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Casa 5: Bauru

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Em meados dos anos 60, nós nos mudamos para Bauru. A casa de lá era velha, mas melhor que a de São Manuel. Tinha uma varandinha na frente, onde meu pai ficava à noite observando o céu. De vez em quando via algum ponto móvel e nos chamava para ver: "olha um satélite!" (Meu irmão em frente à mureta da varanda onde meu pai ficava olhando as estrelas)   Muitas coisas mudaram quando fomos para lá. Ali meu pai aprendeu a dirigir e comprou seu primeiro carro, um DKW Pracinha, que era uma perua modelo popular, com financiamento especial. A partir daí, começamos a viajar de carro e não mais de ônibus e trem, como antes.   (Meus irmãos e eu ao lado da DKW parada em frente de casa)   Em Bauru ganhei minha primeira bicicleta, uma Monareta desmontável com freio no contrapedal, mas eu só podia andar nela quando íamos ao clube, o Luso-Brasileiro. Antes da bicicleta, tive um patinete, que gastei na calçada da nossa casa. Naquela altura, eu comecei a ir à escola. Entrei no pré-primário - ...

Casa 4: São Manuel

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Logo que meu pai entrou no D.E.R., fomos morar em São Manuel, eu tinha menos de 5 anos. Ficamos lá pouco tempo, menos de 2 anos, portanto minhas lembranças daquela casa são ainda um pouco difusas. Era uma casa muito grande e velha, que ficava no final da cidade, numa rua de terra. Depois dela, já começavam os sítios, e era num deles que eu ia buscar leite todo dia com a leiteira de alumínio balançando na mão, às vezes acompanhada de Antônia, uma menina um pouco mais velha que era nossa vizinha. Embaixo da casa tinha um porão que ficava abandonado, sem acabamento, sem luz. Para mim, era um lugar cheio de assombrações e eu tinha medo de entrar ali. O quintal era quase todo de terra, com mato crescendo pra todo lado. Numa das paredes dos fundos, tinha uma casa de abelhas. Em dias de muita chuva, elas caíam mortas e era um perigo andar descalça pelo quintal. Quantas ferroadas de abelha morta... Foi naquela casa que aprendi a ler, antes dos 5 anos. Foi assim: minha tia, que era professora, ...

Casa 3: Amparo (casa da avó)

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Morei pouco tempo em Amparo, por isso tenho poucas lembranças da casa onde vivemos. Minhas maiores e melhores lembranças de lá são da casa da minha avó, onde se reuniam os tios e primos nos fins de semana das férias, quando voltávamos para lá. Em geral eu ficava hospedada na casa da minha tia, onde havia primas mais ou menos da minha idade, mas a farra mesmo acontecia na casa da avó. Ela administrava a casa e a venda a partir dessa escrivaninha em que ela aparece na foto. Era ali também que mantinha seus diários (que um dia seriam meus e sobre os quais já escrevi aqui ). O armazém ficava na frente e a casa nos fundos. Eram dois espaços diferentes e igualmente sedutores para mim. Na venda, eu aprendi com ela a receber os pagamentos no caixa e fazer o troco corretamente. Aprendi a calcular o peso dos produtos vendidos a granel antes mesmo de colocá-los na balança. Aprendi a cortar frios e a improvisar embalagens para produtos usando velhas revistas Cruzeiro e Manchete, colando os sacos c...

