria animada...
Problema do assento resolvido (a errada era a moça do cachorrinho), durante a primeira meia hora da viagem houve um pouco de tumulto a bordo, com os egressos do presídio fazendo um pouco de algazarra, como eu previra. Para minha surpresa, entretanto, logo ficaram quietinhos e dormiram. Fiz o mesmo, pensando que enfim a humanidade tinha salvação.
Estava enganada... O ônibus estava um pouco atrasado e, quando faltava ainda cerca de uma hora para chegar em São Paulo, começo a ouvir um som inacreditável: o hino do Corinthians, com aquela introdução tradicional e depois o coro masculino cantando "Salve o Corinthians etc."
Sim, era um celular. Em alto volume. Com sinal ruim. A ligação caiu 2 vezes, então ouvimos mais 2 vezes o hino tocando dentro do ônibus silencioso. E cada vez que a ligação falhava, o dono do aparelho deixava tocar mais um pouco a música, talvez esperando que o sinal ficasse mais forte se a música tocasse por mais tempo!
Pareceu-me que em momento nenhum ele sequer pensou em alternar o celular para o modo silencioso.
Os ex-presidiários, que eu preconceituosamente tinha imaginado que não me deixariam dormir, tinham ficado ali quietinhos, dormindo e esperando a chegada em São Paulo.
E assim acordamos todos, naquela madrugada, ao som do hino do Corinthians, por causa de um mauricinho inconveniente que resolveu que podia acordar a todos com seu celular sem noção.

domingo, 24 de maio de 2009

Toca Raul - PS

Eu me esqueci de dizer no post abaixo que, ao contrário do que possa parecer, gosto de Raul Seixas... Mas, a respeito disso, só posso assinar embaixo de uma frase que colocaram num mural lá onde eu trabalho:

Toca Raul!

Tive uma experiência inesquecível nesta noite de 23 para 24 de maio aqui em São Paulo...
Todo sábado, perto daqui, tem uma casa noturna que toca pagode ao vivo. Já me acostumei ao ouvir tudo aquilo a noite inteira, numa toada que só termina pontualmente a uma da manhã (obrigada, Psiu!). Nada contra o pagode, só que eu não gosto. E é fogo ter de ouvir, todo sábado, um concerto de pagode compulsório!
Mas ontem, além disso, havia uma festa numa varanda improvisada que foi criada numa espécie de "cobertura" de um prédio aqui ao lado.
Quando cheguei, tinha o som do pagode entrando pelas janelas de um lado e o som da festa pelas janelas do fundo. Previ que a noite seria animada!
Fiquei fazendo hora pra só ir dormir depois que o pagode terminasse - um problema a menos! Mas aí, depois disso, as conversas, risadas, músicas e gritos da festa invadiram o apartamento.
Eu estava exausta, e apaguei mesmo assim. Às 4 e meia, depois de ter tido umas 2 ou 3horas de sono, acordei com o barulho alto da festa. A animação seguia. Tem uma foto que eu tirei da janela nesse horário:



Logo depois deste clique, um grupo daqueles marmanjos bêbados se lembrou da trilha sonora adequada à situação: Raul Seixas. Depois de terem cantado 3 vezes "Ouro de tolo" (com ênfase no trecho "com a boca escancarada cheia de dentes esperando a morte chegar"), começaram a chamar o falecido com gritos tão altos que, se ele estivesse vivo, certamente teria atendido. Eu tentava dormir e lá vinham os gritos de "Raul!" "Raul!"...
O que eu fiz para merecer isso???
Depois eles se lembraram de que havia outras músicas no repertório, e vieram com "Gita", "Metamorfose ambulante", "Al Capone", "Medo da chuva"... Faltou só mesmo o "Maluco beleza" que miraculosamente deve ter ficado esquecido em algum ponto obscuro daqueles neurônios anestesiados pela cerveja.
Às 6 da manhã, finalmente acharam que era hora de fechar a barraquinha e me deixar dormir... Hoje pela manhã, este era o cenário:



E ainda agora, quando escrevo, às 5 da tarde do sábado, aquele festival de latinhas vazias continua por lá. Certamente quem deveria limpar está dormindo, de ressaca. Devo gritar "Toca Raul" na janela?
Depois dessa experiência, só em ocorre perguntar a quem podemos recorrer? À polícia? Ela certamente diria que tem mais com o que se preocupar. O Psiu? Ele já disse que não atende ocorrências que não envolvam estabelecimentos comerciais. Talvez ao bispo de Pororoca da Serra...
Não é possível que todos nós estejamos à mercê de qualquer bando de foliões animados, sem ter a quem recorrer! Alguém me explica como é que pode?

