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Casa 1: Socorro

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Eu nasci em Socorro, mas morei lá apenas nos primeiros meses de vida. Não tenho lembranças, portanto, de uma casa onde eu tenha vivido naquela cidade. Mas me lembro bem, ali, da casa da minha avó paterna, Maria, onde passávamos sempre o Natal e parte das férias. Lá moravam, além da minha avó, meu avô e minha tia. Era uma casa antiga, em que meu pai tinha nascido, com um longo quintal, cheio de árvores frutíferas, que ia terminar, depois de passar pelo galinheiro da minha avó, no Rio do Peixe. Havia uma parreira, algumas laranjeiras, limoeiros, pitangueira, jambeiro, jabuticabeira, figueira, abacateiro. Por causa deste, inclusive, nós, crianças, éramos proibidas de ir ao pomar durante a temporada de frutas maduras, para evitar que fôssemos alvejadas por uma fruta madura na cabeça. Havia também um pé de cana e uma máquina de moer cana, na qual meu avô fazia garapa para nós. Sob a parreira, ficavam os ganchos da rede em que de vez em quando a gente se balançava loucamente. Ainda no quinta...

Minha cidade natal

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Quando eu era adolescente, fiz certa vez um poema-piada com a cidade onde nasci, chamada Socorro: "Só corro / da minha cidade natal". A piada serviu mais para provocar meu pai que, como eu, tinha nascido ali. Mas, ao contrário dele, eu praticamente não morei lá, já que meus pais se mudaram da cidade quando eu ainda era bebê. Quando meu pai se aposentou, minha mãe e ele foram moram lá, de novo. Minha mãe, hoje viúva, continua na mesma casa onde meu pai nasceu, uma daquelas casas antigas, com as janelas dos quartos praticamente na calçada. Quando vou visitar minha mãe, acho que fica mais claro porque criei esta Psiulândia: acho que não há lugar mais barulhento na face da terra do que Socorro. Mas devo confessar que Socorro se supera a cada visita. Para provar, conto algumas ocorrências deste último fim de semana. Cheguei lá na hora do almoço, no sábado. Logo no início da tarde, minha mãe e eu fomos surpreendidas com a passagem de um gigantesco trio elétrico na frente de ca...