Casa 2: Amparo (minha casa)

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Nós nos mudamos de Amparo quando eu tinha pouco mais de 4 anos, mas mesmo assim eu tenho algumas lembranças tênues daquela época. A casa onde morávamos era próxima à da minha avó, no bairro do Ribeirão. É em frente a ela que estou com meu pai, na foto que abriu esta série. Algumas poucas memórias: brincar na praça com a minha pajem (era assim que se chamavam então as babás) Vera e meu amigo Tete, que morreria afogado pouco depois no ribeirão que dava nome ao bairro. Lembro-me também de ver meu pai ouvindo os jogos da Copa de 62 no rádio. Mas o mais incrível de tudo é que me lembro de uma coisa que certamente não aconteceu... Foi assim: estavam em casa muitos tios e tias, conversando na sala. Eu estava usando meu vestido vermelho de bolinhas brancas. Eu sempre me sentia uma boa menina quando usava esse vestido... Não sei como decidi ir sozinha ao banheiro, sem pedir a ajuda de minha mãe. Como era muito pequena, fiquei presa no vaso, sem alcançar os pés no chão para poder sair. Na minha ...

Casa 1: Socorro

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Eu nasci em Socorro, mas morei lá apenas nos primeiros meses de vida. Não tenho lembranças, portanto, de uma casa onde eu tenha vivido naquela cidade. Mas me lembro bem, ali, da casa da minha avó paterna, Maria, onde passávamos sempre o Natal e parte das férias. Lá moravam, além da minha avó, meu avô e minha tia. Era uma casa antiga, em que meu pai tinha nascido, com um longo quintal, cheio de árvores frutíferas, que ia terminar, depois de passar pelo galinheiro da minha avó, no Rio do Peixe. Havia uma parreira, algumas laranjeiras, limoeiros, pitangueira, jambeiro, jabuticabeira, figueira, abacateiro. Por causa deste, inclusive, nós, crianças, éramos proibidas de ir ao pomar durante a temporada de frutas maduras, para evitar que fôssemos alvejadas por uma fruta madura na cabeça. Havia também um pé de cana e uma máquina de moer cana, na qual meu avô fazia garapa para nós. Sob a parreira, ficavam os ganchos da rede em que de vez em quando a gente se balançava loucamente. Ainda no quinta...

Casas

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Meu pai trabalhava no DER, Departamento de Estradas de Rodagem. Quando ele começou a trabalhar lá, eu era ainda muito pequena, pouco mais que um bebê. Por causa do trabalho dele, nossa família foi sempre meio nômade: a cada mudança de cargo, lá íamos nós para outra cidade. Nunca ficamos muito tempo em cada uma delas. Para mim, era sempre um trauma, pois quando eu já ia começando a me enturmar com os amigos e colegas da escola e a ficar conhecida pelos professores, já era hora de irmos embora para um lugar desconhecido e começar tudo de novo. Minha vida, assim, foi sempre cheia de casas diferentes de tempos em tempos. Nunca me senti pertencendo a um lugar. Às vezes é ruim, mas às vezes também é muito bom. Eu me lembro de que, quando decidi vir morar em Santos, muita gente me perguntou se eu tinha parentes que morassem aqui ou alguma outra espécie de vínculo com a cidade. Minha resposta padrão é sempre: "E precisa?" Eu estou acostumada a começar tudo de novo em outra cidade em ...

Como ouvir música em silêncio

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(Pela segunda vez temos um guest post da Marcie do Abrindo o bico  aqui na Psiulândia. Obrigada, Marcie, a gente adora! Volte sempre!) Qui nem qui a dona do blog que mais uma vez gentilmente me hospeda, eu também não gosto de barulho. De qualquer intensidade que seja: barulho, barulhinho ou barulhão. Sou rabugenta e reclamo muito (deu pra entender porque somos amigas? ;-). E é em nome dessa afinidade que volto a escrever aqui. Pra contar uma coisa que talvez não seja tão novidade assim, mas que muita gente ainda desconhece. Eu, por exemplo, só ouvi falar há pouco mais de um mês. E isso por causa do evento Midsummer Night Swing do Lincoln Center. Como a cidade tem regras muito rigorosas para garantir o sossego público, muitos dos eventos musicais de verão (que acontecem ao ar livre) têm que terminar às 10 da noite. O que fez o Lincoln Center? A mesma coisa que várias outros eventos estão praticando já há algum tempo: o silent dance ou silent disco ou silent party, dependendo de qual se...