sábado, 23 de janeiro de 2010

Escuitando!

Conheci uma senhora já falecida, camponesa, que muitas vezes ficava parada num canto, quietinha. Quando a gente perguntava: "O que a senhora tá fazendo aí tão quietinha, dona Iolanda?" ela respondia: "Tô escuitando!" E às vezes não tinha nada pra ela "escuitar" a não ser o silêncio. "Escuitar", pra ela, era ficar ali, quietinha, pensando na vida. Escutando a si mesma, quando tudo em volta dela estava quieto.
Lembrei disso outro dia, ainda no ano passado, quando li uma interessante matéria da Eliane Brum na revista Época, intitulada "Por que as pessoas falam tanto?", cujo link está aqui.
Já tinha lido outra matéria dela, de 2008 (o link está na própria reportagem que cito aqui), sobre a experiência de passar dez dias em silêncio, numa espécie de retiro. Acho que essa experiência marcou tanto a Eliane que ela passou a ver o mundo barulhento em que vivemos de outra forma.
Só pra ter uma idéia, cito um trechinho da matéria mais atual:

É um mundo de faladores compulsivos o nosso. Compulsivos e auto-referentes. Não conheço estatísticas sobre isso, mas eu chutaria, por baixo, que mais da metade das pessoas só falam sobre si mesmas. Seu mundo torna-se, portanto, muito restrito. E muito chato. Por mais fascinantes que possamos ser, não é o suficiente para preencher o assunto de uma vida inteira.

Não é muito interessante? Vale a pena dar uma passada lá pela página da revista e ler o texto completo. Essa leitura talvez interfira um pouco na maneira como usamos a fala e nos leve a praticar um pouco mais o que a dona Iolanda chamava de "escuitar".

domingo, 17 de janeiro de 2010

Bardot na Psiulândia!

Li esses dias uma matéria na internet sobre Brigitte Bardot. O artigo comentava uma entrevista dada por ela ao jornal italiano "La Repubblica" e publicada em 26/09/2009. Entre outras coisas interessantes, ela disse que preferia estar com os bichos, porque estava cansada da "humanidade ruidosa e intrometida".
Pois é, parece que temos mais uma moradora para a Psiulândia! Bem-vinda, Brigitte!
Mas só pra ser um pouco mais ranheta, aproveito para mais uma observação: acho curioso como uma atriz que foi tão importante e cobiçada quando era jovem seja agora vista como como uma velha rabugenta. Os jornais e revistas parece que têm um prazer secreto em publicar fotos em que as evidências da passagem do tempo estejam bem destacadas no rosto e no corpo de Brigitte. Além disso, toda a imprensa adora destacar as esquisitices dela, deixando de lado o que pode haver de louvável no que ela faz.
Cá pra nós, acho que esse pessoal só vem mesmo confirmar o que ela disse: a humanidade anda ruidosa e intrometida!