quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Sobre ruínas e grafites.

Outro dia foi aniversário do blog da Carmem, o De uns tempos pra cá. Em comemoração, ela pediu textos para os amigos e eu escrevi um dos posts comemorativos.
No post, eu falava sobre a destruição de uma vilazinha de casas que ficavam penduradas nas encostas da avenida 23 de maio, no viaduto Paraíso.
Pra quem quiser ler na íntegra, é só clicar aqui.
E então, pesquisando um pouco na internet (viva o Google), achei um outro blog que falava sobre o mesmo local: era o Espaçonave.
Achei bem legal a história contada ali, e recomendo a todos um passeio por lá pra saber mais sobre como um grupo de grafiteiros tentou transformar a ruína das casas numa galeria de arte a céu aberto!
Pelo menos fiquei com a certeza de que eu não era a única rabugenta a achar inacreditável o trabalho da prefeitura ali naquele pedacinho de São Paulo!

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Amigos secretos porém públicos!

Chega dezembro e é batata: nenhum restaurante, bar, lanchonete fica livre da tão famigerada confraternização dos funcionários da empresa!
Ontem estive num lugar desses e, para mim, foi como estar na ante-sala do inferno...
Quando cheguei, a música no ambiente já estava alta. Minha pequena mesa (éramos apenas 2 pessoas com fome) situava-se entre duas longas mesas, cada uma delas reunindo um grupo grande de colegas de trabalho, comemorando o fim do ano, bebendo, comendo e disparando flashes.
Se fosse só isso, já era muito. Mas aí começaram a distribuição de presentes do amigo secreto e tudo piorou. Todo mundo falando alto, gargalhando, gritando e depois batendo palmas.
E todos os outros clientes do restaurante sabendo quem era o amigo secreto de quem, o que cada um tinha ganhado de presente e eventualmente servindo de paisagem de fundo nas fotos, com os olhos já cegos de tantos flashes!
Será possível que todo ano a gente tenha de passar o mês de dezembro tentando fugir das festinhas de confraternização?
Será que não dá pra fazer a festinha na sala de reuniões do trabalho?
Dá pra fazer o amigo secreto de todo ano ficar um pouco menos público?

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Amor, festa e devoção.


Fui ontem ver a estréia do "Amor, festa e devoção", de Maria Bethânia, no Teatro Abril. Como muita gente me pergunta se gostei, e desta vez a resposta não é simples, resolvi escrever este pequeno texto sobre minhas impressões. Fiz muitas fotos, como sempre, e o link para vê-las está aqui.
Pra começar, preciso dizer que show da Bethânia, para mim, SEMPRE é bom. Não me arrependo de ter ido e iria de novo, se pudesse.
Fiquei também muito feliz pela decisão dela e da produção de não fazer mais shows em casas que mais parecem restaurantes que auditórios: foi maravilhoso ver Bethânia sem cheiro de cerveja e coxinha e garçons passando na minha frente a toda hora.
Considerando, entretanto, que venho assistindo a shows dela há uns dez anos e sou fã dela praticamente desde o início da sua carreira, preciso dizer que foi a primeira vez que não me emocionei.
Em primeiro lugar, achei que o roteiro do show estava mal costurado, com um sub-aproveitamento dos dois discos novos. Muitas músicas já conhecidas foram incluídas, algumas sem necessidade. Eu adoro "Dama do cassino", por exemplo, mas acho que a interpretação de Bethânia não acrescentou nada à já clássica gravação de Jussara Silveira.
Da mesma forma, ainda acho que ninguém mais deveria cantar "Não identificado" depois da Gal Costa dos anos 70, mas a interpretação de Bethânia justifica-se pela explicação sobre a preferência do pai por aquela música.
Gostei da inclusão de "Serra da Boa Esperança", e achei que ela encadearia com "Saudade", de Chico César e Moska, uma das melhores coisas de "Tua" e que casaria muito bem com o tema e a melodia da maravilhosa canção de Lamartine Babo. Bethânia preferiu, entretanto, juntar a letra delicadíssima e elaboradíssima de "Saudade" à mais pura breguice sertanejo-pop de "É o amor". Não gostei.
Enfim, por último, também vou aproveitar a minha rabugice de hoje e dizer que não gosto de cantores que lêem a letra das músicas, e acho que Bethânia abusou disso nesse show. Não me incomodo quando ela lê algum texto, mas cantar olhando pra estantezinha com a letra enquanto canta eu achei um pouco demais.
Só pra terminar e reforçar: eu sempre acho os shows de Bethânia maravilhosos. Iria novamente inúmeras vezes assistir de novo a "Amor, festa e devoção", mas penso que em outras ocasiões Bethânia conseguiu me fazer sair do teatro agradecendo à vida por me permitir ser contemporânea de uma artista tão maravilhosa e desta vez eu saí apenas achando que era um show bonito. Quero mais da minha cantora predileta!

domingo, 6 de dezembro de 2009

Calçada da lama - parte 2.

Não resisti a fazer um novo post sobre o caso da assim chamada "Calçada da fama", principalmente depois de ler uma matéria sobre calçadas em São Paulo na revista Época São Paulo de dezembro de 2009. O site da revista, que dá de 10 a 0 na Veja São Paulo, está aqui. Não encontrei a tal matéria disponível online, portanto vou tentar resumir: a idéia principal é a de que seria interessante que empresas "adotassem" trechos de calçadas em São Paulo, garantindo a sua manutenção. Alturas tantas, entretanto, a reportagem alerta para os perigos dessa possibilidade de solução para uma das grandes mazelas da cidade:

Mas depender de patrocinadores também pode abrir caminho para empreendimentos controversos, como o que foi suspenso pela Justiça no bairro de Santa Cecília, no fim de novembro.
Ali, a empresária da noite Lílian Gonçalves planeja transformar o passeio de um dos lados da rua Canuto do Val numa versão brasileira da calçada da fama de Hollywood - com estrelas para homenagear celebridades nacionais, a começar por Xuxa, Roberto Carlos e Pelé. As obras, iniciadas em outubro, avançaram sobre uma faixa da rua antes destinada à circulação de veículos, desapropriada para ampliar a calçada em dois metros. Apesar disso, o espaço reservado aos pedestres permanece inalterado. É que boa parte dos seis metros de pavimento é destinada às mesas e cadeiras dos cinco bares do local - que pertencem a Lílian Gonçalves.
Para não prejudicar a circulação na via, que faz parte da rota de ambulâncias da Santa Casa, as vagas de zona azul foram canceladas. Não por acaso, a associação criada para gerenciar a calçada da fama está construindo sua sede em um edifício ali em frente, com oito pisos de estacionamento que serão administrados por Lílian.

Dá pra acreditar na desfaçatez dessa gente? Gostei da reportagem, porque revela a extensão do alcance dos tentáculos da empresária. É preciso brigar mesmo, porque este é mais um caso explícito do Estado e de bens públicos servindo a interesses inequivocamente privados.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

O público a serviço do privado!

Eu trabalho no interior de São Paulo e venho com muita frequência para a capital. Como sempre vou e volto de ônibus, para os meus deslocamentos, já há muito tempo uso o Terminal Rodoviário Barra Funda.
Nos últimos anos, porém, uma universidade privada que funciona ali perto tem trazido o caos para as noites do Terminal. São dezenas de barracas de lanche nas calçadas, um comércio variadíssimo na praça em frente (tem inclusive serviço de xerox), carros estacionados em todos os lugares possíveis e imagináveis etc.
É uma confusão! Nas noites de sexta, então, a coisa piora: parece que ninguém assiste às aulas, vão todos para os botecos improvisados nas calçadas, que muitas vezes têm até música ao vivo!
Para mim, entretanto, o mais impressionante é ver, nos horários de entrada e saída das aulas, o desfile de centenas de pessoas pela rampa de acesso ao Terminal. É uma imagem inesquecível, parece uma serpente gigante com muitas cabeças e pés passando pela travessia de pedestres. Fica quase impossível andar em sentido contrário ao da correnteza de gente.
Filas pra comprar bilhete de metrô e trem, filas para passar nas catracas, enfim, gente e mais gente que não acaba nunca.
Além disso, tem sempre aqueles que não se dispõem a usar a passagem de pedestres - até pela dificuldade de andar no meio da multidão - e atravessam pela rua mesmo, pulando o guard rail que separa as faixas e correndo entre carros, motos, ônibus. Algum dia certamente alguém será atropelado, se é que já não foi.
A partir da convivência com essa situação, comecei a observar melhor a localização das faculdades privadas e percebi que há uma preferência por locais próximos a estações do metrô, já que assim os alunos podem chegar e sair utilizando uma forma de transporte mais fácil.
Basta observar: só no trecho entre as estações Paraíso e Liberdade, temos 3 enormes câmpus. Isso sem contar com as pequenas instituições que aparecem em cada esquina!
Tudo muito fácil para os alunos e donos das escolas, não é?
Essa conveniência, entretanto, tem um preço: a superlotação das estações e trens num nível insuportável! É como se o serviço de transporte público acabasse monopolizado por uma empresa privada, que faz uso dele sem nenhuma precaução e sem oferecer nenhum retorno à sociedade. Ao contrário, no entorno dessas instituições há uma evidente proliferação de bares improvisados, de alunos ocupando as calçadas para beber, conversar e fumar, muitas vezes ocupando até mesmo algumas faixas da rua, colocando sua própria segurança em risco e ainda criando problemas para o trânsito.
Até quando o Estado vai continuar fornecendo facilidades para aumentar o lucro dos donos das faculdades privadas? Já está mais do que na hora de vermos esses empresários da educação darem um retorno à sociedade, contribuindo para melhorar e não piorar a vida das pessoas que circulam em torno de seus estabelecimentos!

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Psiulândia itinerante!