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Sinfonia de pardais eletrônicos na madrugada.

Sim, mais uma vez passei a noite a bordo de um ônibus, vindo para São Paulo, numa viagem de quase 450 quilômetros. Trabalhei muito o dia todo e uma sexta-feira agitada me esperava na capital. Precisava dormir bem, portanto.
Depois dos quilômetros iniciais, em que a euforia sempre leva alguns a conversar com o passageiro mais próximo ou com alguém num celular, aos poucos todos foram se aquietando e começando a dormir. Ou quase todos, pelo menos.
Depois de 3 horas de viagem, a primeira parada chegou. Eu dormia profundamente e assim continuei, ou, pelo menos, tentei continuar, mesmo em meio à agitação do sobe e desce de gente do ônibus, cheiro de coxinha a bordo, saquinhos plásticos rangendo etc. Mas sobre isso acho que já falei em outro post em que comentava viagens noturnas em ônibus, e neste eu quero falar de outra coisa.
Depois da parada, consegui pegar no sono de novo. Quando faltava mais ou menos uma hora para chegar em São Paulo, comecei a ouvir um barulhinho assim:
Era repetido a intervalos irregulares, o que acabou me tirando do pesado sono em que estava. Demorei um pouco mas reconheci o sinal de troca de mensagens pelo programa de comunicação Fring, que reúne coisas como MSN, Skype e Twitter no celular.
Ou seja, alguém estava batendo papo com alguém, às 5 da manhã, dentro do ônibus. Sem problema, cada um escolhe o que quer fazer nesse horário. A questão é que, a cada mensagem que transitava entre os conversadores matinais, um grilo eletrônico daqueles levava pra mais longe a minha possibilidade de dormir mais um pouco até a chegada.
Fiz o famoso "Psiu!", mas não adiantou. Pedi para tirarem o som do celular, mas nada. O grilo do celular continuava ativíssimo!
Finalmente desisti de dormir, ao ver que, conforme chegávamos mais perto de São Paulo, a orquestra de celulares ganhava novos instrumentos: campainhas, disco music, rock'n roll, óperas, enfim, toda a vasta gama de opções de tons de celulares começou a soar e as conversas se multiplicavam: "Não, ainda estou na estrada!" "Daqui a uma meia hora estou chegando!" "Estamos entrando na marginal, benhê!"
Fiquei pensando que no mundo dos meus sonhos ninguém poderia sair da loja portando um celular sem um cursinho prévio de como colocá-lo no modo silencioso. Tipo um porte de arma, sabe como é? Ou carteira de habilitação, antes de sair dirigindo um carro por aí.
Enfim, mais uma experiência com a incomensurável capacidade humana de não se dar conta de que ninguém está sozinho no mundo...
OBS. - O título do post presta uma homenagem a um colega de trabalho que achava a expressão "Sinfonia de pardais", da canção "Ave-Maria no morro", de Herivelto Martins, a mais idiota da MPB (se alguém quiser ouvir, aqui tem com a Dalva de Oliveira: Ave-Maria no morro). O argumento dele era que não podia haver uma sinfonia de pardais já que eles não cantam, apenas ficam piando aqui e ali e proliferando pelas ruas. Como celulares, aliás.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Barulho bom!

Pra quem acha que a minha ranhetice chegou a níveis insuportáveis, vou dar uma trégua: hoje vou falar de uma cena barulhenta que alegrou a minha segunda-feira!
Começou quando li na coluna "Bombou na web", da revista Época desta semana, a notícia abaixo:

"A T-Mobile, empresa de celulares, passou uma cantada em seus clientes: 'Encontre-me às 18 horas do dia 30 de abril na Praça Trafalgar, no centro de Londres'. Mesmo sem saber o que seria feito, mais de 13 mil pessoas compareceram. Microfones foram distribuídos aos presentes e um telão gigantesco se acendeu, mostrando a letra da canção 'Hey Jude', dos Beatles. O karaokê gigante virou uma campanha publicitária. Dezenas de vídeos gravados pelo celular foram parar no YouTube no mesmo dia. O vídeo oficial foi ao ar dois dias depois. Já foi visto mais de 400 mil vezes."

Lá fui eu, a beatlemaníaca de plantão, ao YouTube assistir a cena: http://www.youtube.com/watch?v=orukqxeWmM0.

