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Mostrando postagens com o rótulo histórias pessoais

Cecília e eu - parte 10 (final)

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E assim chegamos ao final do percurso. Não ao final da minha relação com Cecília, claro, pois essa vai até o fim da minha vida, imagino. Ao longo desses anos, desde aquele distante dia em que topei com os versos que mudaram a minha vida, Cecília tem sempre estado presente. Nesses mais de 35 anos, escrevi muito sobre a obra da minha autora preferida. Foram muitos artigos, comunicações em congressos, ensaios, palestras. Não saberia fazer a conta exata, porque às vezes uma palestra acaba virando artigo, uma comunicação num congresso vira ensaio numa coletânea... Mas acho que dá pra dizer que meus escritos sobre Cecília andam pela casa das dezenas. Imagino que nem tudo se salva, mas tenho orgulho de alguns deles, porque acho que terão de fato contribuído para a compreensão da obra de Cecília. Um dos meus maiores orgulhos é o de ter colaborado na edição da Poesia completa de Cecília Meireles que saiu no ano do centenário de nascimento da poetisa, 2001. É uma edição muito cuidada, em doi...

Cecília e eu - parte 9

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A história já se estendeu muito, mas eu prometo que está acabando... Mas antes do final , queria contar algumas histórias sobre um outro aspecto da minha relação com Cecília: as viagens. Para quem não sabe, a escritora era uma viajante das boas. Fez sua primeira viagem internacional em 1934, indo pra Portugal com o primeiro marido, que era o artista plástico português Fernando Correia Dias. Foram de navio, numa viagem que, entre ida, estadia e volta, levou 3 meses. Foi nessa ocasião que aconteceu também o célebre desencontro entre Cecília e Fernando Pessoa. Foi assim: marcaram um encontro no Café A Brasileira, no Chiado, e Pessoa não apareceu. Quando Cecília voltou ao hotel, encontrou um bilhete dele dizendo que o horóscopo dizia que não era um bom dia para se encontrarem. E assim ele perdeu a única chance de conhecer Cecília pessoalmente... Costumo dizer que, de tão arrependido, está até hoje lá, sentadinho, esperando que ela volte! Quando estive nesse café, fiz questão de tirar u...

Cecília e eu - parte 8

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Ainda durante o doutorado, prestei o concurso para trabalhar na Unesp, em Assis, e passei. Lá começava uma nova fase na minha vida. Logo nos primeiros anos, comecei a orientar trabalhos de Iniciação Científica. E quem adivinha o tema das pesquisas? Bom, na verdade eram temas variados, mas sempre havia alguns alunos pesquisando Cecília sob minha orientação. Uma das primeiras ideias que tive foi reativar o levantamento de textos sobre Cecília, como numa continuidade daquele trabalho do mestrado. Durante muitos anos, tive alunos coletando o que se escrevia sobre ela: Jane, Luciana, Jacicarla, Vinicius, Fabiano. Ao final das etapas das pesquisas, os documentos eram também enviados para Campinas. Os resultados foram gradualmente sendo colocados numa página na internet, muito simples, feita com a boa vontade dos alunos. Pode ser vista  aqui . Mais tarde, depois de ter obtido o doutorado, comecei a orientar também trabalhos de mestrado e doutorado, principalmente sobre Cecília. E ass...

Cecília e eu - parte 7

Já estou na sétima postagem e ainda nem contei como foi o final do meu mestrado. Pois bem,  depois de ter feito temporadas de pesquisa em São Paulo e Rio de Janeiro, já tinha comigo o material de que precisava para terminar a dissertação. E aí começou um longo período de crises na hora de escrever... Mas finalmente chegou o fim do prazo e a dissertação ficou pronta. Um dos membros da banca foi o mesmo Alexandre Eulalio, de quem já falei na parte 5. Ele já estava doente, naquela altura, e infelizmente morreu poucos meses depois. Em memória dele, a Unicamp criou o Centro de Documentação Alexandre Eulalio, inclusive para receber os documentos de seu espólio que foram doados pela família. Durante os anos finais do mestrado, eu já tinha me mudado para São Paulo e começado a dar aulas em faculdades particulares. Depois da defesa, continuava apaixonada por Cecília mas não tinha vontade de fazer doutorado, até que um dia achei que era hora de começar de novo. Consegui ser aprovada para...