Ontem foi aniversário de um blog que eu sigo, o De uns tempos pra cá, escrito pela Carmem. Para comemorar, ela propôs que os amigos mandassem textos para publicação, e eu resolvi aderir. Assim, minha rabugice foi dar um passeio por lá, no post Aniversário. Pra quem gosta de acompanhar minhas reclamações, é só dar um passeios lá na outra freguesia.
Logo estaremos de volta, em nosso endereço costumeiro!

sábado, 28 de novembro de 2009

Calçada da lama

Um post rápido, só pra manifestar minha solidariedade com o pessoal do bairro de Santa Cecília, que está na luta para manter sua vizinhança mais silenciosa.
O caso é que Lilian Gonçalves, conhecida empresária da noite paulistana e amiga de poderosos, está querendo ampliar sua área de atuação no bairro, sempre no ramo de casas noturnas.
Ela parece nem se importar de fazer isso próximo de onde está localizada a Santa Casa de Misericórdia. Dá pra imaginar a alegria dos doentes, com autorização do Psiu para que as casas noturnas funcionem até uma da manhã?
Os moradores estão se organizando e fizeram um blog chamado Calçada da lama para dar visibilidade à sua luta. No blog dá pra conhecer melhor o tamanho da complicação. Não custa fazer uma visita e dar apoio à causa!
Toda solidariedade aqui da Psiulândia!

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Après moi le déluge

A frase que dá título a este post é atribuída ao rei Luís XV, que viveu na França entre 1710 e 1774. Pouco depois da sua morte, ocorreu a Revolução Francesa. A tradução da frase seria "Depois de mim, o dilúvio". Há quem diga que ela pode ter dois sentidos:

1. Depois de mim, o país vai virar um caos.
2. Depois que eu me for, o mundo pode virar um caos porque não me interessa.

Eu sempre entendi a frase mais no segundo sentido, e me lembro dela sempre que vejo certas barbaridades que acontecem pelo mundo...
Tenho a impressão de que a imensa maioria das pessoas não se importa nadinha com o que vai acontecer, desde que a sua parte esteja garantida. É uma espécie de auto-centramento doentio, que me irrita profundamente.
Ando tão cansada da falta de educação de grande parte da humanidade que às vezes tenho a impressão de que essa frase do Luís XV poderia ser uma boa descrição dos nossos tempos.
Acho que nos próximos posts vou me dedicar a dar exemplos de situações que poderiam ter o "Après moi le déluge" como legenda! Aguardem!

domingo, 11 de outubro de 2009

Psiulândia forçada...

Que horror, quase um mês sem postagens! Então, antes que a folhinha mude para o dia 12, vamos lá!
Hoje faço um post rapidinho pra comentar mais uma triste experiência com celulares. E desta vez, com o meu celular!
Antes, porém, algumas informações. Pra quem não sabe, moro no interior mas passo muito tempo em São Paulo. Tenho já há algum tempo uma linha pós-paga da Tim, depois de ter enjoado de dar dinheiro para a Vivo sem estar satisfeita com os serviços prestados.
Como vou ficar um tempo em São Paulo neste final de ano, resolvi comprar um chip de celular paulistano, pra não ficar gastando muito interurbano.
Fui a uma loja da Tim, paguei 10 reais pelo chip pré-pago e saí da loja já com o dito cujo em funcionamento. Até comentei como os tempos tinham mudado: meu primeiro celular (Telesp, que depois virou Vivo) levou umas 6 horas pra começar a funcionar. Quanta diferença! Tudo muito mais fácil, né?
Pois bem... Papo vai, papo vem, comecei a achar que talvez fosse o caso de experimentar um chip da Oi, que joga na nossa cara o tempo inteiro todas as vantagens que teríamos com ela.
Lá fui eu à loja da Oi pra comprar o chip pré-pago, que me custou 20 reais.... Já estranhei, porque esse valor é o dobro do que paguei na Tim. Enfim, quem sabe o serviço seria melhor e justificaria o preço?
Quando quis carregar o chip com créditos, a atendente me disse que primeiro eu teria de fazer uma primeira ligação e cadastrar o chip no sistema, digitando meu cpf. Assim fiz, ao meio-dia de ontem. Recebi então um aviso de que meu chip começaria a funcionar num prazo máximo de 24 horas! Inacreditável! Mais tempo do que levou o meu celular a lenha da Telesp!
Já achei um absurdo, mas acreditem: são 23h30 do dia seguinte (quase 36 horas, portanto) e o dito cujo continua sem funcionar! Já liguei pra Oi e recebi a informação de que eles estão com um excesso de solicitações e que, portanto, o prazo de 24 horas seria estendido. Até quando, ninguém sabe.
E assim aqui estou eu, de celular mudo, esperando que a Oi se digne a me permitir falar oi para algumas pessoas!
Ainda bem que eu tenho meu chip Tim funcionando direitinho, assim não estou completamente isolada na Psiulândia forçada da Oi!
OBS: Hoje, dia 13 de outubro, às 8 da manhã, finalmente consegui fazer uma ligação com o tal chip. Foram 68 horas de espera, com vários telefonemas para o atendimento da Oi, até conseguir a proeza! Acho que vale um e-mail pra ANATEL, né?

sábado, 12 de setembro de 2009

Barulhinho ruim!

Um dia desses fui a um pocket-show na Fnac, em São Paulo, na Avenida Paulista. Pra quem não conhece o espaço, o palco - meio improvisado - fica ao lado do café que tem lá no andar superior. E aí começam os problemas... O tal café tem um sistema de atendimento por senhas numéricas. E a maneira que eles encontraram para chamar a atenção dos presentes para o anúncio de um número é um sonzinho eletrônico feito de 3 notas desencontradas. Sei que não é exclusividade daquele café ter esse irritante sistema de alerta de senha, mas naquele dia o tal barulhinho de três notas incomodou todo mundo que estava assistindo ao show - inclusive o próprio artista, que se irritou com aquela interferência indesejada.
Daí fiquei pensando como o nosso mundo é cheio de estímulos sonoros, uma verdadeira balbúrdia. Parece que tudo neste mundo tem de ser avisado através de sons: sirenes, apitos, trinados, buzinas, gritos, campainhas... Mesmo em ambientes como, por exemplo, restaurantes, a cozinha comunica aos garçons que os pratos estão prontos com sinais sonoros.
No meio de tanta balbúrdia, é muito provável que nossos ouvidos acabem não prestando mais atenção aos sons, de tão calejados. Mas a irritação certamente seria a mesma, ainda que não perceptível conscientemente num primeiro momento.
Outro dia, assistindo na tv a um programa de reconstrução de casas, me deparei com a solução encontrada pelos construtores para instalar alarmes de incêndio numa casa de surdos: luzes muito fortes piscando sem parar.
Daí fiquei imaginando como seria o mundo se os alertas fossem visuais e não sonoros. Luzes piscando, em lugar de campainhas e similares. Será que o efeito seria semelhante? De uma coisa estou certa: nossos ouvidos sofreriam muito menos!

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Ando meio alarmada...

Eu moro num bairro meio fronteiriço da minha cidade, que mistura casas de padrão médio/alto e barraquinhos de quase favela e favela mesmo. Sim, isso também existe no interior... Talvez por isso, todo mundo que tem uma casinha mais arrumadinha cisma logo de comprar um daqueles alarmes sonoros contra roubo. Resultado: sempre tem algum disparando, sem que ninguém tome qualquer providência!
Já tivemos um fim de semana inteiro ouvindo os apitos intermináveis de um deles. Provavelmente era num estabelecimento comercial aqui da vizinhança, e o feliz proprietário só descobriu que infernizou a vida do bairro na segunda-feira de manhã, quando voltou para abrir a lojinha.
Vasculhando o Google, tentei achar alguma legislação sobre esse tipo de ocorrência e não encontrei quase nada. A única referência a uma tentativa de regulamentação que eu encontrei foi no blog de um vereador da cidade de Americana, Jonas Santa Rosa, propondo que todos os imóveis com alarmes sonoros tivessem um número de telefone visível para que fosse possível comunicar o acionamento. Descobri depois que o projeto dele foi rejeitado pela câmara de lá, que ficou com medo da exposição pública do número de telefone do proprietário do imóvel com alarme! Infernizar a vida da vizinhança é permitido, ter o seu telefone divulgado é proibido... Ora ora...
Outra coisa muito chata é o alarme de carros e motos - sim, elas também já têm seu alarme - que toca muitas vezes durante horas a fio, sem que o proprietário se dê conta do acionamento justificado ou acidental.
Meu amigo Fábio publicou uma nota no Facebook contando seus dissabores com esses alarmes:

"Para quem tem a felicidade e o privilégio de não conhecer, Car System é um alarme que pode ser instalado em carros e motos e que, ao leve toque em qualquer parte do veículo, dispara um alarme ininterrupto que combina uma sirene ensurdecedoramente irritante combinada com um aviso eletrônico que diz "este veículo está sendo roubado, ligue para o número bla bla bla...". Moro na região central da cidade de São Paulo e posso garantir que grande parte dos motoboys possuem este alarme. Há vezes em que este alarme é disparado O DIA TODO pois, quando um deles é desligado, outro é acionado devido ao grande número de motos. Já liguei diversas vezes para o número anunciado no alarme, mas a burocracia é ainda mais angustiante: eles pedem a placa do veículo, local exato em que ele está (inclusive a altura do número da rua em que ele está) para, só então, mandar um funcionário da Car System para o local que aí acionará o proprietário. Para completar, este funcionário não pode desligar o alarme, ação que só pode ser tomada pelo dono do veículo. Qual a eficiência real deste sistema contra furtos? Praticamente nenhuma, a meu ver. Deveria haver uma lei que proibisse este tipo de alarme, pois é deveras incômodo. Se já existe tal lei, deveria ser rigorosamente aplicada."

Em resumo, vivemos num mundo sem lei, em que a suposta proteção da propriedade privada móvel ou imóvel de alguém está acima de qualquer regulamentação, ainda que precária, sobre poluição sonora.
Meu palpite é o de que, se houvesse leis que de fato cuidassem da poluição sonora, nem seria necessário haver uma legislação específica sobre alarmes. Uma bela multa pra quem deixa um alarme tocar durante mais de, por exemplo, 30 minutos, seria suficiente para fazer com que as pessoas pensassem duas vezes na hora de instalar um alarme e, caso o fizessem, lembrassem de que é preciso uma manutenção do sistema que reduza o risco de acionamentos acidentais.
E a gente dormiria melhor, sem dúvida!

PS - Andei afastada do blog por problemas de saúde, mas acho que de agora em diante já estarei de volta ao ritmo normal!

domingo, 2 de agosto de 2009

Mais um capítulo da vida de viajante!

