domingo, 6 de dezembro de 2009

Calçada da lama - parte 2.

Não resisti a fazer um novo post sobre o caso da assim chamada "Calçada da fama", principalmente depois de ler uma matéria sobre calçadas em São Paulo na revista Época São Paulo de dezembro de 2009. O site da revista, que dá de 10 a 0 na Veja São Paulo, está aqui. Não encontrei a tal matéria disponível online, portanto vou tentar resumir: a idéia principal é a de que seria interessante que empresas "adotassem" trechos de calçadas em São Paulo, garantindo a sua manutenção. Alturas tantas, entretanto, a reportagem alerta para os perigos dessa possibilidade de solução para uma das grandes mazelas da cidade:

Mas depender de patrocinadores também pode abrir caminho para empreendimentos controversos, como o que foi suspenso pela Justiça no bairro de Santa Cecília, no fim de novembro.
Ali, a empresária da noite Lílian Gonçalves planeja transformar o passeio de um dos lados da rua Canuto do Val numa versão brasileira da calçada da fama de Hollywood - com estrelas para homenagear celebridades nacionais, a começar por Xuxa, Roberto Carlos e Pelé. As obras, iniciadas em outubro, avançaram sobre uma faixa da rua antes destinada à circulação de veículos, desapropriada para ampliar a calçada em dois metros. Apesar disso, o espaço reservado aos pedestres permanece inalterado. É que boa parte dos seis metros de pavimento é destinada às mesas e cadeiras dos cinco bares do local - que pertencem a Lílian Gonçalves.
Para não prejudicar a circulação na via, que faz parte da rota de ambulâncias da Santa Casa, as vagas de zona azul foram canceladas. Não por acaso, a associação criada para gerenciar a calçada da fama está construindo sua sede em um edifício ali em frente, com oito pisos de estacionamento que serão administrados por Lílian.

Dá pra acreditar na desfaçatez dessa gente? Gostei da reportagem, porque revela a extensão do alcance dos tentáculos da empresária. É preciso brigar mesmo, porque este é mais um caso explícito do Estado e de bens públicos servindo a interesses inequivocamente privados.

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