Cecília e eu - parte 6

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Aqueles meses de pesquisa no Rio passaram muito depressa, mas foram muito marcantes para mim. Rastreei Cecília pela cidade. Visitei muitas vezes a casa do Cosme Velho. Comprei livros, ganhei outros. Mas quando falo em comprar livros, preciso falar de alguém que entrou na minha história com Cecília e a transformou completamente. Falo de um livreiro, Jaime Marcelino Gomes. Seu Jaime, conhecido de muita gente que passou pela USP, era um português que tinha uma banca de livros usados na FFLCH. Ele era craque em encontrar edições raras. Além da banca na USP ele tinha uma livraria em casa, um paraíso para quem, como eu, vivia fuçando livros usados nos sebos. Comprei muitos livros dele, que não tinha dúvidas em abrir seu caderninho e anotar a dívida que os clientes, como eu, iam pagando pouco a pouco, como desse. Vendia fiado sem medo. Conhecendo minha paixão por Cecília, Seu Jaime sempre procurava edições raras dela pra mim. Numa fase em que eu morava no interior, recebia dele cartinhas ...

Cecília e eu - parte 5

Vamos apressar um pouco o passo e resumir os 4 anos que passei no curso de Letras: foi um período interessantíssimo da minha vida, mas os poemas de Cecília Meireles apareceram pouco nas aulas de literatura... Ou, pelo menos, não apareceram com a frequência que eu gostaria de vê-los. Em todo o caso, morando em Campinas ficou mais fácil para ampliar minha coleção de livros. Aos poucos, fui comprando o que encontrava nas livrarias e sebos. Com a aproximação da formatura, comecei a planejar o ingresso na pós-graduação, para poder dedicar-me mais ainda ao estudo da minha escritora. E assim foi: em 1982 eu estava matriculada no mestrado com a firme determinação de estudar a obra de Cecília. Para definir melhor meu projeto de pesquisa, comecei a buscar mais bibliografia sobre a autora. Assim, cheguei ao Centro de Ciências, Letras e Artes de Campinas, onde encontrei um arquivo de recortes de jornal sobre Cecília. Um tesouro! Depois de fazer cópias de tudo, minha orientadora sugeriu que e...

Cecília e eu - parte 4

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Eu sei que talvez esteja me demorando demais na descrição de minhas andanças pela casado Cosme Velho com Maria Mathilde, mas queria mesmo contar com detalhes, pois foi uma experiência marcante na minha história com Cecília. Para não cansar quem até agora não desistiu de acompanhar a série de posts, vou tentar resumir um pouco... Digo apenas que percorri a casa toda com minha anfitriã. E pude conhecer até mesmo os azulejos onde Cecília um dia tirou essa foto: Mas o mais emocionante mesmo foi chegar ao segundo andar, onde se encontrava a biblioteca de Cecília, ver seus livros ali nas estantes e poder até mesmo tocar a mesa em que ela trabalhou durante tanto tempo: Ao que parecia, Maria Mathilde procurava manter o escritório bastante preservado, de modo que parecia que Cecília poderia voltar a qualquer momento e retomar seus escritos. Como disse, foi uma experiência marcante na minha vida. Saí de lá levando muitas edições de livros de Cecília, recebidas como presente de Mathi...

Cecília e eu - parte 3

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Eu tinha, na postagem anterior, contado como foi subir os degraus do jardim daquela casa mágica no Cosme Velho com palavras de Cecília ecoando na minha cabeça. Pois bem, assim que chegamos à varanda da casa, Maria Mathilde começou uma espécie de jogo comigo, que se tornou um hábito entre nós. De repente ela apontava para algum objeto e me perguntava se eu o reconhecia. Eram sempre aqueles que de alguma maneira tinham sido referenciados nos textos de Cecília. Ela me testava, eu sabia. Mas eu adorava , porque assim ia conhecendo ao vivo o universo em que viveu Cecília. Um dos primeiros objetos escolhidos para o teste foi um espelho oval, cujo desenho foi usado por Cecília num poema-errata, em que pedia desculpas por um deslize ortográfico. Depois, mostrou-me a estátua da primavera que aparece no poema "Leilão de jardim", do livro Ou isto ou aquilo : "Quem me compra este caracol? / Quem me compra um raio de sol? / Um lagarto entre o muro e a hera, / uma estátua da Primav...

