domingo, 21 de julho de 2013

Tchau, Senshô!

Eu sempre tenho dificuldade de entender um mundo que ande em linha reta. Deve ser por isso que procuro entender a vida avançando lentamente em espirais. E de vez em quando um círculo se fecha, como se fechou ontem. Foi assim, eu conto.
Quando nos falamos pelo Twitter pela primeira vez, em julho de 2011, um oceano nos separava: ele no Brasil e eu na Hungria, em férias. Muita conversa virtual rolou em capítulos de 140 caracteres, com a constatação de muitas afinidades entre a gente.
Depois, quando eu já estava de volta ao Brasil, marcamos um jantar, para nos conhecermos pessoalmente. Nunca me esquecerei da sua chegada: aquele homem enorme saltando diante de nós pra se apresentar, com seu sorriso lindo e seus óculos vermelhos. Nessa noite, na mesa no Pasquale, a conversa fluiu fácil entre nós seis. A gente já se conhecia e ao mesmo tempo estava se conhecendo naquela hora. Coisas da internet, que já trouxe tantas pessoas legais para a minha vida.
Continuamos nossa convivência cotidiana no Twitter, o que era delicioso. Suas frases eram irresistíveis:


As postagens dele eram sempre surpreendentes. Às vezes eu ficava rindo sozinha diante do celular, ao ler algo assim:


Houve mais um encontro, com muito amigos, ao redor de uma mesa no nosso querido Tubaína.
E num desses dias de maio último, através de um check-in dele no Foursquare, descobri que estávamos ambos na área de embarque em Congonhas. Nos encontramos, nos abraçamos e nos despedimos. Ele ia pra Brasília, eu ia pra Londrina (onde ele estudou e eu trabalhei). E eu não sabia que aquele seria nosso último encontro.
E agora, nesta triste semana, que se encerra hoje, estou novamente fora do Brasil. Em Londres, onde ele esteve há pouco tempo. Eu sabia, pelo Twitter, que ele estava no hospital e torcia pela sua recuperação.
Ontem fui a Greenwich, encontrar amigos e conhecer o lugar, e me lembrei de uma foto que ele tirou quando esteve lá: 


Enquanto ele estava no hospital, lutando pra sobreviver, eu passava pelos mesmos lugares por onde ele andou. Podia ser um sinal de boas notícias. Mas não era: na noite de sábado, ele se foi. 
Foi muito triste, mas foi também lindo ver o quanto as pessoas no Twitter gostavam dele. De repente, toda a minha timeline não tinha outro assunto. Muita gente retuitou alguns tuítes marcantes dele e por um momento dava a impressão de que ele estava ali, como sempre.
Meu amigo querido, que chegou na minha vida quando eu estava longe, foi embora também num dia em que um oceano está entre nós.
Para homenageá-lo, mesmo à distância, fomos a um pub, no horário previsto da cerimônia de cremação, e brindamos a ele e aos dois anos em que o tivemos por perto. Em frente ao pub, um grupo de senhoras de meia idade, meio bêbadas, cantavam e dançavam na rua músicas dos anos 70-80. Ele teria adorado.


(Este post é dedicado ao Esper)