Postagens

Mostrando postagens com o rótulo música compulsória

Efeitos colaterais

Imagem
Já faz algum tempo, publiquei um post ( Há bens que vêm para o mal? ) sobre o tema de como as calçadas novas da Avenida Paulista acabaram tendo um efeito colateral indesejado: skatistas, patinadores e ciclistas viram naquele piso lisinho o cenário perfeito para treinar manobras arriscadas em meio aos inúmeros pedestres que caminham sempre por ali. Uma situação perigosa que até agora não recebeu nenhuma atenção da prefeitura. Mas tem uma outra situação que, para mim, é bastante complicada e que, segundo meu ponto de vista, também nasceu de uma ideia boa. Aliás, de duas ideias boas. Explico melhor. Nos últimos anos, vêm prosperando as leis que proíbem fumar em lugares fechados. Nossos pulmões de não fumantes (ou de ex-fumantes, no meu caso) agradecem. Só que nada foi feito para resolver o que fazer com os fumantes, expulsos dos restaurantes e bares. Ficaram relegados às calçadas, às ruas, que se transformaram todas em fumódromos improvisados. Acontece que beber ou comer num espaço in...

Aboios de Djavan

Eu ainda estava na faculdade quando fui ver um show do Djavan pela primeira vez. Achei lindo. Muitos anos e doses de rabugice depois, peguei uma birra dele que só vendo. Tudo começou quando ele teve a péssima idéia de escrever uma canção chamada "Se", lançada no disco "Coisa de acender", de 1992. Pra quem não tá ligando o nome à letra, basta citar os versos finais: " Mais fácil aprender japonês em braille / do que você decidir se dá ou não". Na minha opinião, esses dois versos são de péssimo gosto, machistas pra valer. Estão entre as piores coisas da nossa MPB, que já conheceu momentos muito melhores, incluindo algumas canções do próprio Djavan. Mas o pior ainda estava por vir: no final da década de 90, Djavan lançou um par de cds ao vivo, retomando sua obra em versão voz e violão. Pronto, era o que faltava: os dois cds viraram sucesso instantâneo na categoria música ambiente. E pra piorar ainda mais as coisas, todo mundo que toca violão em barzinho parece...

Uma nativa da Psiulândia na terra do axé...

Imagem
Então, eu adoro a Bahia! Gosto daquela orla comprida de Salvador, com aquele mar lindo e morno ali prontinho para o nosso mergulho! Sou louca por acarajé, moqueca, vatapá, caruru e ando com a minha fitinha da festa de Iemanjá no pulso. Gosto tanto que fui passar as minhas férias de fevereiro por lá e não me arrependo nem um pouquinho. Isso entretanto, não me impede de exercer minha rabugice no território que é minha especialidade: o barulho. Tá difícil andar pela Bahia e não ter de aguentar um carro com o som altíssimo tocando muito alto um tipo de música que jamais na minha vida eu escolheria ouvir. E isso em todos os lugares... Felizmente, cada vez mais é possível encontrar avisos em bares de que é proibido ligar o som dos carros, mas ainda é muito maior o número de lugares em que esse tipo de falta de educação é aceito sem nenhuma restrição. Tive experiências muito interessantes nessas andanças mais atuais pela Bahia, conhecendo algumas praias novas. Uma delas foi a Pedra do Sal, já...

Barulho até debaixo d'água!

Meu amigo Sandro Fortunato, que tem dois sítios ótimos na internet (o blog Sempre algo a dizer e o site Memória viva ), sempre acompanha o Psiulândia e, um pouco antes do Carnaval, me mandou um e-mail com dados sobre um evento que aconteceria em Pirangi, no Rio Grande do Norte. Pirangi do Norte é uma praia potiguar, famosa pelo maior cajueiro do mundo. Faz parte do município de Parnamirim, a uns 30 quilômetros de Natal. Segundo meu amigo Sandro, trata-se um dos lugares mais barulhentos do Rio Grande do Norte, com carros, trios elétricos e casas despejando barulho na rua principal da cidade A praia também e famosa pelos parrachos, barreiras de coral muito visitadas por turistas, ainda sem muito controle ambiental, como o próprio IBAMA reconhece em algumas matérias que andaram saindo nos jornais da região e que podem ser encontradas na internet através do Google, digitando a expressão "carnaparracho". Esses parrachos ficam a dois quilômetros da beira-mar e foram escolhidos por...