Cecília e eu - parte 2

Pronto, vamos continuar mais um pouco a história... Estávamos em 1977, não é? Naquele ano, eu prestei vestibular para aquela que seria a primeira turma de Letras da Unicamp. Mas antes de sair o resultado, fui visitar minha prima que estava morando no Rio de Janeiro. Lá, eu tinha um plano secreto: tentar encontrar as filhas de Cecília. Eu tinha escrito para algumas editoras, tentando contato com a família e também com alguns estudiosos da obra de Cecília. Eu era atrevida e assim já tinha descoberto que a segunda filha da poetisa, Maria Mathilde, morava então no mesmo endereço do Cosme Velho onde a minha escritora querida tinha passado as últimas décadas de sua vida. Os mais novos não devem saber, mas os mais velhos certamente se lembrarão de que nessa época, eram raros os telefones - fixos, claro - que funcionavam, no Rio. Tentei ligar, mas não consegui. Assim - eu era atrevida, lembram? - peguei um ônibus e me abalei para o Cosme Velho, sem ter a menor ideia de onde ficava a Rua ...

Cecília e eu - parte 1

Decidi começar a contar aqui a longa história que me liga à obra de Cecília Meireles e - por que não? - até mesmo à pessoa da poetisa, embora eu nunca a tenha conhecido pessoalmente. Terei de escrever vários posts para isso, pois tudo começou há 37 anos. E não acabou ainda... Em 1976, eu era uma adolescente típica, cheia de crises, sem ainda ter sequer escolhido a carreira que gostaria de seguir, mesmo estando já no penúltimo ano daquilo que chamávamos de colegial. Gostava de música, gostava de literatura e foi assim que um dia, tendo ouvido falar que a letra de "Os inconfidentes", de Chico Buarque, fora tirada de um poema de Cecília Meireles, fui à biblioteca da escola para encontrar a  fonte. Conhecia Cecília dos poemas infantis, das crônicas que apareciam nos livros didáticos. Mas nem sequer sabia que ela tinha um livro chamado Romanceiro da Inconfidência . Por isso, pedi à bibliotecária a Obra poética de Cecília Meireles, pensando que não seria difícil encontrar a ori...

Minha cidade natal

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Quando eu era adolescente, fiz certa vez um poema-piada com a cidade onde nasci, chamada Socorro: "Só corro / da minha cidade natal". A piada serviu mais para provocar meu pai que, como eu, tinha nascido ali. Mas, ao contrário dele, eu praticamente não morei lá, já que meus pais se mudaram da cidade quando eu ainda era bebê. Quando meu pai se aposentou, minha mãe e ele foram moram lá, de novo. Minha mãe, hoje viúva, continua na mesma casa onde meu pai nasceu, uma daquelas casas antigas, com as janelas dos quartos praticamente na calçada. Quando vou visitar minha mãe, acho que fica mais claro porque criei esta Psiulândia: acho que não há lugar mais barulhento na face da terra do que Socorro. Mas devo confessar que Socorro se supera a cada visita. Para provar, conto algumas ocorrências deste último fim de semana. Cheguei lá na hora do almoço, no sábado. Logo no início da tarde, minha mãe e eu fomos surpreendidas com a passagem de um gigantesco trio elétrico na frente de ca...

Carta para a terra pura

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Querido Rodrigo, querido Senshô, hoje se completam os 49 dias desde que você se foi. Alguma razão devem ter os budistas (como você) para entender que esse é o prazo de que a gente precisa pra entender que as coisas nunca mais serão como foram. A saudade da sua presença já achou seu lugar dentro da gente e já se instalou ali pra nunca mais sair. Já não estranho mais quando me dou conta de que faz tempo que você não aparece na minha timeline do twitter ou do facebook. Continua sendo muito triste, mas ficou uma coisa normal também. Desgraçadamente normal. Mas resolvi escrever essa carta pra você pra te contar o que andou acontecendo nesses 49 dias. Achei que você gostaria de saber. Começo por te contar que no dia da cerimônia budista apareceu tanta gente de tantos lugares que ainda me espanta lembrar. Foi um ritual triste mas lindo, porque dava pra ver a força do afeto que reuniu todo mundo. Tinha até gente que não chegou a te conhecer pessoalmente, mas que estava ali, sentindo a sua ...