Eu admito: nasci com o termostato estragado, e sinto mais calor do que a maioria das pessoas que eu conheço. Mas juro que não entendo a aversão que muita gente tem ao ar condicionado. Então hoje decidi falar sobre eles, pensando especialmente num lugar em que eles passaram a dominar: nos ônibus intermunicipais.
Sou de um tempo em que ainda se viajava de trem. Andei muito pela antiga Mogiana, entre Campinas, Amparo e Socorro. Por outras empresas ferroviárias, viajei entre Araçatuba e Lins e entre Campinas e Rio Claro. Era uma época interessante, até que os poucos trechos em que os trens ainda funcionavam começaram a ficar cada vez mais decadentes e eu aderi de vez aos ônibus, conformada.
Até bem pouco tempo, a gente ainda podia abrir o janelão e ir pegando o vento na cara, como era na época dos trens. De uns tempos pra cá, parece que todas as empresas - ou pelo menos as não muito capengas - aderiram ao ar condicionado e às janelas de vidro sem possibilidade de abertura.
No início, achei que seria ótimo, aquela janela enorme, pra poder ir vendo bem a paisagem enquanto a gente relaxava no fresquinho. E aí começaram os problemas.
O menos comum deles é quando o ar condicionado quebra. Por sorte isso tem acontecido pouco. Mais frequentemente acontece é de alguns passageiros pedirem para o motorista desligar o dito cujo. E muitas vezes ele atende a esse pedido.
Um amigo meu certa vez definiu bem o que acontece no interior desses ônibus lacrados e com o ar condicionado desligado: o interior deles fica com cheiro de jaula. É uma mistura do perfume de um com o chulé do outro, do sanduíche de mortadela com o desinfetante do banheiro - ou da falta de desinfetante no banheiro, o que também é comum. Isso pra não falar de outros cheiros mais escatológicos! E todo mundo - menos eu, claro - feliz da vida, ali naquela quentura malcheirosa.
Nesses tempos de pânico em relação à tal gripe suína, parece que o pavor da contaminação leva as pessoas a ficarem com mais medo ainda do ar condicionado, como se ele fosse o responsável pela transmissão do vírus. O que elas ignoram é que a falta de ar condicionado e, portanto, de renovação do ar interno do ônibus, é que pode favorecer a contaminação.
Li na revista Época (n° 583, de 20/07/2009) de algumas semanas atrás uma matéria ("Ar condicionado pode ser saudável?") que confirmou minhas impressões: o ar condicionado, quando adequadamente regulado e limpo, proporciona um ar mais saudável do que o de muitas áreas externas. Ele serve inclusive como fator de melhora para pessoas doentes, ao contrário do que o senso comum imagina.
Portanto, vamos garantir nossa saúde mantendo o ar condicionado em funcionamento em lugares hermeticamente fechados, como os ônibus. E, seguindo ainda um conselho de estilo da Glorinha Kalil, quem for friorento pode sempre sair com um casaquinho ou um xale, já que, contra o frio, é sempre possível dar um jeito. E de minha parte eu acrescentaria que xales e echarpes deixam sempre as pessoas mais bonitas!

sábado, 25 de julho de 2009

Irritando Ana Old - uma meta-postagem

Cheguei à conclusão de que tenho uma concorrente: Fernanda Young e seu programa "Irritando...". A questão é que lá no programa dela a gente acaba rindo das idiossincrasias da apresentadora e dos convidados e os motivos de irritação vão ficando em segundo plano. Como toda artista de televisão, Fernanda Young gosta de fazer sucesso, afinal ganha pra isso.
No meu caso, eu queria que o motivo da irritação ficasse mais em evidência do que a minha rabugice, mas também tenho um probleminha: esses anos todos de professora de literatura me deixaram com a digitação torta: estou sempre procurando um joguinho de palavras aqui, uma metáfora mais sedutora ali, um uso especial de alguma palavra curiosa e demais truques costumeiros de quem presta atenção nos recursos da nossa língua portuguesa. Coisa que, aliás, a Fernanda Young também deve fazer, já que diz ser também escritora, além de tv star.
Enfim, todas essas palavras pra dizer que de novo estou pensando em mudar um pouco a cara do blog. Por isso ando tão quietinha, mas prometo que vou tentar dar uma renovada no ambiente. Apareçam!

sábado, 11 de julho de 2009

Por onde começar?

São tantas as oportunidades de ver coisas irritantes no mundo que nem sei por onde começar. Acho que vou começar com uma implicância que já apareceu por aqui em outro post, mas só a propósito de barulho nas salas de cinema, no post de março de 2009 chamado "Pedofilia e batatas fritas". Acho que agora vou expandir o alcance da minha rabugice: comida e bebida em salas de espetáculo.
Você já teve a oportunidade de assistir a um show de Maria Bethânia, por exemplo, e no momento mais intimista do show ouvir alguém abrindo uma nova latinha de cerveja? Ou ouvir a diva cantando sua música preferida enquanto seu nariz vai aspirando irremediavelmente o cheiro das coxinhas que o garçom acabou de trazer para o seu vizinho de mesa, passando na sua frente, claro?
Eu tenho saudade de quando as salas de espetáculo se chamavam auditórios, ou seja, a gente ia lá pra ouvir, ter prazer com o sentido da audição. As casas de show mais populares de hoje parecem mais lanchonetes gigantes com preços extorsivos que trazem como brinde o show de um cantor pago com ingressos a preço de ouro.
E para ganhar mais dinheiro ainda, essas casas colocam mais mesas e cadeiras do que mandariam as regras do mínimo conforto, o que frequentemente nos coloca praticamente numa única mesa coletiva, com o prato de carpaccio do vizinho nauseando a todas outras 35 pessoas que estão ao redor dele num espaço de 2 metros quadrados.
Parece que tem uma lei escrita em alguma língua que não entendo, que associa shows a bebidas e salgadinhos e cinema a pipoca. Como já disse no outro post, estou a anos-luz da anorexia, mas não consigo pensar em comer quando vejo um filme daqueles que eu gosto ou quando assisto a um show dos meus deuses da música. Nessas horas, sou toda olhos e ouvidos e nem lembro que tenho paladar.
E volto a propor: vamos fazer um lote de adesivos com as calorias dessas comidinhas de shows e cinemas e colocar de modo bem visível nos lugares que as vendem? Tenho certeza de que as pessoas pensariam duas vezes antes de gastarem seus tostões nessas porcarias.
Que tal voltarmos ao velho programa de cinema ou show e depois jantar?

domingo, 5 de julho de 2009

Em tempo real!

Eu tinha anunciado e garantido que este blog iria deixar de ser monotemático, mas infelizmente o destino se colocou contra mim! Vamos aos fatos!
Sempre que decido viajar, passo muito tempo tentando escolher um hotel que seja limpo e confortável e que meu bolso possa pagar. Quando a viagem é para o Rio de Janeiro, essa equação é praticamente insolúvel. Já fiquei em vários hotéis por aqui, e até hoje não encontrei um sobre o qual eu pudesse dizer que me agradou em termos de conforto e de preço.
Neste fim de semana, depois de outra rodada de pesquisas pela internet, decidi experimentar o Golden Park, que fica numa pracinha simpática ao lado do hotel Glória. O preço é alto, pelo serviço oferecido, mas nada que destoe dos preços extorsivos de hotéis no Rio. O clima de decadência tambem é típico dos hotéis pagáveis daqui, com aquele cheirinho de mofo característico de hotéis decadentes à beira-mar.
Já estava me conformando e me acostumando com essas coisas, mas hoje, ao chegar no hotel para dormir às 11 da noite, ao entrar no quarto comecei a ouvir um som daqueles insuportáveis, aquele som grave e monocórdio de música tecno ao longe, da qual a gente só ouve o tum tum tum que faz tremer as paredes.
Achei que pudesse ser um daqueles carros com alto-falantes que ocupam quase todo o espaço interno e liguei para a recepção, para me informar.
O recepcionista disse candidamente que toda semana tem um evento na pracinha aqui em frente! Perguntei se iria demorar pra acabar e ele disse: "Não, lá pelas 2 acaba tudo!" Duas da manhã????????? Como assim?
E aqui estamos nós, meia-noite e meia, com o bate-estaca ainda fazendo tremer as paredes do quarto, esperando que as duas da manhã cheguem e nos permitam o sono dos justos...
Alguém aí sabe o telefone do Psiu no Rio de Janeiro???

sábado, 20 de junho de 2009

Marina Lima, bem-vinda você também à Psiulândia!

Depois de duas semanas sem postar aqui, estou de volta, só pra comentar uma entrevista que a Marina concedeu para a revista da Joyce Pascowitch no final do ano passado. A entrevista ficou famosa porque ela confessou algumas intimidades que incomodaram outras pessoas, sobretudo Gal Costa.
Mas logo abaixo das revelações bombásticas, um comentário passou despercebido e eu resolvi transcrevê-lo aqui:

JP: Mudando de assunto, o que você ouve?
ML: De tudo e muitas vezes, nada. Como eu tenho um ouvido doente, que ouve freqüências que ninguém ouve, valorizo demais o silêncio. Essa coisa de trilha sonora para tudo, eu não agüento. Às vezes prefiro os ruídos do mundo.


Marina, essa coisa de ouvido doente, me desculpe, é de quem coloca alto-falantes gigantes no carro, grita pelas ruas, buzina pra qualquer um, obriga todo mundo a ouvir trilha sonora compulsória etc. O seu ouvido deve é ser saudável demais, querendo ser respeitado! Bem-vinda você também à Psiulândia!

