domingo, 11 de janeiro de 2009

Música ambulante

Certa vez eu estava em Brasília, comendo uma pizza com amigos, quando começamos a ouvir um ruído que parecia o de trovões. Imediatamente, os alarmes dos carros estacionados em frente à pizzaria começaram a disparar, um a um. Foi uma orquestra de apitos com aquele som grave de fundo. Achamos que era o juízo final e que as nuvens estavam se abrindo para começar o julgamento!
Qual o quê! Era apenas um desses carros adaptados com altofalantes poderosos que estava passando por ali. Os sons graves eram tão fortes que produziram uma vibração no ar que os carros estacionados interpretaram como tentativa de arrombamento!!!
Calculem então o que aconteceu com os ouvidos de quem estava por perto!
Eu sei que andam acontecendo por aí alguns concursos de som automotivo (geralmente nos parques onde também acontecem rodeios... coincidência interessante...), onde aparecem coisas como essas:



Dá pra imaginar o volume disso?
Mas não é preciso chegar tão longe, é só dar um passeio pelas ruas de qualquer cidade brasileira num domingo à tarde pra encontrar rapazes com os carros estacionados na rua, portamalas aberto e o som no último volume.
E nas praias, então? Um verdadeiro caos!
Certa vez, estava passeando na Ilha de Itamaracá, sonhando com Lia e suas cirandas e uma praia tranquila pra poder descansar. No caminho, vimos uma placa: Praia do Sossego. O nome não poderia ser mais convidativo e rumamos para lá. Foram alguns quilômetros por estrada de terra para enfim chegar a uma praia quase deserta. Havia lá uma barraquinha. Sentamos, pedimos uma bebida e uns camarões e fomos ao banho de mar. Quando voltamos para a nossa mesa, um carro havia estacionado ao lado dela, com o portamalas aberto e a música tocando em volume alto. Tentamos argumentar com o dono do estabelecimento e com o motorista, mas ninguém pareceu dar atenção aos nossos pedidos e protestos. Comemos os camarões e fomos embora na mesma hora, suspendendo os planos de passar o dia ali.
O triste em tudo isso é pensar que a origem desse tipo de coisa está numa espécie de autocentramento doentio, que supõe que todos querem ouvir as mesmas coisas que alguém quer escutar. É a crença numa padronização do gosto que é absolutamente falsa! É de fazer a gente duvidar que a humanidade ainda tenha algum futuro...
Por isso, nada como este cartaz que encontrei na praia, em Pernambuco:

PS - Tô ficando maluca com a nova ortografia, especialmente com o uso do hífen! Se alguém encontrar algum erro aí, me avise!

Um comentário:

  1. Ana, que "mononstro" e esse da foto? Sera um tiranossauro rex dos Power Rangers ou um pre-projeto as avessas de um "transformers em acao III: the art of the war"?... sacanagem... se toda esta falta de respeito ao ser humano comecou na Belle Epoque nao sei, mas que o capitalismo exacerbado do nosso pais contribui ah, isso sim. Enquanto a midia finaciar a filosofia do "ter" e a competicao alienada destes coitados, a cortesia e o respeito ao proximo estara muito distante de nossa realidade e a "gentileza" fica nas cancoes de Marisa Monte.

    Delicia ler seus textos. Voce tem a combinacao perfeita de ironia-sarcasmo-humor que so uma Ana Maria Domingues de Oliveira pode fazer.

    Ate a proxima.;-)

    Cassia

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