quinta-feira, 27 de maio de 2010

Celulares & campanhas.

Outro dia recebi de um aluno blogueiro (Abraçador), que passeia aqui pela Psiulândia, um e-mail lacônico, dizendo apenas "outro chato", com o link de um vídeo no Youtube. Fui lá ver e era o canal maspoxavida, de um cara chamado PC Siqueira. Parece que só eu não conhecia o cara, que já foi até parar na MTV.
É um garoto vesgo, com cara de nerd, falando sobre assuntos variados diante do espelho.
Pois bem, no tal vídeo indicado, o garoto fala sobre gente que ouve música no celular, dentro do ônibus, sem fone de ouvido. As propostas radicais dele começam com colocar Beethoven no celular pra fazer guerra de música, jogar pra fora do ônibus os inconvenientes e, por último, propõe uma campanha para que algum sociopata se disponha a matar essas pessoas.
Ele fala isso tudo na mais completa impassibilidade, então chega a ficar engraçado e acho que ninguém vai levar a sério a campanha dele.
Outra campanha apareceu hoje no Twitter, lançada pelo @gi_groff: "Participe você também da campanha: Doe um fone de ouvido para o celular de um funkeiro". O pessoal dos @Destemperados logo completou: "E dos pagodeiros".
Taí uma campanha menos radical e talvez mais eficiente que a do PC Siqueira! Eu acho que vou aderir!
Tenho aqui em casa um monte de fones de ouvido daqueles distribuídos de brinde no avião e vou deixar alguns na bolsa para uma hora dessas. Alguém começa a ouvir música no celular sem fone de ouvido e ato contínuo eu saco da bolsa um fone de ouvido de brinde!
Nossa Senhora das Trompas de Eustáquio não permita que haja incompatibilidade nos plugs!

quinta-feira, 13 de maio de 2010

No escurinho do cinema...

Eu já tratei de questões relacionadas ao cinema num post anterior (Pedofilia e batatas fritas), mas resolvi voltar à questão depois que recebi um e-mail de uma amiga, que reproduzo abaixo:

Aos meus amigos mais seletos: acabei de chegar do cinema. Mais uma vez minhas orelhas foram massacradas por um som muito acima dos decibéis que meus ouvidos consideram razoáveis. É implicância minha ou os filmes são projetados para surdos... como, aliás, ficaremos todos, se frequentarmos estes cinemas. Desta vez chamei o responsável, que, solícito me informou que o permitido, no filme, é " nível 4", e que o trailer já vem mais alto mesmo, "pq é projeção digital". É isso mesmo? Faz algum sentido? Ou o assunto é irrelevante, alienado, coisa de burguês?

Não é coisa irrelevante, não, minha amiga, porque eu também já sofri nos cinemas com som alto demais para os meus ouvidos. No mais das vezes, isso acontece mesmo durante os trailers, mas já tive o desprazer de ver um filme inteiro em som mais alto do que o razoável.
Eu não tenho uma explicação pra isso, mas tenho alguns palpites.
Como já estou velhinha, posso, por exemplo, falar que ir ao cinema, no meu tempo, era diferente. A gente ficava num silêncio quase religioso, logo que as luzes se apagavam, pra ver os trailers e já ir programando as próximas idas ao cinema. Depois o filme começava e o máximo que a gente fazia era pegar uma balinha na bolsa e eventualmente cochichar com os acompanhantes o comentário sobre alguma cena.
De uns tempos pra cá, a coisa mudou muito.
Pra começar, todos vão ao cinema como quem vai a um pic-nic, com baldes de pipoca, sacos de fast-food e copos gigantescos de refrigerante.
Além disso, todo mundo conversa em alto e bom som até que a primeira frase do filme seja dita. Ninguém dá a mínima para os comerciais, para os avisos, para os trailers e até mesmo para os créditos iniciais do filme. Enquanto não aparece no filme um personagem abrindo a boca, ninguém na platéia fecha a sua.
E quando alguém quer conversar com o vizinho de poltrona ou atender telefone no meio da sessão, não é preciso cerimônia.
Fico pensando se esse tipo de comportamento que vemos hoje nos cinemas não é típico de uma geração que cresceu já com as facilidades de videocassetes e dvds. Quando essas coisas ainda não existiam - sim, eu sou desse tempo - a gente não podia perder uma frase do filme, porque só dava pra ver de novo pagando outro ingresso ou rezando pra passar na televisão algum dia.
Outro dia resmunguei para um espectador falante no cinema que ali não tinha tecla de voltar a cena... Ele conversava como quem não tem a menor preocupação de perder trechos do filme!
Nesse contexto, minha amiga, não é de se estranhar que o volume dos cinemas esteja acima do que consideramos saudável: estão tentando calar a boca dos espectadores barulhentos e fazê-los prestar atenção ao que se passa na tela. E quem paga o pato dessa briga são os nossos ouvidos, mais uma vez...
Mas fico pensando: será que uma estratégia contrária não seria mais eficiente: Quem sabe se decidirem passar todos os trailers e o filme com o som bem baixinho as pessoas não param de falar e tentam escutar?
Alguém pode tentar convencer um projetista a fazer o teste?