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Cheiro de mexerica

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Dia desses comprei algumas mexericas. Estavam saborosas, suculentas, cheirosas. Enquanto comia uma delas, fiquei pensando bobagens: como era incrível poder ter ali na mão um gominho cheio de suco de tangerina, fresquinho, pronto pra ser consumido, sem grande dificuldade. Tá, eu sei que tem gente comprando mexerica já descascada, pra facilitar o serviço e evitar aquele cheiro característico que fica impregnado nas mãos quando as descascamos. Mas, para mim, o aroma do sumo nas mãos é parte da coleção de sensações que essa fruta me proporciona. O cheiro da casca, para mim, ativa sempre a lembrança do meu avô paterno. Explico. Esse meu avô, que tinha sido seleiro, era um homem calado, meio voltado pra dentro. Andava pela casa sempre cantarolando canções que ninguém conhecia. Aquele murmúrio de bocca chiusa era uma das marcas da sua presença. A outra era o cheiro do fumo de corda, que ele picava pacientemente nos dedos amarelados, antes de enrolar na palha o seu cigarrinho. Suas mãos sempre...

Obrigada, professor

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Acho que não existe um professor de Literatura que não tenha uma dívida de gratidão para com Antonio Candido (sim, sem acentos, como ele mesmo assinava). Hoje, sabendo da sua partida, quero contar como minha carreira acadêmica em alguns momentos cruzou com a dele. Antonio Candido não foi meu professor. Tive o prazer de assistir a algumas aulas avulsas e conferências suas, sempre muito instigantes. Por duas vezes, porém, ele esteve presente de modo decisivo na minha vida. Uma delas foi quando decidi estudar Letras. Na verdade, cheguei à Unicamp e ao Instituto de Estudos da Linguagem matriculada no curso de Linguística (a mão do trema chega a tremer). Ao longo do primeiro ano, entretanto, soube que Antonio Candido estava montando o curso de graduação em Letras, tendo como docentes muitos de seus ex-orientandos. Os matriculados naquele ano de 1978 puderam, ao final dos 2 primeiros semestres, optar entre Letras e Linguística. Escolhi a primeira e acabei integrando a turma pioneira naquele ...

Ela e eu (7)

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Mais uma vez, retomo a narrativa das minhas aventuras no universo de Maria Bethânia, para contar de um novo encontro meu com a diva. Foi assim: ainda no final do ano passado, Carmem e eu soubemos que haveria um show de Bethânia em Recife, em março de 2017. Show de Bethânia, viagem a Recife... pareceu uma excelente ideia! Assim que os ingressos começaram a ser vendidos, compramos os nosso, numa mesa bem posicionada no centro da imensa plateia do Classic Hall. Os meses foram passando e finalmente chegou o dia de ver e ouvir Bethânia de novo. Lá fomos nós! Em função da publicação das minhas fotos no cd, consegui com a produção da cantora pulseirinhas que, depois do show, dariam acesso ao camarim para mim e para Carmem. Ficamos animadas! Aproveitei a excelente localização da nossa mesa para fazer fotos com a minha câmera nova e testar os recursos dela. Acho que consegui bons resultados. Para quem quiser ver, tem uma amostra  aqui . O show foi maravilhoso, como de costume. Bethânia fez uma ...

Com três mulheres, na Índia

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Terminamos agora em fevereiro uma viagem de três semanas pela Índia e pelo Nepal. Foram dias muito intensos, com experiências que nunca vamos esquecer, tenho certeza. Eu tinha muita vontade de conhecer a Índia, um desejo alimentado, no fundo, por 3 mulheres que me marcaram de alguma maneira. A primeira delas, claro, é Cecília Meireles. Para quem não sabe, ela viveu muitos anos admirando a Índia e desejando conhecer o país. Chegou até mesmo a aprender um pouco de hindi, o idioma mais oficial do país. Era grande admiradora do poeta e mestre Rabindranath Tagore, tendo inclusive traduzido um de seus livros para o português. Admirava também Gandhi, de quem escreveu uma pequena biografia. Quando o Mahatma foi assassinado, compôs uma longa elegia, lamentando sua morte. Pouco depois, recebeu um convite para ir à Índia, participar de um congresso sobre Gandhi e receber o titulo de doutora honoris-causa pela Universidade de Nova Délhi. Viajou pelo país, escrevendo crônicas para os jornais carioc...

Ela e eu (6)

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Como eu havia previsto, aqui estamos nós, com um sexto capítulo da minha história com Maria Bethânia. Foi assim: em agosto de 2016, recebi um e-mail informando que Bia Lessa estava preparando um livro de fotos de Bethânia e que ela pretendia incluir fotos minhas na edição. O volume seria uma espécie de fotobiografia da cantora, com imagens de vários momentos de sua história. Fiquei, é claro, muito empolgada com a possibilidade de participar dessa homenagem! Mandei as fotos que me pediram, com as informações sobre as circunstâncias em que elas foram feitas. Depois assinei um termo de autorização para a publicação e pronto: só me restava esperar! Em dezembro, a primeira imagem do livro apareceu no facebook da autora, Bia Lessa, e acendeu a curiosidade de todos... Mas foi só em janeiro que as livrarias finalmente colocaram à venda essa preciosidade: (foto emprestada do facebook de Bia Lessa) São mais de 350 páginas, com textos de Darcy Ribeiro, Josevanda Mendonça Franco, Maria Lúcia Monte...

Ela e eu (5)

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2016 começou com o desfile da Mangueira homenageando Maria Bethânia. Carmem e eu decidimos aproveitar a chance e ir ao Rio assistir tudinho diretamente do Sambódromo! Foi lindo, e foi a nossa estreia no carnaval carioca! E pra melhorar, a Mangueira foi a escola campeã de 2016. Não tinha pra ninguém! Se alguém ainda não ouviu o delicioso samba-enredo, tem  aqui . Pouco depois, a gravadora de Bethânia, Biscoito Fino, começou a pedir aos fãs que enviassem fotos tiradas nos shows "Abraçar e agradecer" e nos demais eventos de homenagem à cantora, para que fossem incluídas no dvd que seria lançado. Mandei umas fotos e esqueci. Em setembro deste ano, fui contactada pela produção de Maria Bethânia, que queria autorização para usar fotos minhas no dvd. Quase morri de susto! Estava viajando, recebi as mensagens pelo WhatsApp, e tive de movimentar pessoas em São Paulo para conseguir os arquivos originais das fotos para mandar para a Biscoito Fino. Imaginei que minhas imagens fossem inte...

Ela e eu (4)

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Em 2015, Bethânia comemorou 50 anos de carreira e, em 2016, os 70 anos de vida. Foram dois anos de muitos eventos. Um deles foi a exposição de fotos "Maria de todos nós", que foi feita do Paço Imperial, de 3 de julho a 13 de setembro de 2015, organizada por Bia Lessa e Ana Basbaum. Recebi um aviso de que os fãs poderiam encaminhar arquivos de imagens para os organizadores, pois haveria uma sala só de fotos da cantora. Mandei algumas, de vários shows, nem lembro quantas foram, no total. Foram selecionadas quatro, uma do "Brasileirinho", outra de "Tempo, tempo, tempo, tempo", uma de "Amor, festa e devoção" e a última do "Abraçar e agradecer": Quando a exposição foi aberta, eu ainda não sabia quais fotos minhas teriam sido escolhidas. E eu estava viajando! As primeiras notícias chegaram por amigos que foram lá e viram meu nome e minhas fotos. Assim que cheguei de viagem, corri para o Rio de Janeiro e lá estavam elas, entre outras muitas fo...