segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Muito aquém de um jardim

Quem acompanha este blog já deve ter lido alguns dos posts em que eu falei sobre um espaço urbano bastante conturbado, situado em cima do Viaduto Paraíso, nas encostas do vale que forma a Avenida 23 de maio.
Já foram 4 postagens aqui no blog (todas acessíveis através do marcador Viaduto Paraíso) que se seguiram à primeira, que fiz como convidada no blog da Carmem (De uns tempos pra cá).
Eu me lembro de que, na ocasião do último post (19 de junho de 2011), havia uma grande movimentação de funcionários da prefeitura, expulsando os moradores, derrubando as casinhas improvisadas e limpando o lixo acumulado. Não resisti e perguntei a um deles o que haveria ali. O funcionário me disse que seria uma praça.
Até fiquei mais feliz, afinal aquele espaço teria ainda uma finalidade pública.
Sou velhinha, então, na minha cabeça, praça tem aquela cara da música antiga: bancos, flores, jardins. Um lugar agradável para se sentar, encontrar pessoas, ler um livro, ver o movimento da cidade.
Hoje, mais de 3 meses depois, passei por lá. Aquele espaço, antes ocupado por casinhas improvisadas, agora é terra arrasada. Assim:


Dá pra ver que ainda tem uns restos do entulho, né?
O espaço recebeu umas grades improvisadas (como aquelas casinhas que lá estavam), feitas de pedaços de grades usadas, parecendo material de demolição. Nem uma pintura as pobres mereceram:


O pessoal que passa por ali, não podendo usar o espaço de outra maneira, já começou a usá-lo da forma que parece combinar mais com a "urbanização" escolhida pela prefeitura: lixo. Já tem garrafa pet vazia, pedaços de madeira, maços de cigarro etc. Olha só um detalhe:


Pois é, prefeito, eu acho tudo isso um desleixo, um desperdício de espaço público numa cidade tão carente deles. Se era pra deixar assim, uma terra arrasada cercada de grades improvisadas, era melhor ter deixado as famílias morando ali, né? Pelo menos aquele território tinha uma função social.
Agora, não serve pra nada. Quando muito, serve de depósito de lixo.
Obrigada, outra vez, senhor alcaide, por dar à cidade mais um espaço inútil. E feio.

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