sábado, 7 de setembro de 2013

Carta para a terra pura

Querido Rodrigo, querido Senshô, hoje se completam os 49 dias desde que você se foi. Alguma razão devem ter os budistas (como você) para entender que esse é o prazo de que a gente precisa pra entender que as coisas nunca mais serão como foram.
A saudade da sua presença já achou seu lugar dentro da gente e já se instalou ali pra nunca mais sair.
Já não estranho mais quando me dou conta de que faz tempo que você não aparece na minha timeline do twitter ou do facebook. Continua sendo muito triste, mas ficou uma coisa normal também. Desgraçadamente normal.
Mas resolvi escrever essa carta pra você pra te contar o que andou acontecendo nesses 49 dias. Achei que você gostaria de saber.
Começo por te contar que no dia da cerimônia budista apareceu tanta gente de tantos lugares que ainda me espanta lembrar. Foi um ritual triste mas lindo, porque dava pra ver a força do afeto que reuniu todo mundo. Tinha até gente que não chegou a te conhecer pessoalmente, mas que estava ali, sentindo a sua falta.
Você não imagina como a sua morte aproximou um monte de gente que talvez não tivesse se conhecido em outra circunstância. É estranho, mas me parece coerente com o tipo de pessoa que você foi. Muita gente se conheceu e ficou amigo nesse dia.
Acho que isso aconteceu, também, porque desde que você se foi parece que ficamos todos muito à flor da pele por aqui. Toda hora alguém surge no twitter lembrando de você. Tem música que faz lembrar você. Tem frase que faz lembrar você. Tem notícia que faz lembrar você. E aí sempre a gente manda a tag #PraSempreSensho. Mas nem precisava, todo mundo do nosso circuito já reconhece na mesma hora a referência mesmo sem citar seu nome.
Outro dia usei a palavra 'adorável' pra definir uma cena que vi em Londres. O Esper matou a charada na mesma hora e reconheceu você ali.
A presidenta fugiu pra dar uma voltinha de moto por Brasília, dizem os jornais. E a gente só pensa que é uma pena não poder ler seus comentários sobre.
A saudade é tanta que volta e meia alguém recupera um tweet antigo seu. Ou uma postagem do seu blog. E é um certo alívio na saudade poder te sentir por perto assim.
Enfim, hoje, 49 dias depois daquele dia tão triste, podemos dizer que a vida segue. O twitter anda bem mais sem graça sem você, mas vamos tocando.
E veja só: o Esper já conseguiu até cozinhar feijão.
Saudade de você.


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