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Toc toc... Tem alguém aí?

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Eu ando sumida demais daqui, e não sei a razão. Algumas suspeitas: correria de fim de ano (que já começou em setembro); Muita encrenca pra resolver no "mundo real"; Viagens e mais viagens; Cenário político brasileiro; Cenário político global; Fratura da cabeça do úmero do braço esquerdo; Etc. Mas na real, acho mesmo é que ando cansada de tanta opinião. Dia desses passou pela minha timeline de alguma rede social um gif que resume muito da minha preguiça atual em emitir minha opinião, seja lá sobre o que for. Coloco aqui, então, como a melhor definição do que acontece quando penso em escrever um post novo. É só clicar na palavra  EU . Tomara que essa onda de desânimo passe logo. Até lá!    

Meninos, eu vi!

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Estou envelhecendo. Não, isso não é um problema para mim, mas a idade (e a memória ainda razoável) me colocam algumas vezes em situações engraçadas. A questão é que a grande maioria das pessoas com quem convivo nas redes sociais não viveram na mesma época que eu. Ou, então, parecem ter esquecido muito do que se passou nas últimas décadas. Toda essa introdução é para dizer que, nesses dias turbulentos que estamos vivendo no Brasil, ouço às vezes alguns comentários que me deixam perplexa. Tenho sempre a vontade de dizer, com Gonçalves Dias, "meninos, eu vi!" O mais comum é o daqueles que relativizam (ou pior, idealizam) a época da ditadura militar. Eu era ainda adolescente, mas me lembro bem do clima pesado, das prisões, dos "sumiços" de pessoas. E não, a vida não era mais fácil, ao contrário. Entrei para a universidade em 1978 e acompanhei a fase da anistia, da abertura, da reconstrução da UNE. Quando comecei a trabalhar na minha profissão, felizmente já vivíamos a f...

Das utilidades do aparentemente inútil

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Volta e meia aparecem pessoas perguntando, nas redes sociais, quem ainda usa o Swarm, como quem perguntasse quem ainda usaria o videocassete, nesses dias de  streaming e torrent . O Swarm, pra quem não conhece, substituiu, em determinadas funções, o FourSquare, que tinha virado modinha uns tempos antes. Em ambos os casos, trata-se de uma rede social que vai registrando os lugares onde vamos através de check in no aplicativo, mas parece que muita gente que usava o Foursquare não gostou da mudança para o Swarm. Eu usava o primeiro e continuei usando o segundo, e vou explicar minhas razões, pois acho que outras pessoas podem também achar as utilidades que descobri ali. Vou enumerar algumas. Em primeiro lugar, ele possibilita que a gente saiba na hora se tem algum conhecido seu nas imediações. Nesse aspecto, o aplicativo já nos proporcionou encontros inesperados e adoráveis. Foi assim, por exemplo, que eu pude dar um último abraço no meu amigo Senshô, quando descobrimos que estávamos amb...

Atacado ou varejo?

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Na madrugada de ontem, 12 de junho, 50 pessoas foram mortas por fuzilamento numa casa noturna em Orlando. Era uma boate gay, final da noite de temática latina, e quando todos tomavam a saideira, um homem entrou e começou a atirar. Só parou quando foi morto pela polícia, depois de matar 49 e ferir 53 dos presentes ali. Mais tarde, o pai do matador disse à polícia que tudo havia começado em abril, quando Omar Mateen teria ficado muito irritado ao ver dois homens se beijando num aeroporto. Embora o EI tenha aproveitado a chance para assumir a autoria do atentado, não há evidências até aqui de que o assassino tenha agido por qualquer outra razão além de sua própria homofobia. Em pleno domingo de dia dos namorados no Brasil, amanhecemos com essa notícia terrível. Muita gente se manifestou, com razão, lamentando o ocorrido. Revolta, tristeza, solidariedade foram os sentimentos mais constantes entre os meus amigos e conhecidos nas redes sociais (e eu me incluo). Mas eu gostaria de levar a dis...

Sobre limites e respeito

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Dia desses, conversando com uma amiga, falávamos de como é difícil reconhecer nossos próprios limites de aceitação da diferença. Ela, também homossexual e mais ou menos da minha idade, contava que teve algum contato com praticantes do poliamor e, diante deles, chegou à conclusão de que não era capaz de entender como era possível viver uma relação amorosa assim, com tantas pessoas ao mesmo tempo. Segundo ela, ao constatar esse seu bloqueio, lembrou-se de seu pai, que não era capaz de entender o amor entre pessoas do mesmo sexo, e se sentiu retrógrada como ele. Diante disso, eu (que, aliás, também tenho sentimentos semelhantes em relação ao poliamor) pensei que todos nós temos algum limite de compreensão da diferença, é praticamente inevitável. O que fazer então? Em primeiro lugar, acho que devemos assumir que temos, sim, um limite e que não necessariamente temos de lutar contra ele. O que não podemos, eu penso, é considerar tudo que está para além desse marco como ilegítimo, intolerável...

Pelo fim da cultura do estupro

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Eu não conheço nenhuma mulher que não tenha tido alguma experiência de abuso sexual. Eu mesma, que nunca correspondi aos padrões de beleza e daquilo que se considera feminilidade, já passei por alguns. Na época da hashtag #primeiroassedio, relatei que eu devia ter 5 anos de idade quando um homem adulto enfiou a mão na minha calcinha enquanto eu escolhia um doce pra comprar no armazém ao lado de casa. Eu acho que a gente acaba assimilando tanto essa rotina das investidas indesejadas dos homens que às vezes nem se dá conta do quanto elas são demonstrações de poder dos homens sobre os corpos das mulheres. A cultura do estupro está tão entranhada em nossa existência que nem nos damos conta dela. Para ilustrar, quero contar uma experiência que vivi quando morava em Campinas e estava fazendo faculdade, no final dos ano 70. Foi assim: eu ia visitar uma amiga, numa noite de chuva. Era cedo, acho que em torno das 8 da noite. Ela morava relativamente perto de casa, dava para ir a pé, mas havia u...

Ações práticas de feminismo

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Eu li um post do Buzzfeed que achei interessante:  10 coisas que os homens podem fazer para apoiar o feminismo . Recomendo a leitura pra todos, homens e mulheres. Pra mim, o texto me levou a pensar em algumas decisões que tomei já há algum tempo e que são parte da minha colaboração por um mundo mais justo para as mulheres. São as seguintes: Procuro sempre votar em mulheres. Claro que não deixo de lado o aspecto ideológico, mas, entre os candidatos que correspondem aos meus valores, escolho mulheres como destinatárias dos meus votos. Dou preferência para profissionais do sexo feminino, quando preciso de algum serviço. Quando preciso de médicos, por exemplo, primeiro busco por mulheres naquela especialidade. Ou dentistas. Ou fisioterapeutas. Ou qualquer outro serviço de que eu precise: primeiro mulheres. Remunero a minha faxineira com pagamento acima do valor que ela me pede. Enquanto trabalhava, sempre briguei por mais mulheres no ambiente de trabalho e tive mais orientandas...