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Escuitando!

Conheci uma senhora já falecida, camponesa, que muitas vezes ficava parada num canto, quietinha. Quando a gente perguntava: "O que a senhora tá fazendo aí tão quietinha, dona Iolanda?" ela respondia: "Tô escuitando!" E às vezes não tinha nada pra ela "escuitar" a não ser o silêncio. "Escuitar", pra ela, era ficar ali, quietinha, pensando na vida. Escutando a si mesma, quando tudo em volta dela estava quieto. Lembrei disso outro dia, ainda no ano passado, quando li uma interessante matéria da Eliane Brum na revista Época , intitulada "Por que as pessoas falam tanto?", cujo link está aqui . Já tinha lido outra matéria dela, de 2008 (o link está na própria reportagem que cito aqui), sobre a experiência de passar dez dias em silêncio, numa espécie de retiro. Acho que essa experiência marcou tanto a Eliane que ela passou a ver o mundo barulhento em que vivemos de outra forma. Só pra ter uma idéia, cito um trechinho da matéria mais atual:   É...

Escuitando!

Conheci uma senhora já falecida, camponesa, que muitas vezes ficava parada num canto, quietinha. Quando a gente perguntava: "O que a senhora tá fazendo aí tão quietinha, dona Iolanda?" ela respondia: "Tô escuitando!" E às vezes não tinha nada pra ela "escuitar" a não ser o silêncio. "Escuitar", pra ela, era ficar ali, quietinha, pensando na vida. Escutando a si mesma, quando tudo em volta dela estava quieto. Lembrei disso outro dia, ainda no ano passado, quando li uma interessante matéria da Eliane Brum na revista Época , intitulada "Por que as pessoas falam tanto?", cujo link está aqui . Já tinha lido outra matéria dela, de 2008 (o link está na própria reportagem que cito aqui), sobre a experiência de passar dez dias em silêncio, numa espécie de retiro. Acho que essa experiência marcou tanto a Eliane que ela passou a ver o mundo barulhento em que vivemos de outra forma. Só pra ter uma idéia, cito um trechinho da matéria mais atual: É u...

Bardot na Psiulândia!

Li esses dias uma matéria na internet sobre Brigitte Bardot. O artigo comentava uma entrevista dada por ela ao jornal italiano "La Repubblica" e publicada em 26/09/2009. Entre outras coisas interessantes, ela disse que preferia estar com os bichos, porque estava cansada da "humanidade ruidosa e intrometida". Pois é, parece que temos mais uma moradora para a Psiulândia! Bem-vinda, Brigitte! Mas só pra ser um pouco mais ranheta, aproveito para mais uma observação: acho curioso como uma atriz que foi tão importante e cobiçada quando era jovem seja agora vista como como uma velha rabugenta. Os jornais e revistas parece que têm um prazer secreto em publicar fotos em que as evidências da passagem do tempo estejam bem destacadas no rosto e no corpo de Brigitte. Além disso, toda a imprensa adora destacar as esquisitices dela, deixando de lado o que pode haver de louvável no que ela faz. Cá pra nós, acho que esse pessoal só vem mesmo confirmar o que ela disse: a humanidade a...

Bardot na Psiulândia!

Li esses dias uma matéria na internet sobre Brigitte Bardot. O artigo comentava uma entrevista dada por ela ao jornal italiano "La Repubblica" e publicada em 26/09/2009. Entre outras coisas interessantes, ela disse que preferia estar com os bichos, porque estava cansada da "humanidade ruidosa e intrometida". Pois é, parece que temos mais uma moradora para a Psiulândia! Bem-vinda, Brigitte! Mas só pra ser um pouco mais ranheta, aproveito para mais uma observação: acho curioso como uma atriz que foi tão importante e cobiçada quando era jovem seja agora vista como como uma velha rabugenta. Os jornais e revistas parece que têm um prazer secreto em publicar fotos em que as evidências da passagem do tempo estejam bem destacadas no rosto e no corpo de Brigitte. Além disso, toda a imprensa adora destacar as esquisitices dela, deixando de lado o que pode haver de louvável no que ela faz. Cá pra nós, acho que esse pessoal só vem mesmo confirmar o que ela disse: a humanidade a...

Sobre ruínas e grafites.

Outro dia foi aniversário do blog da Carmem, o De uns tempos pra cá . Em comemoração, ela pediu textos para os amigos e eu escrevi um dos posts comemorativos. No post, eu falava sobre a destruição de uma vilazinha de casas que ficavam penduradas nas encostas da avenida 23 de maio, no viaduto Paraíso. Pra quem quiser ler na íntegra, é só clicar aqui . E então, pesquisando um pouco na internet (viva o Google), achei um outro blog que falava sobre o mesmo local: era o Espaçonave . Achei bem legal a história contada ali, e recomendo a todos um passeio por lá pra saber mais sobre como um grupo de grafiteiros tentou transformar a ruína das casas numa galeria de arte a céu aberto! Pelo menos fiquei com a certeza de que eu não era a única rabugenta a achar inacreditável o trabalho da prefeitura ali naquele pedacinho de São Paulo!

Sobre ruínas e grafites.

Outro dia foi aniversário do blog da Carmem, o De uns tempos pra cá . Em comemoração, ela pediu textos para os amigos e eu escrevi um dos posts comemorativos. No post, eu falava sobre a destruição de uma vilazinha de casas que ficavam penduradas nas encostas da avenida 23 de maio, no viaduto Paraíso. Pra quem quiser ler na íntegra, é só clicar aqui . E então, pesquisando um pouco na internet (viva o Google), achei um outro blog que falava sobre o mesmo local: era o Espaçonave . Achei bem legal a história contada ali, e recomendo a todos um passeio por lá pra saber mais sobre como um grupo de grafiteiros tentou transformar a ruína das casas numa galeria de arte a céu aberto! Pelo menos fiquei com a certeza de que eu não era a única rabugenta a achar inacreditável o trabalho da prefeitura ali naquele pedacinho de São Paulo!

Amigos secretos porém públicos!

Chega dezembro e é batata: nenhum restaurante, bar, lanchonete fica livre da tão famigerada confraternização dos funcionários da empresa! Ontem estive num lugar desses e, para mim, foi como estar na ante-sala do inferno... Quando cheguei, a música no ambiente já estava alta. Minha pequena mesa (éramos apenas 2 pessoas com fome) situava-se entre duas longas mesas, cada uma delas reunindo um grupo grande de colegas de trabalho, comemorando o fim do ano, bebendo, comendo e disparando flashes. Se fosse só isso, já era muito. Mas aí começaram a distribuição de presentes do amigo secreto e tudo piorou. Todo mundo falando alto, gargalhando, gritando e depois batendo palmas. E todos os outros clientes do restaurante sabendo quem era o amigo secreto de quem, o que cada um tinha ganhado de presente e eventualmente servindo de paisagem de fundo nas fotos, com os olhos já cegos de tantos flashes! Será possível que todo ano a gente tenha de passar o mês de dezembro tentando fugir das festinhas de c...