PS - Aviso para aqueles que seguem este blog: tomei uma decisão e resolvi ampliar a abrangência da minha ranhetice e parar de reclamar só de barulho. Agora a reclamação vai ser ampla, geral e irrestrita!
Afinal, estou completando meio século de vida neste ano de 2009, e creio que já posso me conceder o direito de ser uma velha rabugenta. Assim vai dar tempo de reclamar bastante antes de morrer - assim espero!!!
Buzinas, alarmes, gritos, barulhos, ruídos em geral continuarão sendo as vítimas preferenciais do blog, mas vou me permitir criticar também outras coisas que me incomodam.
E quem se incomodar com as minhas rabugices, fica fácil: é só não ler.

sábado, 30 de maio de 2009

Mais uma aventura noturna

Um post rapidinho, só pra atualizar como anda a minha vida com os celulares...
Mais uma viagem noturna, e mais uma experiência a bordo que só posso definir como bizarra.
Tudo começou já de forma atrapalhada: tinha uma moça sentada no meu lugar, carregando uma caixa com um animado cachorrinho. Enquanto esperava a garota que embarcava os passageiros acabar sua tarefa para poder resolver a minha questão de assento ocupado, observei que vários ex-presidiários estavam embarcando. Fiquei já imaginando como a viagem seria animada...
Problema do assento resolvido (a errada era a moça do cachorrinho), durante a primeira meia hora da viagem houve um pouco de tumulto a bordo, com os egressos do presídio fazendo um pouco de algazarra, como eu previra. Para minha surpresa, entretanto, logo ficaram quietinhos e dormiram. Fiz o mesmo, pensando que enfim a humanidade tinha salvação.
Estava enganada... O ônibus estava um pouco atrasado e, quando faltava ainda cerca de uma hora para chegar em São Paulo, começo a ouvir um som inacreditável: o hino do Corinthians, com aquela introdução tradicional e depois o coro masculino cantando "Salve o Corinthians etc."
Sim, era um celular. Em alto volume. Com sinal ruim. A ligação caiu 2 vezes, então ouvimos mais 2 vezes o hino tocando dentro do ônibus silencioso. E cada vez que a ligação falhava, o dono do aparelho deixava tocar mais um pouco a música, talvez esperando que o sinal ficasse mais forte se a música tocasse por mais tempo!
Pareceu-me que em momento nenhum ele sequer pensou em alternar o celular para o modo silencioso.
Os ex-presidiários, que eu preconceituosamente tinha imaginado que não me deixariam dormir, tinham ficado ali quietinhos, dormindo e esperando a chegada em São Paulo.
E assim acordamos todos, naquela madrugada, ao som do hino do Corinthians, por causa de um mauricinho inconveniente que resolveu que podia acordar a todos com seu celular sem noção.

domingo, 24 de maio de 2009

Toca Raul - PS

Eu me esqueci de dizer no post abaixo que, ao contrário do que possa parecer, gosto de Raul Seixas... Mas, a respeito disso, só posso assinar embaixo de uma frase que colocaram num mural lá onde eu trabalho:

Toca Raul!

Tive uma experiência inesquecível nesta noite de 23 para 24 de maio aqui em São Paulo...
Todo sábado, perto daqui, tem uma casa noturna que toca pagode ao vivo. Já me acostumei ao ouvir tudo aquilo a noite inteira, numa toada que só termina pontualmente a uma da manhã (obrigada, Psiu!). Nada contra o pagode, só que eu não gosto. E é fogo ter de ouvir, todo sábado, um concerto de pagode compulsório!
Mas ontem, além disso, havia uma festa numa varanda improvisada que foi criada numa espécie de "cobertura" de um prédio aqui ao lado.
Quando cheguei, tinha o som do pagode entrando pelas janelas de um lado e o som da festa pelas janelas do fundo. Previ que a noite seria animada!
Fiquei fazendo hora pra só ir dormir depois que o pagode terminasse - um problema a menos! Mas aí, depois disso, as conversas, risadas, músicas e gritos da festa invadiram o apartamento.
Eu estava exausta, e apaguei mesmo assim. Às 4 e meia, depois de ter tido umas 2 ou 3horas de sono, acordei com o barulho alto da festa. A animação seguia. Tem uma foto que eu tirei da janela nesse horário:



Logo depois deste clique, um grupo daqueles marmanjos bêbados se lembrou da trilha sonora adequada à situação: Raul Seixas. Depois de terem cantado 3 vezes "Ouro de tolo" (com ênfase no trecho "com a boca escancarada cheia de dentes esperando a morte chegar"), começaram a chamar o falecido com gritos tão altos que, se ele estivesse vivo, certamente teria atendido. Eu tentava dormir e lá vinham os gritos de "Raul!" "Raul!"...
O que eu fiz para merecer isso???
Depois eles se lembraram de que havia outras músicas no repertório, e vieram com "Gita", "Metamorfose ambulante", "Al Capone", "Medo da chuva"... Faltou só mesmo o "Maluco beleza" que miraculosamente deve ter ficado esquecido em algum ponto obscuro daqueles neurônios anestesiados pela cerveja.
Às 6 da manhã, finalmente acharam que era hora de fechar a barraquinha e me deixar dormir... Hoje pela manhã, este era o cenário:



E ainda agora, quando escrevo, às 5 da tarde do sábado, aquele festival de latinhas vazias continua por lá. Certamente quem deveria limpar está dormindo, de ressaca. Devo gritar "Toca Raul" na janela?
Depois dessa experiência, só em ocorre perguntar a quem podemos recorrer? À polícia? Ela certamente diria que tem mais com o que se preocupar. O Psiu? Ele já disse que não atende ocorrências que não envolvam estabelecimentos comerciais. Talvez ao bispo de Pororoca da Serra...
Não é possível que todos nós estejamos à mercê de qualquer bando de foliões animados, sem ter a quem recorrer! Alguém me explica como é que pode?

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Sinfonia de pardais eletrônicos na madrugada.

Sim, mais uma vez passei a noite a bordo de um ônibus, vindo para São Paulo, numa viagem de quase 450 quilômetros. Trabalhei muito o dia todo e uma sexta-feira agitada me esperava na capital. Precisava dormir bem, portanto.
Depois dos quilômetros iniciais, em que a euforia sempre leva alguns a conversar com o passageiro mais próximo ou com alguém num celular, aos poucos todos foram se aquietando e começando a dormir. Ou quase todos, pelo menos.
Depois de 3 horas de viagem, a primeira parada chegou. Eu dormia profundamente e assim continuei, ou, pelo menos, tentei continuar, mesmo em meio à agitação do sobe e desce de gente do ônibus, cheiro de coxinha a bordo, saquinhos plásticos rangendo etc. Mas sobre isso acho que já falei em outro post em que comentava viagens noturnas em ônibus, e neste eu quero falar de outra coisa.
Depois da parada, consegui pegar no sono de novo. Quando faltava mais ou menos uma hora para chegar em São Paulo, comecei a ouvir um barulhinho assim:
Era repetido a intervalos irregulares, o que acabou me tirando do pesado sono em que estava. Demorei um pouco mas reconheci o sinal de troca de mensagens pelo programa de comunicação Fring, que reúne coisas como MSN, Skype e Twitter no celular.
Ou seja, alguém estava batendo papo com alguém, às 5 da manhã, dentro do ônibus. Sem problema, cada um escolhe o que quer fazer nesse horário. A questão é que, a cada mensagem que transitava entre os conversadores matinais, um grilo eletrônico daqueles levava pra mais longe a minha possibilidade de dormir mais um pouco até a chegada.
Fiz o famoso "Psiu!", mas não adiantou. Pedi para tirarem o som do celular, mas nada. O grilo do celular continuava ativíssimo!
Finalmente desisti de dormir, ao ver que, conforme chegávamos mais perto de São Paulo, a orquestra de celulares ganhava novos instrumentos: campainhas, disco music, rock'n roll, óperas, enfim, toda a vasta gama de opções de tons de celulares começou a soar e as conversas se multiplicavam: "Não, ainda estou na estrada!" "Daqui a uma meia hora estou chegando!" "Estamos entrando na marginal, benhê!"
Fiquei pensando que no mundo dos meus sonhos ninguém poderia sair da loja portando um celular sem um cursinho prévio de como colocá-lo no modo silencioso. Tipo um porte de arma, sabe como é? Ou carteira de habilitação, antes de sair dirigindo um carro por aí.
Enfim, mais uma experiência com a incomensurável capacidade humana de não se dar conta de que ninguém está sozinho no mundo...
OBS. - O título do post presta uma homenagem a um colega de trabalho que achava a expressão "Sinfonia de pardais", da canção "Ave-Maria no morro", de Herivelto Martins, a mais idiota da MPB (se alguém quiser ouvir, aqui tem com a Dalva de Oliveira: Ave-Maria no morro). O argumento dele era que não podia haver uma sinfonia de pardais já que eles não cantam, apenas ficam piando aqui e ali e proliferando pelas ruas. Como celulares, aliás.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Barulho bom!

Pra quem acha que a minha ranhetice chegou a níveis insuportáveis, vou dar uma trégua: hoje vou falar de uma cena barulhenta que alegrou a minha segunda-feira!
Começou quando li na coluna "Bombou na web", da revista Época desta semana, a notícia abaixo:

"A T-Mobile, empresa de celulares, passou uma cantada em seus clientes: 'Encontre-me às 18 horas do dia 30 de abril na Praça Trafalgar, no centro de Londres'. Mesmo sem saber o que seria feito, mais de 13 mil pessoas compareceram. Microfones foram distribuídos aos presentes e um telão gigantesco se acendeu, mostrando a letra da canção 'Hey Jude', dos Beatles. O karaokê gigante virou uma campanha publicitária. Dezenas de vídeos gravados pelo celular foram parar no YouTube no mesmo dia. O vídeo oficial foi ao ar dois dias depois. Já foi visto mais de 400 mil vezes."

Lá fui eu, a beatlemaníaca de plantão, ao YouTube assistir a cena: http://www.youtube.com/watch?v=orukqxeWmM0.

Achei tão bonito! Todo mundo cantando feliz da vida, sem medo de desafinar ou parecer ridículo. Tinha turista japonês se sentindo o próprio John Lennon, tinha gente repartindo um microfone só, morador de rua, executivo voltando pra casa, patricinhas & mauricinhos, velhos, adolescentes e crianças, homens e mulheres, enfim, gente de todo tipo, cor e condição social cantando junto uma música dos Beatles. Até o ônibus carregado de turistas parou e todo mundo ficou em pé, cantando junto!
Tá, eu sei que é uma campanha publicitária pra vender celular. Mas ela mostra que dá pra usar essas tecnologias moderninhas, como os sms, para juntar gente pra fazer coisas legais.
E por fim: aquelas milhares de pessoas deviam estar fazendo um barulho bem grande! Mas eu daria muita coisa pra estar no meio delas, ouvindo tudo e cantando também, sem ranhetice nenhuma!

