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Toní

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Esta é uma postagem atípica, em que não vou reclamar de nada, mas sim expressar uma gratidão a alguém a quem jamais pude fazer saber o quanto lhe sou devedora. Em meados dos anos 80, eu passei por um período de crise. Muitas mudanças aconteceram, e eu estava bastante confusa sobre os rumos que daria à minha vida. Foi então que decidi procurar ajuda de uma psicóloga. Pergunta daqui, pergunta de lá, acabei chegando à Toní. Começava ali uma relação que se estenderia por longos 7 anos. No início, eu relutei muito, usando todo o meu arsenal de racionalidade e me armando contra qualquer tentativa de interpretação das minhas palavras, dos meus sonhos, das minhas atitudes. Houve um dia, entretanto, em que Toní finalmente me fez ver que a resistência também significava. A partir dali, tudo mudou. Uma das lembranças mais vívidas que tenho é a de Toní tentando me convencer a adotar a aquarela como uma forma de expressão menos controlada racionalmente. Segundo ela, como sempre trabalhei com as pal...

Toní

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Esta é uma postagem atípica, em que não vou reclamar de nada, mas sim expressar uma gratidão a alguém a quem jamais pude fazer saber o quanto lhe sou devedora. Em meados dos anos 80, eu passei por um período de crise. Muitas mudanças aconteceram, e eu estava bastante confusa sobre os rumos que daria à minha vida. Foi então que decidi procurar ajuda de uma psicóloga. Pergunta daqui, pergunta de lá, acabei chegando à Toní. Começava ali uma relação que se estenderia por longos 7 anos. No início, eu relutei muito, usando todo o meu arsenal de racionalidade e me armando contra qualquer tentativa de interpretação das minhas palavras, dos meus sonhos, das minhas atitudes. Houve um dia, entretanto, em que Toní finalmente me fez ver que a resistência também significava. A partir dali, tudo mudou. Uma das lembranças mais vívidas que tenho é a de Toní tentando me convencer a adotar a aquarela como uma forma de expressão menos controlada racionalmente. Segundo ela, como sempre trabalhei co...

Silêncio made in Japan

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Este é o primeiro guest post da Psiulândia, e foi escrito por minha amiga Marcie (@Marcie14), autora do ótimo Abrindo o bico . Ela esteve recentemente em Tóquio e de lá mandou uma série de tweets com a hashtag #tokyorules. Como em muitos deles ela comentava a diferença entre os ruídos urbanos de Tóquio e os de Nova Iorque ou São Paulo, achei que seria o caso de pedir a ela um depoimento mais extenso sobre essas impressões. Para minha surpresa, ela não só aceitou como hoje mesmo, bem cedinho, me mandou o texto que segue. Obrigada, Marcie, rabugenta honorária da Psiulândia! Fico honrada com a sua participação por aqui. Sinta-se à vontade para outras participações!   Imagine uma metrópole onde o Psiulândia não precisaria distribuir tantos psius. Uma cidade onde, na verdade, a Ana teria que inventar outro assunto para blogar. Por tudo que vi (embora infelizmente tenha visto pouco) Tóquio se encaixa perfeitamente nessa categoria.  No começo, eu não estava entendendo do que sentia falta. Até...

Silêncio made in Japan

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Este é o primeiro guest post da Psiulândia, e foi escrito por minha amiga Marcie (@Marcie14), autora do ótimo Abrindo o bico . Ela esteve recentemente em Tóquio e de lá mandou uma série de tweets com a hashtag #tokyorules. Como em muitos deles ela comentava a diferença entre os ruídos urbanos de Tóquio e os de Nova Iorque ou São Paulo, achei que seria o caso de pedir a ela um depoimento mais extenso sobre essas impressões. Para minha surpresa, ela não só aceitou como hoje mesmo, bem cedinho, me mandou o texto que segue. Obrigada, Marcie, rabugenta honorária da Psiulândia! Fico honrada com a sua participação por aqui. Sinta-se à vontade para outras participações! Imagine uma metrópole onde o Psiulândia não precisaria distribuir tantos psius. Uma cidade onde, na verdade, a Ana teria que inventar outro assunto para blogar. Por tudo que vi (embora infelizmente tenha visto pouco) Tóquio se encaixa perfeitamente nessa categoria.  No começo, eu não estava entendendo do que sentia ...

Umas com tanto, outras com nada

Introdução: Semanas atrás, numa tweeting conversation entre a Cláudia (link abaixo), Natalie (link abaixo), Carina (link abaixo), Patricia (link abaixo), Carmem (link abaixo) e Marcie (link abaixo), surgiu a ideia de listar os lugares que cada uma considerava "viu-tá-visto". Aí a conversa evoluiu e decidiram fazer também uma segunda lista - com cidades ou países para onde voltariam sempre. Como a idéia parecia boa, uma comentou aqui, outra comentou ali… no fim, a notícia se espalhou e conquistou dezenas de adeptos. Diante disso, decidiu-se fazer uma blogagem coletiva. Segue o meu texto. Uma das situações mais complicadas para mim é quando alguém me pergunta de onde eu sou. Geralmente respondo com outra pergunta, ou uma série de perguntas. Onde nasci, nunca morei. Onde moro, não me sinto enraizada. Minha vida, da mais tenra infância até completar umas três décadas de existência, sempre foi povoada de malas, caixas e caminhões de mudança. Acho que esse início nômade de vida me ...

Umas com tanto, outras com nada

Introdução: Semanas atrás, numa tweeting conversation entre a Cláudia (link abaixo), Natalie (link abaixo), Carina (link abaixo), Patricia (link abaixo), Carmem (link abaixo) e Marcie (link abaixo), surgiu a ideia de listar os lugares que cada uma considerava "viu-tá-visto". Aí a conversa evoluiu e decidiram fazer também uma segunda lista - com cidades ou países para onde voltariam sempre. Como a idéia parecia boa, uma comentou aqui, outra comentou ali… no fim, a notícia se espalhou e conquistou dezenas de adeptos. Diante disso, decidiu-se fazer uma blogagem coletiva. Segue o meu texto. Uma das situações mais complicadas para mim é quando alguém me pergunta de onde eu sou. Geralmente respondo com outra pergunta, ou uma série de perguntas. Onde nasci, nunca morei. Onde moro, não me sinto enraizada. Minha vida, da mais tenra infância até completar umas três décadas de existência, sempre foi povoada de malas, caixas e caminhões de mudança. Acho que esse início nômade de vida me ...

Minha avó era blogueira?

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Hoje o post não é pra reclamar de nada... Será que estou doente? Mas falando sério, quero contar hoje a história da minha avó materna, que, durante muitos anos manteve um diário. Embora não tivesse nem concluído o terceiro ano primário, minha avó manteve-se fiel à narração do seu cotidiano. O diário dela não era muito secreto, porque não dava pra imaginar que uma mãe de 9 filhos tivesse assim tanta privacidade para escrever. E quando chegaram os netos, então (entre eles esta xereta que vos escreve), já ficou sabido por muita gente que, lá no meio da bagunça que havia embaixo da escrivaninha dela, havia 3 cadernos com as reflexões da vó. No dia em que ela morreu (eu estava na faculdade), antes de ir ao velório, eu passei pela casa dela. Fui à escrivaninha, encontrei os cadernos e os escondi na minha mala. Fiquei com medo que algum apressado considerasse aquilo como papel velho e jogasse tudo fora! Deixei um recado, na hora de ir embora, dizendo que os cadernos estavam comigo, que me aut...