segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Ando meio alarmada...

Eu moro num bairro meio fronteiriço da minha cidade, que mistura casas de padrão médio/alto e barraquinhos de quase favela e favela mesmo. Sim, isso também existe no interior... Talvez por isso, todo mundo que tem uma casinha mais arrumadinha cisma logo de comprar um daqueles alarmes sonoros contra roubo. Resultado: sempre tem algum disparando, sem que ninguém tome qualquer providência!
Já tivemos um fim de semana inteiro ouvindo os apitos intermináveis de um deles. Provavelmente era num estabelecimento comercial aqui da vizinhança, e o feliz proprietário só descobriu que infernizou a vida do bairro na segunda-feira de manhã, quando voltou para abrir a lojinha.
Vasculhando o Google, tentei achar alguma legislação sobre esse tipo de ocorrência e não encontrei quase nada. A única referência a uma tentativa de regulamentação que eu encontrei foi no blog de um vereador da cidade de Americana, Jonas Santa Rosa, propondo que todos os imóveis com alarmes sonoros tivessem um número de telefone visível para que fosse possível comunicar o acionamento. Descobri depois que o projeto dele foi rejeitado pela câmara de lá, que ficou com medo da exposição pública do número de telefone do proprietário do imóvel com alarme! Infernizar a vida da vizinhança é permitido, ter o seu telefone divulgado é proibido... Ora ora...
Outra coisa muito chata é o alarme de carros e motos - sim, elas também já têm seu alarme - que toca muitas vezes durante horas a fio, sem que o proprietário se dê conta do acionamento justificado ou acidental.
Meu amigo Fábio publicou uma nota no Facebook contando seus dissabores com esses alarmes:

"Para quem tem a felicidade e o privilégio de não conhecer, Car System é um alarme que pode ser instalado em carros e motos e que, ao leve toque em qualquer parte do veículo, dispara um alarme ininterrupto que combina uma sirene ensurdecedoramente irritante combinada com um aviso eletrônico que diz "este veículo está sendo roubado, ligue para o número bla bla bla...". Moro na região central da cidade de São Paulo e posso garantir que grande parte dos motoboys possuem este alarme. Há vezes em que este alarme é disparado O DIA TODO pois, quando um deles é desligado, outro é acionado devido ao grande número de motos. Já liguei diversas vezes para o número anunciado no alarme, mas a burocracia é ainda mais angustiante: eles pedem a placa do veículo, local exato em que ele está (inclusive a altura do número da rua em que ele está) para, só então, mandar um funcionário da Car System para o local que aí acionará o proprietário. Para completar, este funcionário não pode desligar o alarme, ação que só pode ser tomada pelo dono do veículo. Qual a eficiência real deste sistema contra furtos? Praticamente nenhuma, a meu ver. Deveria haver uma lei que proibisse este tipo de alarme, pois é deveras incômodo. Se já existe tal lei, deveria ser rigorosamente aplicada."

Em resumo, vivemos num mundo sem lei, em que a suposta proteção da propriedade privada móvel ou imóvel de alguém está acima de qualquer regulamentação, ainda que precária, sobre poluição sonora.
Meu palpite é o de que, se houvesse leis que de fato cuidassem da poluição sonora, nem seria necessário haver uma legislação específica sobre alarmes. Uma bela multa pra quem deixa um alarme tocar durante mais de, por exemplo, 30 minutos, seria suficiente para fazer com que as pessoas pensassem duas vezes na hora de instalar um alarme e, caso o fizessem, lembrassem de que é preciso uma manutenção do sistema que reduza o risco de acionamentos acidentais.
E a gente dormiria melhor, sem dúvida!

PS - Andei afastada do blog por problemas de saúde, mas acho que de agora em diante já estarei de volta ao ritmo normal!

domingo, 2 de agosto de 2009

Mais um capítulo da vida de viajante!

Eu admito: nasci com o termostato estragado, e sinto mais calor do que a maioria das pessoas que eu conheço. Mas juro que não entendo a aversão que muita gente tem ao ar condicionado. Então hoje decidi falar sobre eles, pensando especialmente num lugar em que eles passaram a dominar: nos ônibus intermunicipais.
Sou de um tempo em que ainda se viajava de trem. Andei muito pela antiga Mogiana, entre Campinas, Amparo e Socorro. Por outras empresas ferroviárias, viajei entre Araçatuba e Lins e entre Campinas e Rio Claro. Era uma época interessante, até que os poucos trechos em que os trens ainda funcionavam começaram a ficar cada vez mais decadentes e eu aderi de vez aos ônibus, conformada.
Até bem pouco tempo, a gente ainda podia abrir o janelão e ir pegando o vento na cara, como era na época dos trens. De uns tempos pra cá, parece que todas as empresas - ou pelo menos as não muito capengas - aderiram ao ar condicionado e às janelas de vidro sem possibilidade de abertura.
No início, achei que seria ótimo, aquela janela enorme, pra poder ir vendo bem a paisagem enquanto a gente relaxava no fresquinho. E aí começaram os problemas.
O menos comum deles é quando o ar condicionado quebra. Por sorte isso tem acontecido pouco. Mais frequentemente acontece é de alguns passageiros pedirem para o motorista desligar o dito cujo. E muitas vezes ele atende a esse pedido.
Um amigo meu certa vez definiu bem o que acontece no interior desses ônibus lacrados e com o ar condicionado desligado: o interior deles fica com cheiro de jaula. É uma mistura do perfume de um com o chulé do outro, do sanduíche de mortadela com o desinfetante do banheiro - ou da falta de desinfetante no banheiro, o que também é comum. Isso pra não falar de outros cheiros mais escatológicos! E todo mundo - menos eu, claro - feliz da vida, ali naquela quentura malcheirosa.
Nesses tempos de pânico em relação à tal gripe suína, parece que o pavor da contaminação leva as pessoas a ficarem com mais medo ainda do ar condicionado, como se ele fosse o responsável pela transmissão do vírus. O que elas ignoram é que a falta de ar condicionado e, portanto, de renovação do ar interno do ônibus, é que pode favorecer a contaminação.
Li na revista Época (n° 583, de 20/07/2009) de algumas semanas atrás uma matéria ("Ar condicionado pode ser saudável?") que confirmou minhas impressões: o ar condicionado, quando adequadamente regulado e limpo, proporciona um ar mais saudável do que o de muitas áreas externas. Ele serve inclusive como fator de melhora para pessoas doentes, ao contrário do que o senso comum imagina.
Portanto, vamos garantir nossa saúde mantendo o ar condicionado em funcionamento em lugares hermeticamente fechados, como os ônibus. E, seguindo ainda um conselho de estilo da Glorinha Kalil, quem for friorento pode sempre sair com um casaquinho ou um xale, já que, contra o frio, é sempre possível dar um jeito. E de minha parte eu acrescentaria que xales e echarpes deixam sempre as pessoas mais bonitas!