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Dia do silêncio

Minha amiga Drika me avisou pelo Twitter: 7 de maio é o Dia do Silêncio. E foi ontem! Alguém notou? Eu não...
Andei pesquisando pela internet a origem da data, mas não consegui descobrir nada. Achei uma matéria sobre ele no site da Prefeitura de São Paulo, inclusive com informações sobre o Psiu (http://www2.prefeitura.sp.gov.br/noticias/ouvidoria/2007/05/0001), mas ainda sem a explicação que eu procurava.
Mais tarde, dei de cara com o Jornal da Tarde, numa banca de revista, trazendo na capa a manchete: "Ex-chefe do Psiu: há bares e igrejas intocáveis em SP". Comprei, é claro!
Ali o ex-chefe do Psiu, o coronel reformado Fernando Coscioni, denuncia que teria sido levado a se demitir, antes que fosse exonerado, porque seu trabalho estaria incomodando alguns políticos, que inclusive pressionaram o Psiu para reabrir alguns locais fechados pela fiscalização. Ele diz que alguns bares de Pinheiros, as casas de Lilian Gonçalves (Rede Biroska), e o Teatro dos Parlapatões seriam "imexíveis". E, além disso, algumas igrejas também estariam invulneráveis ao Psiu, como a Assembléia de Deus do Bom Retiro.
A Prefeitura nega a interferência no trabalho do Psiu e nega também que a saída do tal coronel reformado tenha sido motivada pela alegada intransigência dele no cumprimento da lei e na consequente aplicação aplicação das penalidades (multa de 28 mil reais e fechamento) aos estabelecimentos desobedientes.
Enfim, o dia do silêncio deste ano parece que foi mesmo marcado pelo barulho!
Resta apenas esperar que a mudança na chefia do Psiu não seja para pior. Aliás, faria bem o senhor prefeito se ampliasse o número de funcionários trabalhando contra o barulho, porque, segundo a reportagem, há 6 mil denúncias à espera de fiscalização e providências! Durma-se com um barulho desses!

sábado, 2 de maio de 2009

Barulho na Globo

No fim das contas, acabei quase perdendo o programa Profissão repórter do dia 21 de abril! Não fosse o lembrete via Twitter que me mandou o amigo Sandro Fortunato (do blog super legal "Sempre algo a dizer" - http://www.sandrofortunato.com.br/ - que eu sigo religiosamente), teria deixado de ver na tv aquilo que ele chamou de "sucursal do inferno".
Pra quem assistiu, fica fácil entender a expressão que ele usou: concursos de quem tem o som mais potente nos carros, televisão transmitindo jogo ao vivo nas ruas, com altofalante e torcida e ainda seguido de show de forró comemorativo, moradores de um prédio construído em cima de um viaduto, shows de hard rock com os próprios músicos tocando de tampão no ouvido etc.
Enfim, tudo aquilo que acaba com o nosso sossego, exemplos literalmente gritantes dos extremos a que a insanidade humana pode chegar, como o do cara que gasta mais do que ganha por mês para comprar UM altofalante para o carro. Ou o dos pais que deixam a criança ficar descansando na caçamba do carro em frente a uma parede de altofalantes ligados no máximo.
Mas o pior de tudo foi saber que o serviço do Psiu, na cidade de São Paulo, demora no mínimo 30 dias pra fazer a primeira fiscalização numa casa noturna, depois de uma denúncia! Quanta demora! E enquanto isso, como dormem os vizinhos? Mais gente trabalhando no Psiu, por favor, senhor Kassab! Poluição não é só a visual, tem a sonora também!
Pra quem não viu, aqui vai o link onde o programa Profissão repórter de 21 de abril pode ser visto na íntegra: http://especiais.profissaoreporter.globo.com/programa/
E depois não deixem de comentar aqui!
O post hoje vai curtinho, porque ainda estou me recuperando de uma gripe, mas semana que vem te mais! Ah, e fiquei um fim de semana sem postar aqui por causa da correria da vida, mas prometo que não vai acontecer de novo!

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Dica desta semana

Um amigo e seguidor deste blog me avisa que barulho é o tema da próxima edição do programa Profissão Repórter, na TV Globo, nesta terça-feira, 21 de abril de 2009. Fui lá na página da Globo conferir, e encontrei esses dados:

"Os repórteres Thiago Jock e Caio Cavechinni acompanham um campeonato de som entre carros superequipados no interior de Minas Gerais. Funk na maior altura, confusão com a polícia, muito barulho em volume máximo.
Os repórteres Felipe Gutierrez e Mariane Salerno vão ao Rio de Janeiro mostrar como é viver em apartamentos sobre túneis ou na beira de viadutos. Fica difícil gravar as entrevistas enquanto os carros e ônibus passam a metros das janelas dos moradores.
Os repórteres Gabriela Lian e Felipe Suhre - o novato da equipe - registram a tensão entre os moradores e os bares de um bairro boêmio de São Paulo, a Vila Madalena. Num único quarteirão, são 10 bares e muitas noites de insônia para os vizinhos.
Caco Barcellos registra um momento emocionante: o instante em que um lavrador, surdo há 9 anos, volta a ouvir após a ativação de um implante no ouvido. “Quanto zoada”, ele diz, feliz da vida, na volta para casa."


Pena que o programa passa tão tarde: 23h15, informa o site. Mas como é depois da novela "Caminho das Índias", do "Casseta e Planeta" e do "Toma lá dá cá", tenho a impressão de que vai ser mais tarde. Enfim, não custa ficar de olho. E pra quem perder, ainda tem a possibilidade de ver na TV a cabo, na Globonews (Sábado, às 21h05, e Domingo, às 9h05). Ou então pela internet mesmo, no site do programa: http://especiais.profissaoreporter.globo.com/programa/
Será que finalmente a preocupação com o barulho excessivo vai passar a fazer parte de discussões mais abrangentes do que tem feito até aqui? Tomara! Vou assistir e depois comento!

domingo, 12 de abril de 2009

Barulho & ecologia, com direito a Loop B!

Na semana passada, viajei de Assis a São Paulo num ônibus noturno, que saiu do interior à meia-noite e chegou à capital às 6 da manhã. Suponho sempre que quem viaja nesse horário é porque não tem outra opção senão a dormir a bordo, seja por impedimentos de trabalho ou pressa de chegar.
Era o meu caso: trabalhei o dia todo e tinha de estar em São Paulo no dia seguinte, portanto contava poder dormir durante a viagem, para aguentar as tarefas que me esperavam.
Os primeiros momentos a bordo foram ainda de burburinho, campainhas tocando, crianças chorando e gente conversando em voz alta com o vizinho ou com o interlocutor em seu celular. Normal.
Pouco a pouco, entretanto, tudo foi-se aquietando e eu consegui pegar no sono.
Três da manhã, chega a parada. Eu continuei dormindo, como muitos passageiros que naquele horário preferem o sono a um pão de queijo. Tudo corria bem, até que as pessoas que haviam descido começaram a voltar a bordo e a orquestra do saquinho plástico começou a tocar!
Só mesmo quem está dormindo sabe o quanto o som de saquinhos plásticos sendo abertos, fechados ou amassados pode ser irritante. Imaginem então uma orquestra deles, com pessoas revirando malas para guardar os quitutes que compraram e que vieram embalados em saquinhos plásticos. Ou querendo pegar mais uma blusa na mochila e tendo que antes tirar as sandálias havaianas, devidamente agasalhadas também em sacos plásticos.
Todo mundo já está careca de saber que saquinhos plásticos poderiam ser comparados, do ponto de vista do potencial poluidor, a uma das 10 pragas do Egito (Êxodo, capítulos de 7 a 11), enchendo rios e mares e ameaçando os peixes que lá vivem.
Além disso, eles também servem - mal - como sacos de lixo. Taí outra de minhas implicâncias: odeio ver aqueles saquinhos de supermercado escorrendo caldo do lixo nas calçadas!
Por estas e outras razões, já começa a pegar com força no Brasil um costume que já existe na Europa faz tempo: os clientes levando suas próprias sacolinhas de pano ao supermercado, pra evitar o uso dos vilões deste post.
Em muitos dos países europeus que conheço, se você não levar sua sacolinha, tem de pagar por um saco plástico (de boa qualidade) que ainda vem com a estampa que sugere que ele seja reaproveitado como lixo (e este não fura fácil como os nossos).
Então eu me sinto no direito de propor mais uma razão para banir o uso dos saquinhos: o barulho irritante que eles fazem quando são manipulados. Aliás, tenho uma amiga com quem já dividi quartos de hotel, que diz que uma das provas de elegância de quem se dispõe a compartilhar o espaço de dormir com outros é nunca usar sacos plásticos para embalar qualquer coisa na bagagem! Sábia Neusinha! Pena que você não viaja de ônibus comigo pra ver o que eles podem virar quando manipulados em conjunto!
A única ocasião em que eu achei que sacos plásticos podem ser interessantes foi quando assisti, há alguns anos, a apresentação do grupo paraibano Jaguaribe Carne, com a participação de Loop B, um cara especializado em tirar música de coisas que geralmente odiamos por serem barulhentas. Ele TOCOU um saquinho plástico numa das músicas, fazendo uma percussão inacreditavelmente bonita e original. Ele, aliás, anda agora num projeto com Pedro Osmar (um dos integrantes do Jaguaribe Carne) chamado Farinha Digital, e lá ele também toca coisas inacreditáveis: tanque de gasolina de Chevette, furadeira, placa de trânsito, bujão de gás etc.
Pra quem quiser conferir, no YouTube tem algumas coisas, como esta participação de ambos no programa Em cartaz: http://migre.me/qZZ.
E lá também tem outros filminhos pra quem quiser conhecer o cara capaz de transformar potenciais fontes de barulho em música! É só digitar Loop B na procura e aproveitar os resultados. Infelizmente, não encontrei a cena do saquinho plástico, mas há outras bem legais também.
O MySpace do cara também é legal: http://www.myspace.com/loopb.
E para finalizar, Boa Páscoa a todos, mas não se esqueçam de jogar fora os saquinhos dos ovos de chocolate!!!

domingo, 5 de abril de 2009

Bye, bye, Íris Lettieri!