Achei tão bonito! Todo mundo cantando feliz da vida, sem medo de desafinar ou parecer ridículo. Tinha turista japonês se sentindo o próprio John Lennon, tinha gente repartindo um microfone só, morador de rua, executivo voltando pra casa, patricinhas & mauricinhos, velhos, adolescentes e crianças, homens e mulheres, enfim, gente de todo tipo, cor e condição social cantando junto uma música dos Beatles. Até o ônibus carregado de turistas parou e todo mundo ficou em pé, cantando junto!
Tá, eu sei que é uma campanha publicitária pra vender celular. Mas ela mostra que dá pra usar essas tecnologias moderninhas, como os sms, para juntar gente pra fazer coisas legais.
E por fim: aquelas milhares de pessoas deviam estar fazendo um barulho bem grande! Mas eu daria muita coisa pra estar no meio delas, ouvindo tudo e cantando também, sem ranhetice nenhuma!

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Dia do silêncio

Minha amiga Drika me avisou pelo Twitter: 7 de maio é o Dia do Silêncio. E foi ontem! Alguém notou? Eu não...
Andei pesquisando pela internet a origem da data, mas não consegui descobrir nada. Achei uma matéria sobre ele no site da Prefeitura de São Paulo, inclusive com informações sobre o Psiu (http://www2.prefeitura.sp.gov.br/noticias/ouvidoria/2007/05/0001), mas ainda sem a explicação que eu procurava.
Mais tarde, dei de cara com o Jornal da Tarde, numa banca de revista, trazendo na capa a manchete: "Ex-chefe do Psiu: há bares e igrejas intocáveis em SP". Comprei, é claro!
Ali o ex-chefe do Psiu, o coronel reformado Fernando Coscioni, denuncia que teria sido levado a se demitir, antes que fosse exonerado, porque seu trabalho estaria incomodando alguns políticos, que inclusive pressionaram o Psiu para reabrir alguns locais fechados pela fiscalização. Ele diz que alguns bares de Pinheiros, as casas de Lilian Gonçalves (Rede Biroska), e o Teatro dos Parlapatões seriam "imexíveis". E, além disso, algumas igrejas também estariam invulneráveis ao Psiu, como a Assembléia de Deus do Bom Retiro.
A Prefeitura nega a interferência no trabalho do Psiu e nega também que a saída do tal coronel reformado tenha sido motivada pela alegada intransigência dele no cumprimento da lei e na consequente aplicação aplicação das penalidades (multa de 28 mil reais e fechamento) aos estabelecimentos desobedientes.
Enfim, o dia do silêncio deste ano parece que foi mesmo marcado pelo barulho!
Resta apenas esperar que a mudança na chefia do Psiu não seja para pior. Aliás, faria bem o senhor prefeito se ampliasse o número de funcionários trabalhando contra o barulho, porque, segundo a reportagem, há 6 mil denúncias à espera de fiscalização e providências! Durma-se com um barulho desses!

sábado, 2 de maio de 2009

Barulho na Globo

No fim das contas, acabei quase perdendo o programa Profissão repórter do dia 21 de abril! Não fosse o lembrete via Twitter que me mandou o amigo Sandro Fortunato (do blog super legal "Sempre algo a dizer" - http://www.sandrofortunato.com.br/ - que eu sigo religiosamente), teria deixado de ver na tv aquilo que ele chamou de "sucursal do inferno".
Pra quem assistiu, fica fácil entender a expressão que ele usou: concursos de quem tem o som mais potente nos carros, televisão transmitindo jogo ao vivo nas ruas, com altofalante e torcida e ainda seguido de show de forró comemorativo, moradores de um prédio construído em cima de um viaduto, shows de hard rock com os próprios músicos tocando de tampão no ouvido etc.
Enfim, tudo aquilo que acaba com o nosso sossego, exemplos literalmente gritantes dos extremos a que a insanidade humana pode chegar, como o do cara que gasta mais do que ganha por mês para comprar UM altofalante para o carro. Ou o dos pais que deixam a criança ficar descansando na caçamba do carro em frente a uma parede de altofalantes ligados no máximo.
Mas o pior de tudo foi saber que o serviço do Psiu, na cidade de São Paulo, demora no mínimo 30 dias pra fazer a primeira fiscalização numa casa noturna, depois de uma denúncia! Quanta demora! E enquanto isso, como dormem os vizinhos? Mais gente trabalhando no Psiu, por favor, senhor Kassab! Poluição não é só a visual, tem a sonora também!
Pra quem não viu, aqui vai o link onde o programa Profissão repórter de 21 de abril pode ser visto na íntegra: http://especiais.profissaoreporter.globo.com/programa/
E depois não deixem de comentar aqui!
O post hoje vai curtinho, porque ainda estou me recuperando de uma gripe, mas semana que vem te mais! Ah, e fiquei um fim de semana sem postar aqui por causa da correria da vida, mas prometo que não vai acontecer de novo!