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Da janela lateral

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emotional landscapes they puzzle me (Björk)   Desde que me entendo por gente, sempre gostei de viajar na janela dos veículos: trem, carro, barco, ônibus, avião, helicóptero. Adoro ver a paisagem passando diante dos meus olhos. Algumas vezes, ouvindo uma música nos fones de ouvido, tinha até mesmo a impressão de estar assistindo a um filme, com trilha sonora e tudo. Mesmo depois de tantos anos de estrada, não me canso de descobrir as paisagens desfilando pela janela. Tanto assim que, volta e meia, tiro uma foto dessas cenas que passam tão depressa. O mosaico de imagens que encabeça este post é uma pequena amostra desse meu vício. Por isso, gostei de ler o texto publicado ontem, 9/01/15, no caderno Aliás, do Estadão. Nele, Vitor Hugo Brandalise entrevista Mário Sérgio Cortella a propósito do significado das viagens nos dias de hoje. Pra quem quiser ler o texto, é só clicar  aqui  e torcer para o paywall do site permitir o acesso. Confesso que as palavras do entrevistado mostram uma c...

Menos barulho no ano novo

Estamos nos últimos dias de 2015, ano que trouxe tantas surpresas, ruins para uns, boas para outros. Para mim, ele teve momentos difíceis, mas pelo menos me trouxe algo que eu almejava há muito: a aposentadoria. Não posso, portanto, me queixar muito. Nesses dias finais de cada ano, além de fazer o balanço do passado, também costumamos fazer projeções para o futuro, seja na forma de desejos seja na de resoluções. Dentro desse espírito, Fernanda Young publicou, há poucos dias, um texto sobre o que não fazer em 2016, para que ele seja um ano melhor que 2015. Pra quem quiser conhecer na íntegra o que ela escreveu, é só clicar  aqui . Gostei de quase tudo na postagem, mas um trecho me tocou mais, por ter tudo a ver com as origens deste blog:   "Não fazer barulhos que atrapalhem a vida dos outros. Nosso mundo anda muito barulhento, cultive um pouco de silêncio."   Faço dessas palavras o meu voto para 2016: por um ano menos barulhento. Menos gritaria, menos música compulsória invad...

Minha busca do santo graal tecnológico

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Desde que comecei a usar celulares, fui sempre fiel a certas marcas, pelo amor ou pela aversão. Nos primórdios da telefonia celular, adorava os Nokia e detestava os Motorola, mesmo no tempo em que ter um Startac era o desejo de quase todo mundo. (Pra quem é novinho e não sabe o que é um Startac, sugiro uma visita ao  Museu da Ciência  - neste link tem uma foto do bichinho da era mesozóica dos celulares) Depois do meu último Nokia (saudades eternas, E71) j virei devota dos celulares com sistema Android da Samsung. Nunca almejei um iPhone, mesmo com toda a devoção dos applemaníacos. Agora, depois de uma carreira de Samsungs, me revoltei com a pouca duração do meu Galaxy S5 e me deixei levar pela sedução de um Moto-X Style. É realmente um aparelho muito bom, com uma câmera maravilhosa, telona, processador rápido, bateria razoável. Só não gostei mesmo da versão do carregador, que tem o cabo fixo na fonte, não sendo possível usá-lo como cabo de dados. Pensando nisso, e pensando também que, ...

Um copo espacial

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Aos pouco este blog, que nasceu para reclamações, está se tornando um espaço de recordações. Será o prenúncio de uma velhice menos rabugenta? Que seja, vamos a mais uma recordação! Em meados dos anos 70, eu estava cursando o que então se chamava colegial, correspondente ao ensino médio de hoje. Naquela época, estava muito na moda um programa de intercâmbio que trazia para o Brasil alunos americanos e levava alunos brasileiros para os Estados Unidos. Nunca entrei nessa briga para passar uma temporada fora, mas convivi por um ano com uma colega de classe americana, chamada Linda Gay. Já não me lembro em que série eu estava, mas suponho que tenha sido a segunda, o que nos leva ao ano de 1976.   (Linda me mandou essa foto muito depois de ter voltado para os Estados Unidos, em 1979)   Linda apareceu de repente em nossa sala de aula e fomos nos tornando amigas. Eu tinha estudado inglês desde criança e, por isso, falava com mais desenvoltura que meus colegas de classe. Como Linda ain...

Tédio produtivo

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Dia desses eu tive um compromisso na Casa Verde. Tomei o ônibus no Paraíso e me preparei para os longos minutos que passaria lá dentro. Ainda bem que não havia muitas pessoas, então pude escolher um lugar para sentar, bem na janelinha, como eu gosto. Mas logo o tédio bateu, e eu resolvi fazer uma brincadeira comigo mesma: em cada parada do ônibus (nos pontos normais ou nos congestionamentos), eu procuraria algo para enquadrar e fotografar. Achei a experiência divertida, então posto aqui a sequência comentada. As fotos seguem o itinerário do 175P e foram postadas em tempo real no meu Instagram. Convido mais gente a fazer o mesmo. Só tomem cuidado com os larápios de celular! Foto 1 - Avenida Paulista, em frente ao MASP:   Foto 2 - Em frente ao Center 3:   Foto 3 - Floricultura no início da Dr. Arnaldo:   Foto 4 - No portão do Cemitério do Araçá:   Foto 5 - Rua Cardoso de Almeida: Foto 6 - Em algum lugar entre a Rua Cardoso de Almeida e a Avenida Pacaembu:   Foto 7...

Elas e eu

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Sei que pode parecer que eu havia abandonado o blog, mas não é verdade. Foram umas férias longas, durante as quais aconteceu o rompimento de uma relação que eu mantive por quase quarenta anos. Vou contar. Tudo começou em 1977, quando eu decidi que iria prestar o vestibular para estudar na Unicamp. Ingressei no ano seguinte, no curso de Linguística. No final do primeiro ano, foi criado o curso de graduação em Letras. Aos alunos que haviam ingressado naquele momento, era possível escolher entre manter-se em Linguística ou mudar para Letras, que foi o que eu fiz. Assim, integrei a primeira turma de Letras da Unicamp, que se formou em 1981. Ainda antes de terminar a graduação, prestei a seleção do mestrado em Teoria Literária e passei. Foram mais seis anos de vínculo com a Unicamp. Bons tempos aqueles em que a gente podia passar tanto tempo para cursar as disciplinas e redigir a dissertação! Defendi o mestrado em fevereiro de 1988. Começou então um período de mais ou menos um ano e meio lo...

Bibi e eu

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Acho que já contei em algum post que me orgulho de uma escolha que fiz aos 18 anos. Foi assim. Quando fui para São Paulo pela primeira vez (eu sempre vivi no interior), em 1977, com o time de basquete da minha escola, nossa técnica perguntou que passeio gostaríamos de fazer na cidade. Eu imediatamente disse que queria assistir à montagem de "Gota d'água", com Bibi Ferreira, que estava acontecendo no Teatro São Pedro Aquarius. Assim, numa das noites livres que tínhamos durante o campeonato, lá fomos nós ver a peça: a técnica, duas amigas do time e eu. Foi assim que pela primeira vez vi Bibi no palco, no papel de Joana: Eu nunca me esqueci daquelas cenas. Já tinha lido o livro e depois, no teatro, comprei uma fita cassete (sim, sou velha) com as canções da peça. Gastei a fita de tanto ouvir. Ainda hoje sei de cor certos trechos e, se quiser, sou capaz de fechar os olhos e ainda ouvir Bibi cantando "Basta um dia" naquele palco. Mais tarde, em meados dos anos 80, f...