Li na internet (http://migre.me/loH) nesta semana a informação de que a Infraero decidiu acabar com os avisos sonoros em aeroportos. Aliás, dizem eles que desde outubro de 2008 as chamadas estão suspensas, mas que alguns aeroportos não estão cumprindo a nova regra.
É o caso dos aeroportos do Rio de Janeiro, onde, há 32 anos, a voz de Íris Lettieri anuncia "Passageiros do vôo 3854 com destino a Nova Iorque, embarque no portão 23". O Aeroporto Internacional Tom Jobim (Galeão) já anunciou que não tem data marcada para interromper esse serviço.
Ainda segundo a Infraero, "a medida irá reduzir a poluição sonora, provocada pelo elevado número de mensagens nos horários de maior movimento". Louvável motivação, mas será que esses anúncios são tão inconvenientes assim?
O diretor técnico do Sindicato Nacional das Empresas Aeroviárias, Ronaldo Jenkins, é contra. Ele afirma: "Há ainda a questão psicológica. Uma voz como a da Íris Lettieri acalma o passageiro. Não se pode esperar que todos os funcionários das companhias aéreas tenham uma voz como a dela".
Pra quem tem saudade ou não se lembra ou não conhece avoz da Íris, no site dela (http://www.irislettieri.com.br/) tem umas amostras. E ainda tem fotos, pra quem tem curiosidade de conhecer a aparência da dona da voz mais popular dos aeroportos brasileiros.
Apesar de o argumento do Ronaldo Jenkins estar muito centrado nas supostas qualidades calmantes da voz da Íris Lettieri, achei interessante. Pessoalmente, confesso que gosto de ouvir todos os anúncios sonoros em aeroportos, porque parece que eles me ajudam a entrar no clima da viagem...
Mas como estou ainda muito em dúvida, gostaria de saber o que acham dessa decisão da Infraero... Opiniões, por favor!!!

sábado, 28 de março de 2009

Gritando por silêncio???

A revista Época São Paulo do mês de março tem uma matéria interessante chamada "Gritando por silêncio". Se você não leu, a íntegra da reportagem está aqui: http://migre.me/g18

Em resumo, o artigo fala de um movimento iniciado no bairro do Itaim Bibi, em São Paulo, contra os barulhentos da madrugada. Moradores do bairro criaram algo chamado "Movimento Guerrilheiro πsil", que propõe que as pessoas que fazem barulho de madrugada sejam alvo de represálias na forma de bexigas cheias de água. Nenhum dos líderes se identifica, e divulgam o movimento num blog vizinho daqui: http://www.pissil.blogspot.com/, onde chegam a insinuar que as bexigas podem ser enchidas também com urina.

Fui dar uma olhada por lá e de cara já fiquei meio bronqueada, porque declaram que combatem "gritos de gordas histéricas, bêbados sem noção e buzinaços desnecessários". Senti um certo clima de machismo e de preconceito em relação às pessoas gordas, e fiz questão de deixar meu comentário sobre isso no blog deles. Sou mulher, gorda, e vivo implorando por um mundo mais silencioso... Enquanto isso, por exemplo, garotos magrinhos ficam urrando pelas ruas cada vez que seu time faz um gol... Não dá pra reconhecer um barulhento só pelo seu sexo ou pela forma do seu corpo, feliz ou infelizmente. E isso de associar histeria ao sexo feminino não perdoo nem mesmo nos que começaram a estudar esse tema no século XIX.

Mas além do preconceito exposto já na primeira postagem do blog e na primeira página da matéria da revista, eu penso que essa proposta de guerrilha urbana não se afina muito com minha maneira de encarar possibilidades de militância anti-ruídos noturnos.

Sou muito condicionada pela minha formação meio anos 60 e acabo acreditando que esse tipo de ataque só nos equipara aos que nos incomodam. Retibuir uma agressão com outra sempre me parece o começo de todas as guerras. E o próprio título da matéria já expõe, de certo modo, essa contradição: gritar por silêncio me parece de uma incoerência total!!!

Leis mais rigorosas, fiscalização mais eficiente, melhor educação para todos: não vejo outra forma de resolver as coisas que consideramos erradas no nosso mundo, como o sambão ao vivo, em alto volume, que rola num boteco aqui ao lado enquanto escrevo este post, às 22 horas de um sábado.

Psiu!!!!!!!!!!

segunda-feira, 16 de março de 2009

Bem-vinda à Psiulândia, Adriana Calcanhoto!

Numa noite dessas, estive zapeando pela TV e me deparei com uma entrevista da Adriana Calcanhoto ao Alex Lerner, no episódio 31 do programa Por trás da fama, no Multishow.
Lá pelo final da entrevista, o entrevistador pergunta:
"Você já teve essa sensação de que tem muita música no mundo?"
E a resposta dela é ótima:
"Tenho, total, total! Música no elevador, música no café da manhã... Você vai num hotel, qualquer hotel do Brasil, você vai tomar café da manhã, tem música, às 8 horas da manhã, tem música animada! No avião tem música. Eu acho demais. Eu não entendo o motivo. Eu acho que é mais o medo do silêncio do que desejo real de ouvir música. Posso estar sendo ranzinza, provavelmente estou, mas não consigo pensar de outra maneira."
Não é mesmo uma observação digna deste blog? E ela usa, inclusive, a palavra que é o nosso subtítulo: "ranzinza"! Adorei!
Mas meu trecho favorito é um pouco antes disso, quando ela diz "Eu acho que é mais o medo do silêncio do que desejo real de ouvir música." Achei perfeita essa análise.
Pra quem não lembra, Psiulândia já tratou desse assunto numa das primeiras postagens, chamada "Música compulsória"(http://psiulandia.blogspot.com/2008/12/msica-compulsria.html)
As idéias da entrevista e as da postagem são bem parecidas, portanto, bem-vinda à Psiulândia, Adriana!
Acho que o programa não está disponível online na íntegra, mas de qualquer maneira aí vai o site dele: http://multishow.globo.com/Por-Tras-da-Fama/index.html. Torçam por uma reprise, porque vale a pena.

sexta-feira, 13 de março de 2009

Pedofilia e batatas fritas

Acho que vou comprar uma briga com muita gente, mas vou dizer: odeio gente que come no cinema! Pronto, falei!
Hoje fui assistir ao lindo e tenso "Dúvida", com Meryl Streep, Philip Seymour Hoffman e Amy Adams, entre outros. O filme trata de um tema muito complicado: a possibilidade de o padre que é superior de uma escola ser pedófilo e ter mantido relações com o único aluno negro da turma.
Enquanto o filme se desenrolava na tela, com atuações ótimas dos atores e uma tensão crescente na narrativa, a garota que estava à minha frente comia seu sanduíche do McDonald´s com batatas fritas, mostarda e catchup. Ao lado dela, o namorado devorava um daqueles sacos gigantes de pipoca amanteigada. Tudo devidamente regado a baldes de refrigerante e com trilha sonora de sacos de papel sendo manuseados e de dentes mastigando pipocas e batatinhas.
Não tem coisa melhor pra quebrar o mágico envolvimento com um bom filme do que cheiro de BigMac e barulho de pipoca bem crocante sendo mastigada de boca aberta!
Eu fico me perguntando como é que alguém tem fome numa hora dessas... E olha que eu estou muito longe, anos-luz talvez, de anorexias. Mas não dá pra pensar em batatas fritas com Meryl Streep vestida de freira condenando Philip Seymour Hoffman vestido de padre por ter abusado do aluno!!!
E o pior: mais ou menos metade das pessoas no cinema estava devorando seus punhados de pipoca durante o filme. Parece que ninguém mais é capaz de entrar no cinema sem ter um desses baldes calóricos na mão.
Até acho que num desses filmes barulhentos de ação, vá lá, ninguém escuta mais nada além dos tiros e bombas, mas num filme delicado como esse que eu vi, chega a ser falta de educação passar quase que o tempo inteiro do filme mastigando pipoca.
Tem mais uma coisa: até o McDonald´s foi obrigado por lei a manter visível a informação nutricional de tudo o que vende, assim a gente sabe a bomba calórica que é um BigMac. Mas ninguém nunca viu um quadrinho afixado no cinema dizendo que um saco de 172 gramas de pipoca tem 860 calorias (a fonte: http://www.pernambuco.com/diario/2004/08/01/brasil7_0.html).
Ou seja, além de aporrinhar o ouvido de quem gosta de cinema com barulhos inconvenientes, o devorador de pipoca ainda leva de brinde alguns quilinhos a mais! Será que todos sabem disso?
Às vezes juro que tenho vontade de mandar fazer um adesivo com cola bem forte, com essas informações nutricionais da pipoca, e pregar em todos os cinemas! Isso sim é que seria uma bela ação terrorista...

PS 1 - Tem um post de um blog que eu acompanho que tem tudo a ver com este Psiulândia:
http://www.sandrofortunato.com.br/salgo/2009/02/27/a-escandalosa-e-insuportavel-voz-do-silencio/ Recomendo! Aliás, recomendo o blog todo: http://www.sandrofortunato.com.br/

PS 2 - Psiulândia tá num ritmo mais lento porque voltei ao trabalho e, depois das férias, tem sempre muita coisa acumulada! Mas sempre que possível, tem post novo!

sexta-feira, 6 de março de 2009

A gente não sabe nunca ao certo onde colocar o desejo...

A frase acima é da música "Pecado original", de Caetano Veloso, e eu acho que ela se aplica perfeitamente ao tema do post de hoje: escapamentos.
Quem de nós nunca precisou parar uma conversa porque o som de um escapamento furioso ensurdeceu os que tentavam escutar a voz humana que falava?
Embora ônibus e caminhões também às vezes ultrapassem o limite do bom senso sonoro, carros e motos são os principais vilões nessa história. Aliás, os verdadeiros vilões são os donos de carros e motos.
Enquanto a indústria procura fazer veículos cada vez mais silenciosos - pelo menos é o que eles dizem - alguns motoristas e motoqueiros parecem nunca se satisfazer em ir de um lugar ao outro sem fazer com que todos saibam que eles estão passando. E aí valem todos os truques que são sobejamente conhecidos dos barulhentos de plantão: eliminar o silenciador, "abrir o escapamento" (seja o que isso for), trocar o escapamento original por um "esportivo" (idem)...
O Código de Trânsito prevê punições:

Art. 230. Conduzir o veículo:
VII - com a cor ou característica alterada;
XI - com descarga livre ou silenciador de motor de explosão defeituoso, deficiente ou inoperante;
Infração - grave;
Penalidade - multa;
Medida administrativa - retenção do veículo para regularização;
Valor - R$127,69 (cada uma)

O problema é que as leis existem mas não existem muitos mecanismos que façam com que elas sejam cumpridas... Pelo menos enquanto o Brasil continuar sendo um país tão despreocupado com os níveis de poluição sonora.
Do meu ponto de vista, estas adequações no carro ou na moto não têm como objetivo único fazer barulho: todos querem dar a impressão de mais potência no motor do que o veículo de fato tem.
E aí, meus caros barulhentos, não precisa ser Freud para perceber que vocês estão transferindo a potência para o lugar errado... Ou, como diria Caetano Veloso, estão provando que a gente não sabe nunca ao certo onde colocar o desejo...

