domingo, 24 de maio de 2009

Toca Raul!

Tive uma experiência inesquecível nesta noite de 23 para 24 de maio aqui em São Paulo...
Todo sábado, perto daqui, tem uma casa noturna que toca pagode ao vivo. Já me acostumei ao ouvir tudo aquilo a noite inteira, numa toada que só termina pontualmente a uma da manhã (obrigada, Psiu!). Nada contra o pagode, só que eu não gosto. E é fogo ter de ouvir, todo sábado, um concerto de pagode compulsório!
Mas ontem, além disso, havia uma festa numa varanda improvisada que foi criada numa espécie de "cobertura" de um prédio aqui ao lado.
Quando cheguei, tinha o som do pagode entrando pelas janelas de um lado e o som da festa pelas janelas do fundo. Previ que a noite seria animada!
Fiquei fazendo hora pra só ir dormir depois que o pagode terminasse - um problema a menos! Mas aí, depois disso, as conversas, risadas, músicas e gritos da festa invadiram o apartamento.
Eu estava exausta, e apaguei mesmo assim. Às 4 e meia, depois de ter tido umas 2 ou 3horas de sono, acordei com o barulho alto da festa. A animação seguia. Tem uma foto que eu tirei da janela nesse horário:



Logo depois deste clique, um grupo daqueles marmanjos bêbados se lembrou da trilha sonora adequada à situação: Raul Seixas. Depois de terem cantado 3 vezes "Ouro de tolo" (com ênfase no trecho "com a boca escancarada cheia de dentes esperando a morte chegar"), começaram a chamar o falecido com gritos tão altos que, se ele estivesse vivo, certamente teria atendido. Eu tentava dormir e lá vinham os gritos de "Raul!" "Raul!"...
O que eu fiz para merecer isso???
Depois eles se lembraram de que havia outras músicas no repertório, e vieram com "Gita", "Metamorfose ambulante", "Al Capone", "Medo da chuva"... Faltou só mesmo o "Maluco beleza" que miraculosamente deve ter ficado esquecido em algum ponto obscuro daqueles neurônios anestesiados pela cerveja.
Às 6 da manhã, finalmente acharam que era hora de fechar a barraquinha e me deixar dormir... Hoje pela manhã, este era o cenário:



E ainda agora, quando escrevo, às 5 da tarde do sábado, aquele festival de latinhas vazias continua por lá. Certamente quem deveria limpar está dormindo, de ressaca. Devo gritar "Toca Raul" na janela?
Depois dessa experiência, só em ocorre perguntar a quem podemos recorrer? À polícia? Ela certamente diria que tem mais com o que se preocupar. O Psiu? Ele já disse que não atende ocorrências que não envolvam estabelecimentos comerciais. Talvez ao bispo de Pororoca da Serra...
Não é possível que todos nós estejamos à mercê de qualquer bando de foliões animados, sem ter a quem recorrer! Alguém me explica como é que pode?

3 comentários:

  1. É por isso que sempre tenho perto da cama um par de protetores auriculares de borracha, desses que a gente compra na farmácia. Não há a quem pedir proteção, então o jeito é eu mesma me proteger. A vontade pode ser de lançar mais latinhas de cerveja nessas pessoas ou mesmo raios ensurdecedores, talvez até letais, mas não sou a favor (sorte deles!) de combater essa violência com mais violência. A verdade é que estaremos cada vez mais à mercê desse tipo de gente enquanto reinar o egoísmo, a ignorância e a falta de respeito em relação ao outro.

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  2. Eu sei EXATAMENTE do que você está falando...

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  3. a situacao e tragica, tambem ja senti na pele, ou melhor, nos meus ouvidos... mas que eu me acabei de rir com desenrolar dos covers do Raul e dos "neuronios anestesiados"... ;-)))))))

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