Casa 11: Rio de Janeiro
Na etapa carioca da pesquisa do meu mestrado, passei alguns meses morando no Rio de Janeiro, num pensionato, na rua Artur Bernardes, no Catete. Quando fui para lá, mal conhecia a cidade. Uma amiga da minha mãe indicou o pensionato e lá fui eu. Era um lugar feio, decadente. O proprietário era um senhor chamado Rocha, figura nada simpática. Eu ficava no quarto da frente, com outras 3 garotas. Minha cama era na parte de cima de um beliche. Embaixo da minha cama morava uma moça que saía para o trabalho muito cedo e usava um perfume forte e desagradável: era o meu despertador diário. As outras duas garotas eram mais simpáticas e ficamos amigas. Tenho contato ainda hoje com uma delas. Morar no Rio, para mim, era morar na cidade de Cecília Meireles. Eu andava por lá em busca do seu rastro. Conheci amigos dela, suas filhas e netos, a casa onde tinha vivido. Por causa de Cecília, eu deveria amar o Rio, mas eu não gostava de estar lá, sobretudo naquele lugar onde morava e naquele momento da min...