sábado, 28 de fevereiro de 2009

A vez da petizada

Petizada, para os mais novos que podem não conhecê-la, é uma palavra meio em desuso que designa um coletivo de crianças. Eu gosto de palavas assim, meio anos 60, coisas de quem já está à beira do meio século de vida...
Mas o tema aqui não é o das palavras com teia de aranha e sim o do nível insuportável de barulho do mundo em que vivemos. E as crianças têm colaborado incansavelmente com ele, com a mais absoluta conivência e o mais despropositado incentivo dos pais.
Eu entendo que crianças estão ainda experimentando as potencialidades do seu corpo e que para fazer isso precisam ser agitadas, barulhentas, com uma energia que nos parece inesgotável e que muitas vezes me cansa só de olhar.
É preciso ter muita paciência com elas, e esta é a principal razão que me fez escolher não ter filhos. Mas eu entendo que a humanidade tem esse instinto de sobrevivência que se manifesta na vontade de procriar. Só não entendo por que as crianças devam crescer sem o estabelecimento de limites.
Em casa, se a criança resolve pular 50 vezes do sofá para o chão, gritando, para treinar seus músculos e sua voz, e a família acha que isso é razoável, eu não me importo.
Se a mesma criança decide falar alto ou gritar num lugar público, eu sempre acho que é dever dos pais colocar limites e explicar para o seu herdeiro que há pessoas ali que não acham fofinho ver alguém falando alto ou gritando, seja esse alguém de que idade for.
Algumas pessoas me chamam de rabugenta, de implicante, e me acusam de não gostar de crianças. Ao contrário, acho crianças muito bonitinhas. Só não gosto é da falta de bom senso de muitos pais que acham que criança feliz é criança sem limite.
A algazarra infantil pode ser natural, mas me irrita, sim, quando ela ocorre em lugares que não são exclusivos de crianças.
Crianças que não aprendem que gritar e falar alto em público são comportamentos reprováveis vão certamente ser os mesmos adultos que mais tarde contribuirão para tornar nosso mundo mais insuportavelmente barulhento.

domingo, 22 de fevereiro de 2009

Viajando em silêncio - Parte 2

Resolvi escrever este segundo post por dois motivos: o primeiro foi que, depois de ter feito a postagem, pouco antes de descer do trem, vi um cartaz com a explicação das normas de funcionamento do vagão silencioso. Aí vai ele:



Transcrevendo em português, numa tradução livre, pra facilitar, já que a qualidade da foto é meio duvidosa:

Proibido o uso de telefones celulares neste vagão. Por favor vá para o vestíbulo, no final do vagão, para falar ao telefone.

Use todos os equipamentos eletrônicos em modo silencioso.

Se você deseja conversar com seu companheiro de viagem, por favor faça-o baixinho e com consideração pelos outros.

Por favor, observe estas regras simples para manter em silêncio nosso vagão silencioso.

É mesmo bem simples e é bem fácil obedecer a essas regras, não acham?
E aqui chegamos à segunda razão para a existência desse segundo post: um dos comentários ao post anterior. Nele, minha amiga Monica dizia: "Seria um vagão para meditar? Sinceramente, não sei se essa seria a minha primeira opção. Muita regra, me oprime." Então, Monica, essa de fato é a minha reivindicação: que as pessoas tenham a opção de viajar em silêncio, se assim o desejarem... Ou de conversar sem cerceamentos, se preferirem.
Na verdade, o que vivemos hoje é exatamente o oposto de não haver nenhuma regra, já que há uma regra implícita que diz que todos podem fazer quanto barulho quiserem em qualquer lugar, não acha?
Eu não defendo que o mundo seja um lugar silencioso, mas que o mundo seja um lugar que preserve as opções das pessoas que querem ter a opção de ficar em lugares silenciosos, o que infelizmente eu acho que não ocorre nos tempos em que vivemos.
Se você estivesse comigo nesse trem, Moniquinha, certamente não ficaríamos no vagão silencioso, para podermos ter as nossas deliciosas e divertidas conversas, podendo rir alto, à vontade, como sempre fazemos quando nos encontramos. Mas seria bom que nesse trem houvesse um espaço silencioso, pra quem quisesse ficar longe da nossa alegria!

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Viajando em silêncio!

Escrevo este post a bordo de um trem da National Express entre Glasgow e Londres. Tem internet wi-fi grátis para os passageiros, mas isto apenas não seria suficiente para fazer com que essa rede britânica de trens fosse incluída aqui.
O que me fez decidir escrever este post foi um pequeno aviso que li no vagão imediatamente anterior àquele em que eu viajaria:


Um vagão inteiro em que o silêncio impera! Eletrônicos com seus apitos e campainhas estão banidos de lá! Se eu soubesse que existia esse tipo de serviço, teria escolhido aquele vagão para viajar...
Este meu lugar a bordo também não é barulhento, mas já fui obrigada a ouvir um daqueles toques infernalmente estridentes de celular, a conversa toda que se seguiu ao toque e ainda o alegre tagarelar de duas crianças educadas porém conversadeiras que estão aqui no mesmo vagão.
Um dia teremos opções assim no Brasil? Eu adoraria viajar no setor silencioso de ônibus, trens e aviões...

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Bodleian Library

A Bodleian Library é a principal biblioteca de pesquisa da Universidade de Oxford, na Inglaterra. É um prédio lindo, onde ela funciona desde 1602: é uma das mais antigas da Europa. Ela também funciona como um dos centros de depósito legal de obras, na Inglaterra, como a nossa Biblioteca Nacional.
Vai aí uma foto, cortesia do site da National Geographic:



Estive lá, de passagem, nesse tour de universidades que estou fazendo aqui no Reino Unido. Infelizmente não pude visitar internamente a biblioteca, por causa do tempo escasso que eu tinha, mas descobri que o prédio mais antigo da biblioteca é o da Divinity School, ainda do século XV, que tem um teto muito bonito e que foi usado como uma das locações para os filmes do Harry Potter.
Também consegui visitar a loja de souvenirs da biblioteca, que estava aberta na manhã em que eu já ia embora. E aqui chegamos à razão de eu ter incluído a Bodleian no blog: há toda uma linha de produtos à venda, com o slogan mais famoso da biblioteca: "Silence please"! Achei lindo, são copinhos, xícaras, toalhas, jarras, pratos, chaveiros, enfim, uma infinidade de itens, todos com a mesma frase impressa. Fiquei com vontade de redecorar toda a minha casa com aqueles objetos! Infelizmente, os preços eram em libras esterlinas (mais ou menos R$3,70 reais na cotação que eu peguei no Brasil, antes de vir pra cá), impraticáveis para nós. E depois, haja espaço na mala. Comprei só um descanso para copos e ganhei depois um copinho, ambos com a famosa frase. Vai aí uma foto em close do descanso, mais fácil de fotografar:


Enfim, um lugar digno de figurar entre os melhores do mundo, aqui neste blog! Infelizmente, eles não aceitam residentes...

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Lugares para colocar o dedo

Não, não se trata de um post obsceno, o blog não mudou de tema!
Trata-se apenas e tão somente de um convite para os motoristas pensarem em coisas mais interessantes para fazer com o dedo, durante um congestionamento, em lugar de usá-lo na buzina do carro. São tantas as opções! E por que será que tanta gente só lembra de ficar buzinando, como se isso fosse fazer sumir todos os carros que estão ali parados?
Outro dia, em São Paulo, vi uma fila de carros buzinando bem em frente a um hospital. Procurei e não achei aquela tal placa que sempre havia em frente aos hospitais:



Mas mesmo longe dos hospitais, eu sempre me irrito muito com a facilidade com que muitos motoristas usam a buzina. Acho que em alguns casos é puro tique nervoso: o sinal mal abriu e já tem alguém atrás achando que só ele percebeu isso...
Motoqueiros (as), então, nem se fala: estão sempre com o dedo ali, apitando pra conseguirem passar entre os carros. Acho que, do jeito que a coisa anda, moto pode não ter freio, mas buzina é item indispensável!
Bom, chega de reclamar! Deixo aqui só a minha proposta a motoristas e motoqueiros (as) que procurem coisas mais interessantes pra fazer com o dedo, antes de pensar em colocá-lo a serviço do aumento do barulho nas ruas...

sábado, 31 de janeiro de 2009

Uma praga útil chamada celular - parte III

Pensei que já estivesse encerrada a minha longa lista de reclamações contra o celular, mas uma viagem de trem pela Europa, onde estou agora, me fez lembrar de mais uma forma irritante de usar esse aparelhinho tão útil: como rádio de pilha, sem fones de ouvido!
Não sei se já repararam, mas os novos celulares têm vindo com alto-falantes bem potentes que, imagino, foram pensados para facilitar o uso do viva-voz: no carro podem ser bem úteis.
Acontece que as pessoas perceberam que aquele alto-falante pode servir pra ouvir as músicas que estão na memória do telefone, dispensando os fones de ouvido. Pronto, acabou o sossego dos que gostam de silêncio!
Já vi uma garota de pé, num carrinho de bagagem de aeroporto, dançando ao som do seu detestável celular, enquanto esperava a mala na esteira! Conseguem imaginar a cena?
E no trem, semana passada, um cara foi ouvindo rap a viagem inteira, com aquela batida monótona pra todo mundo ouvir! E ninguém fez nada... Eu, como estou de férias, fiz de conta que não ouvia, mas anotei mentalmente que precisaria fazer a parte 3 do assunto celular...
Ambas as cenas me lembram muito quando era moda usar radinho de pilha colado no ouvido, mas acho que essa geração que usa o celular como rádio não faz essa associação, porque em geral são muito jovens pra ter esse tipo de memória.
E só pra terminar, uma cena diferente porém semelhante: alguém testando todas as opções de campainha de seu novo aparelho durante uma viagem de ônibus, dessa vez no Brasil. Que absoluta falta de senso de conveniência!!!
Não sei se tenho mais saudade do tempo em que baterias de celular duravam pouco e precisavam ser poupadas ou daquele velho aviso que havia nos ônibus: é proibido o uso de aparelhos sonoros!

domingo, 25 de janeiro de 2009

Fone de ouvido ou alto-falante?