Tchau, Senshô!

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Eu sempre tenho dificuldade de entender um mundo que ande em linha reta. Deve ser por isso que procuro entender a vida avançando lentamente em espirais. E de vez em quando um círculo se fecha, como se fechou ontem. Foi assim, eu conto. Quando nos falamos pelo Twitter pela primeira vez, em julho de 2011, um oceano nos separava: ele no Brasil e eu na Hungria, em férias. Muita conversa virtual rolou em capítulos de 140 caracteres, com a constatação de muitas afinidades entre a gente. Depois, quando eu já estava de volta ao Brasil, marcamos um jantar, para nos conhecermos pessoalmente. Nunca me esquecerei da sua chegada: aquele homem enorme saltando diante de nós pra se apresentar, com seu sorriso lindo e seus óculos vermelhos. Nessa noite, na mesa no Pasquale, a conversa fluiu fácil entre nós seis. A gente já se conhecia e ao mesmo tempo estava se conhecendo naquela hora. Coisas da internet, que já trouxe tantas pessoas legais para a minha vida. Continuamos nossa convivência cotidi...

Virando

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Neste último final de semana aconteceu a Virada Cultural em São Paulo. Agora, já que tem muita gente falando bem e mal do que aconteceu lá, me achei no direito de dizer como foi a nossa experiência. Com fotos. Começamos pelo sábado à noite, na Paulista: Mais exatamente, na Casa das Rosas, onde Monica Salmaso cantava lindamente (embora com som num volume insuficiente para a quantidade de público), com André Mehmari ao piano: Dali, depois de uma passadinha no Astor pra comemorar o aniversário de uma amiga querida, fomos para o palco da Barão de Limeira, ver Rita Benneditto mandar muito bem e ajudar a matar a saudade que a gente estava de ouvi-la cantar: Depois de um show tão lindo, voltamos pra casa, pra repor as energias para o dia seguinte. Demos uma passadinha pela Avenida São Luiz, e aproveitamos para comer um arroz de pato na barraca dos Bertolazzi. Carmem adorou: Depois demos umas voltas ali pelo centro, aproveitando pra prestar atenção nas coisas lindas e hor...

Quadros numa galeria

Na semana que passou, causou revolta em muita gente a declaração do dono de uma marca famosa de que não queria ver pessoas gordas usando as roupas de sua grife, porque ele quer que suas lojas sejam frequentadas apenas por pessoas bonitas. Olha o que disse o cara (que por sinal é bem feio): "Em todas as escolas existem os adolescentes que são populares e descolados, e existem os que não são. Nós vamos atrás do primeiro grupo, que possuem atitude e muitos amigos. Muitas pessoas não pertencem a nossa marca e não podem pertencer. Nós somos excludentes? Totalmente". Na verdade, pra mim, esse tipo de postura não é novidade. Acho que desde que me tornei adulta, tenho consciência de ter um corpo que não é o padrão: gorda, alta e de pés grandes. Com esses três atributos, aprendi uma técnica que é a de passar pelas vitrines de lojas de roupas e calçados como quem passa diante de obras de arte em uma galeria: pode-se gostar ou não deles, mas com a certeza de que eles jamais serão se...

Foi a gota d'água.

Muita gente tem motivos para se envergonhar de coisas da juventude. Eu também tenho. Mas tem uma história de que eu me orgulho muito no meu passado. Foi assim. Era já o final de 1977 e eu tinha acabado de completar 18 anos. Meu pai não permitia que seus filhos viajassem sozinhos nunca. Só viajávamos em família. Eu, até então, nunca tinha posto meus pezinhos em São Paulo, já que sempre moramos no interior e a capital era um monstro para meu pai, que nunca quis nos levar até lá. Acontece que eu jogava basquete no time da escola, e naquele ano, que era o meu último do colegial (o que hoje chamam de ensino médio), conseguimos nos classificar nos Jogos Colegiais para disputar o título estadual em São Paulo. Meu pai foi logo dizendo que não me autorizava a ir, mas a técnica do time foi em casa pessoalmente fazer uma campanha para que ele autorizasse minha ida. Parêntese: não é que eu jogasse bem, é que o time estava muito desfalcado e não haveria ninguém - fora eu e uma colega que con...

