domingo, 2 de agosto de 2009

Mais um capítulo da vida de viajante!

Eu admito: nasci com o termostato estragado, e sinto mais calor do que a maioria das pessoas que eu conheço. Mas juro que não entendo a aversão que muita gente tem ao ar condicionado. Então hoje decidi falar sobre eles, pensando especialmente num lugar em que eles passaram a dominar: nos ônibus intermunicipais.
Sou de um tempo em que ainda se viajava de trem. Andei muito pela antiga Mogiana, entre Campinas, Amparo e Socorro. Por outras empresas ferroviárias, viajei entre Araçatuba e Lins e entre Campinas e Rio Claro. Era uma época interessante, até que os poucos trechos em que os trens ainda funcionavam começaram a ficar cada vez mais decadentes e eu aderi de vez aos ônibus, conformada.
Até bem pouco tempo, a gente ainda podia abrir o janelão e ir pegando o vento na cara, como era na época dos trens. De uns tempos pra cá, parece que todas as empresas - ou pelo menos as não muito capengas - aderiram ao ar condicionado e às janelas de vidro sem possibilidade de abertura.
No início, achei que seria ótimo, aquela janela enorme, pra poder ir vendo bem a paisagem enquanto a gente relaxava no fresquinho. E aí começaram os problemas.
O menos comum deles é quando o ar condicionado quebra. Por sorte isso tem acontecido pouco. Mais frequentemente acontece é de alguns passageiros pedirem para o motorista desligar o dito cujo. E muitas vezes ele atende a esse pedido.
Um amigo meu certa vez definiu bem o que acontece no interior desses ônibus lacrados e com o ar condicionado desligado: o interior deles fica com cheiro de jaula. É uma mistura do perfume de um com o chulé do outro, do sanduíche de mortadela com o desinfetante do banheiro - ou da falta de desinfetante no banheiro, o que também é comum. Isso pra não falar de outros cheiros mais escatológicos! E todo mundo - menos eu, claro - feliz da vida, ali naquela quentura malcheirosa.
Nesses tempos de pânico em relação à tal gripe suína, parece que o pavor da contaminação leva as pessoas a ficarem com mais medo ainda do ar condicionado, como se ele fosse o responsável pela transmissão do vírus. O que elas ignoram é que a falta de ar condicionado e, portanto, de renovação do ar interno do ônibus, é que pode favorecer a contaminação.
Li na revista Época (n° 583, de 20/07/2009) de algumas semanas atrás uma matéria ("Ar condicionado pode ser saudável?") que confirmou minhas impressões: o ar condicionado, quando adequadamente regulado e limpo, proporciona um ar mais saudável do que o de muitas áreas externas. Ele serve inclusive como fator de melhora para pessoas doentes, ao contrário do que o senso comum imagina.
Portanto, vamos garantir nossa saúde mantendo o ar condicionado em funcionamento em lugares hermeticamente fechados, como os ônibus. E, seguindo ainda um conselho de estilo da Glorinha Kalil, quem for friorento pode sempre sair com um casaquinho ou um xale, já que, contra o frio, é sempre possível dar um jeito. E de minha parte eu acrescentaria que xales e echarpes deixam sempre as pessoas mais bonitas!

2 comentários:

  1. Morrendo de rir da "Glorinha"! Quanto aos ônibus sem ar condicionado, AI QUE NOJO!!! E nos dias mais frios então, que o onibus fica quentinho por dentro e, com o ar gelado de fora, as janelas começam a escorrer??? AI QUE NOJOOOOOOOO!!

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  2. Termostato estragado????? Aff.....fique feliz por isso!!! Não sabe o que é sentir dor no abdomen de tanto se encolher de frio!!!Não sabe o que é perder os movimentos de tanta roupa!!!hahaha!! VIVA AS CALORENTAS!!!

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