Marina Lima, bem-vinda você também à Psiulândia!

Depois de duas semanas sem postar aqui, estou de volta, só pra comentar uma entrevista que a Marina concedeu para a revista da Joyce Pascowitch no final do ano passado. A entrevista ficou famosa porque ela confessou algumas intimidades que incomodaram outras pessoas, sobretudo Gal Costa. Mas logo abaixo das revelações bombásticas, um comentário passou despercebido e eu resolvi transcrevê-lo aqui: JP: Mudando de assunto, o que você ouve? ML: De tudo e muitas vezes, nada. Como eu tenho um ouvido doente, que ouve freqüências que ninguém ouve, valorizo demais o silêncio. Essa coisa de trilha sonora para tudo, eu não agüento. Às vezes prefiro os ruídos do mundo. Marina, essa coisa de ouvido doente, me desculpe, é de quem coloca alto-falantes gigantes no carro, grita pelas ruas, buzina pra qualquer um, obriga todo mundo a ouvir trilha sonora compulsória etc. O seu ouvido deve é ser saudável demais, querendo ser respeitado! Bem-vinda você também à Psiulândia! PS - Aviso para aqueles que segue...

Bem-vinda à Psiulândia, Adriana Calcanhoto!

Numa noite dessas, estive zapeando pela TV e me deparei com uma entrevista da Adriana Calcanhoto ao Alex Lerner, no episódio 31 do programa Por trás da fama , no Multishow. Lá pelo final da entrevista, o entrevistador pergunta: "Você já teve essa sensação de que tem muita música no mundo?" E a resposta dela é ótima: "Tenho, total, total! Música no elevador, música no café da manhã... Você vai num hotel, qualquer hotel do Brasil, você vai tomar café da manhã, tem música, às 8 horas da manhã, tem música animada! No avião tem música. Eu acho demais. Eu não entendo o motivo. Eu acho que é mais o medo do silêncio do que desejo real de ouvir música. Posso estar sendo ranzinza, provavelmente estou, mas não consigo pensar de outra maneira." Não é mesmo uma observação digna deste blog? E ela usa, inclusive, a palavra que é o nosso subtítulo: "ranzinza"! Adorei! Mas meu trecho favorito é um pouco antes disso, quando ela diz "Eu acho que é mais o medo do silênc...

Música compulsória

Há pessoas que nos marcam para sempre mesmo que a nossa relação jamais tenha sido minimamente consistente. Assim foi para mim o Marcelo, marido de uma amiga minha. Nós nos conhecemos muito rapidamente, há mais de 25 anos (ele até já morreu), mas uma de suas frases não me saiu nunca da cabeça. Marcelo odiava o que ele chamava de música compulsória. Elevadores, restaurantes, bares, consultórios. MPB, clássica, rock, pop, reggae, new age. Para ele era tudo igual: música que ele era obrigado a ouvir, sem direito de escolha. Eu tinha a metade da idade que tenho hoje, mas aquilo me marcou para sempre. E cada vez foi ficando mais claro pra mim como ele tinha razão. E cada vez que eu entro num lugar com música eu penso nele! Por que será que as pessoas sempre acham que é indispensável haver música em todos os ambientes? Eu, por mim, até nem acho tão ruim assim, se o gênero de música de agrada e se o volume é razoável e não impede o papo com os amigos. Mas ainda assim acho que poderia haver uma...