Jaculândia

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A Silvia Oliveira (@matraqueando), do  Matraqueando  lançou o desafio no Twitter: quem nunca tirou uma foto daquelas de causar vergonha a posteriori? Ou, nas palavras dela: a famosa foto jacu . Daí, neste post  aqui , surgiu a proposta de blogagem coletiva sobre o tema. Animada, fui dar uma vasculhada nos arquivos de fotos de viagens passadas. E lá estavam elas, muitas, dezenas de fotos jacu. Talvez chegassem à casa das centenas, se eu tivesse me aplicado melhor na busca. Mas quer saber? Poder olhar o álbum e rolar de rir com as fotos ridículas é uma delícia... Então vamos lá, uma antologia dos meus melhores - piores - momentos de jacuzice. Amanhã, 15 de fevereiro, rola uma edição especial do Foto de viagem sobre o mesmo tema, no twitter (com as tags #FotodeViagem e #FotoJacu) e no Facebook (nesta página aqui ). Pretendo colocar mais fotos por lá. Apareça! Foto Jacu 1: Nunca, jamais, em tempo algum, apareça vestida de neoprene numa foto, como nesta, tirad...

Viajando pelo século XVIII

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Um grupo de 7 blogueiras decidiu essa semana fazer uma blogagem coletiva, com o tema "5 livros que marcaram nossa vida de leitoras". A Mari Campos, do blog  Pelo mundo  é uma dessas blogueiras. Lendo esse post dela, tive a ideia de escrever sobre uma relação entre literatura e viagem que pra mim sempre foi muito forte, mas sobre a qual ainda não falei. Como alguns já devem saber, sou apaixonada pela poesia de Cecília Meireles. Entre os livros que ela escreveu, está o famoso Romanceiro da Inconfidência , publicado em 1953. A ideia de escrever o livro, conta a própria Cecília, nasceu de uma viagem a Ouro Preto, no início dos anos 40, ocasião em que ela se sentiu transportada ao século XVIII. A partir daí, surgiu uma paixão que durante 10 anos a levou a pesquisar os acontecimentos da Inconfidência Mineira e escrever o livro. Minha primeira viagem às cidades históricas de Minas Gerais, portanto, nasceu já dessa relação entre Cecília e aqueles lugares. Sempre que lá estiv...

Vida que segue.

Hoje faz um ano que eu acredito ter experimentado o que seja a morte. Não tive coragem, antes, de escrever sobre isso. Hoje vou tentar. Tudo começou com a descoberta de que tinha pedras na vesícula e com o início das crises. Em meados de junho, já perto do final do semestre letivo, tive uma delas. Fui internada no hospital aqui da cidade pequena onde trabalho e onde vivia então. O médico que se responsabilizou pelo meu caso era das antigas, e entre os remédios que prescreveu, estava um antibiótico também das antigas: quemicetina. A indicação era a de que fosse por via oral. Fiquei uns dias no hospital, tomando os remédios, tomando soro, e esperando a crise passar. No dia 26 de junho, às 4 da manhã, entrou no quarto a enfermeira, muito jovem, com a costumeira medicação da madrugada. Tomei todos os comprimidos que ela me deu e em seguida ela disse que tinha de aplicar uma outra medicação na veia. A gente estranhou, mas ela garantiu que era a medicação normal que eu vinha tomando. No...

Toní

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Esta é uma postagem atípica, em que não vou reclamar de nada, mas sim expressar uma gratidão a alguém a quem jamais pude fazer saber o quanto lhe sou devedora. Em meados dos anos 80, eu passei por um período de crise. Muitas mudanças aconteceram, e eu estava bastante confusa sobre os rumos que daria à minha vida. Foi então que decidi procurar ajuda de uma psicóloga. Pergunta daqui, pergunta de lá, acabei chegando à Toní. Começava ali uma relação que se estenderia por longos 7 anos. No início, eu relutei muito, usando todo o meu arsenal de racionalidade e me armando contra qualquer tentativa de interpretação das minhas palavras, dos meus sonhos, das minhas atitudes. Houve um dia, entretanto, em que Toní finalmente me fez ver que a resistência também significava. A partir dali, tudo mudou. Uma das lembranças mais vívidas que tenho é a de Toní tentando me convencer a adotar a aquarela como uma forma de expressão menos controlada racionalmente. Segundo ela, como sempre trabalhei co...