Há algum tempo eu andei sonhando com um lugar onde não existissem alto-falantes e sim apenas fones de ouvido! Imaginava eu que só assim a música de um não seria compulsória para outros.
Ultimamente, porém, tenho observado melhor essa possibilidade e cheguei à conclusão de que essa medida radical na verdade seria só parcialmente eficiente, já que vejo muita gente ouvindo música tão alto em seus fones de ouvido que todos à volta acabam compartilhando ao menos parcialmente os sons.
Esse tipo de barulho me incomoda, pois me obriga a ouvir, no mais das vezes, um ruído que não é música mas sim uma espécie de subproduto da música ouvida, um som desagradável e geralmente irritante. Parece que as pessoas que gostam de ouvir música em volume alto são sempre aquelas que gostam de música bate-estaca, e pra nós sobra sempre aquele putz-putz desagradável.
Fico também pensando nas consequências que virão para a audição de quem usa fones de ouvido com o volume no máximo: algum dia o tímpano vai protestar e se negar a funcionar. Não posso deixar de dizer que essa perspectiva deixa um pouco feliz meu lado vingativo...
Tá, eu sei que estou parecendo chata, mas afinal eu avisei que seria um blog ranzinza, né? É isso, ranzinza, ranheta, rabugento, o que quiserem. Mas pelo menos quem não gostar não precisa ler, não é nada compulsório!!!

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Uma praga útil chamada celular - parte II

Bom, superada a questão do toque, vem a fase da conversa propriamente dita. E aí as coisas tendem a piorar, se é que isso é possível!
Quase todo mundo fala em voz bem alta no celular, como se o volume alto fosse indispensável para se fazer ouvir. E então todo mundo que está por perto passa a testemunhar pelo menos um dos lados da conversa, muitas vezes íntima.
Tenho vontade, às vezes, de interferir, dar sugestões, fazer comentários: afinal, se fui incuída na conversa como ouvinte, deveria ter o direito de participar também como falante.
Quando estou acompanhada, muitas vezes começo a debater a conversa ouvida com quem está ao meu lado: "E aí, você acha que ele deve ou não passar na casa dela amanhã?" " Será que vai valer a pena eles irem assistir a esse filme?" "Nossa, ela fez isso com ele? Que malvada!"
É muito divertido também ficar supondo o que a outra pessoa disse do outro lado da ligação. Muitas vezes dá até pra montar uma novelinha...
Já testemunhei um patrão dando ordens a empregados enquanto o avião não fechava as portas. Houve até ameaça de demissão, se as vendas não aumentassem sei lá quanto por cento. Uma grosseria só, que o avião inteiro ouviu, todo mundo embasbacado e pensando no pobre empregado que estava lá na loja ouvindo aquelas barbaridades!
Ah, e tem também aquela cena clássica: em plena Avenida Paulista o cara diz ao telefone: "Não, estou já na Avenida Pacaembu, chego aí em 3 minutos!" Tenho vontade de chegar bem perto e gritar para quem está do outro lado: "É mentira, ele está te enganando, estamos na Avenida Paulista e tem uma loira do lado dele!"
Ufa! É tanta exposição da intimidade que a gente tem de aguentar!!!
Por isso, sempre que eu ouço que vão possibilitar o uso dos celulares naqueles poucos espaços em que eles ainda são proibidos ou não funcionam, como aviões ou metrô, tenho vontade de pedir pra não fazerem isso! É tão bom ficar algum tempo sem ouvir aqueles toques e aquelas conversas!
Pode parecer que eu estou com saudade do tempo em que os celulares não existiam: longe de mim! Não consigo mais conceber minha vida sem essa comodidade, mas acho que um pouco de bom senso e educação pode tornar o uso dos celulares menos infernal.
A propósito, para quem gostaria de se lembrar como era a vida antes do celular, sugiro a leitura de um artigo da jornalista Paula Sato, chamado " Vida unplugged", publicado na revista Galileu de janeiro de 2009, e que pode ser lido aqui: http://revistagalileu.globo.com/Revista/Galileu/0,,EDG85745-7943-210-1,00-VIDA+UNPLUGGED.html

PS - Estou saindo em viagem amanhã, então pode ser que este blog entre num ritmo mais lento, mas vai continuar sendo atualizado sempre que possível!

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Uma praga útil chamada celular - parte I

É o tipo de coisa que, na hora do sufoco, a gente sempre fica feliz em ter. Mas quando é a pessoa do lado que tem, quase sempre é um inferno!
Vamos começar pelos toques: pelos meus cálculos, 78,35% das pessoas que usam celular não sabem como habilitar o modo vibratório!!!
Brincadeiras à parte, acho que todos nós já tivemos muitas experiências de ver tocar um celular nas horas mais inconvenientes! Puxa, isso já virou até lugar-comum, mas as pessoas continuam deixando os bichinhos no modo sonoro no cinema, no velório, no teatro, no show, na missa... A lista é interminável, assim como parece ser interminável a lista das possibilidades de ser mal-educado!
De minha parte, acho que o ideal seria a gente deixar o celular com som só quando a gente está sozinho em casa e geralmente está longe dele. Em qualquer outra situação social, é bom deixar o dito cujo no modo vibratório, como uma forma de demonstrar respeito por quem está ao seu lado. Se acontecer de, por causa disso, alguém perder uma ligação, não vai ser o fim do mundo, acredite! Pra isso existe o identificador de chamadas: é só olhar e chamar de volta!
Costumo viajar muito à noite, de ônibus, e pasmem: sempre tem um celular tocando no meio da madrugada! Devem ser os notívagos de plantão, sem problema, mas é preciso lembrar que as outras pessoas à sua volta estão dormindo! Até mesmo um som de teclado muito alto, no silêncio da noite, pode ser um porre! Aliás, pra que a gente precisa ouvir cada número digitado? Desligar o som do teclado também é uma opção de configuração que demonstra boa educação!
Outra coisa interessante é observar o que a disponibilidade tão variada de toques fez com as pessoas. Por exemplo: você está num grupo de pessoas que inclui um senhor muito circunspecto, de terno e gravata, conversando sério, digamos, sobre a crise mundial. De repente começa a tocar algo como uma versão retumbante de algum hit da Madonna. E quem é que pega o celular pra atender senão aquele senhor circunspecto, agora completamente envergonhado?
Se é pra usar toque sonoro, meu critério é: qual toque não me deixaria embaraçada na frente, por exemplo, da pessoa mais séria e conservadora que eu conheço? É esse que eu escolho.
Quanto ao comportamento das pessoas ao telefone, aguardem a parte II, que eu posto outro dia!

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Passado e futuro

A revista Carta Capital do dia 14 de janeiro de 2009 tem uma matéria muito interessante, de Rosane Pavam, intitulada "Sons da solidão". Neste link dá pra ler um pedaço do texto:
http://www.cartacapital.com.br/app/materia.jsp?a=2&a2=6&i=3102
Em suma, a matéria traça um interessante histórico de como a cidade de São Paulo pré-industrialização era muito mais silenciosa. O texto de Rosane Pavam fundamenta-se no livro Kaleidosfone, de Nelson Aprobato Filho e afirma: "O barulho cresce desde a belle époque porque os paulistanos estão ausentes da vida comunitária e da experiência do sublime".
Além de bem escrito e interessante, o artigo traz ainda ilustrações antigas de São Paulo, muito curiosas e bonitas.
Lendo o texto, achei até um trecho que me fez lembrar o post "Ouvido não tem pálpebra", que coloquei aqui logo no início do blog. Vejam se não é mesmo parecido:
"Em São Paulo, tudo se ouvia também porque a audição, diz o filósofo Murray Schafer no livro O ouvido pensante, é um sentido muito diferente do visual. Não podemos selecionar os sons que partem de todas as direções, nem mesmo tampando os ouvidos. Por outro lado, se não quisermos ver, quem nos impedirá de resolver a questão cobrindo os olhos com as mãos? "
Confesso que fiquei curiosa pra ler o livro!
Há um outro trecho interessante do artigo: "Para Aprobato, viver na cidade é isolar-se do progressivo caos sonoro para encontrar pontos de silêncio, ecos de sonoridades sublimes". Puxa, está cada vez mais difícil conseguir isso!
Mas, em resumo, gostei de saber que tem mais gente preocupada com essa questão do "progressivo caos sonoro" em que vivemos! E quem gostou da amostra, corra pras bancas porque ainda dá tempo de comprar a revista e curtir o texto completo!

domingo, 11 de janeiro de 2009

Música ambulante

Certa vez eu estava em Brasília, comendo uma pizza com amigos, quando começamos a ouvir um ruído que parecia o de trovões. Imediatamente, os alarmes dos carros estacionados em frente à pizzaria começaram a disparar, um a um. Foi uma orquestra de apitos com aquele som grave de fundo. Achamos que era o juízo final e que as nuvens estavam se abrindo para começar o julgamento!
Qual o quê! Era apenas um desses carros adaptados com altofalantes poderosos que estava passando por ali. Os sons graves eram tão fortes que produziram uma vibração no ar que os carros estacionados interpretaram como tentativa de arrombamento!!!
Calculem então o que aconteceu com os ouvidos de quem estava por perto!
Eu sei que andam acontecendo por aí alguns concursos de som automotivo (geralmente nos parques onde também acontecem rodeios... coincidência interessante...), onde aparecem coisas como essas:



Dá pra imaginar o volume disso?
Mas não é preciso chegar tão longe, é só dar um passeio pelas ruas de qualquer cidade brasileira num domingo à tarde pra encontrar rapazes com os carros estacionados na rua, portamalas aberto e o som no último volume.
E nas praias, então? Um verdadeiro caos!
Certa vez, estava passeando na Ilha de Itamaracá, sonhando com Lia e suas cirandas e uma praia tranquila pra poder descansar. No caminho, vimos uma placa: Praia do Sossego. O nome não poderia ser mais convidativo e rumamos para lá. Foram alguns quilômetros por estrada de terra para enfim chegar a uma praia quase deserta. Havia lá uma barraquinha. Sentamos, pedimos uma bebida e uns camarões e fomos ao banho de mar. Quando voltamos para a nossa mesa, um carro havia estacionado ao lado dela, com o portamalas aberto e a música tocando em volume alto. Tentamos argumentar com o dono do estabelecimento e com o motorista, mas ninguém pareceu dar atenção aos nossos pedidos e protestos. Comemos os camarões e fomos embora na mesma hora, suspendendo os planos de passar o dia ali.
O triste em tudo isso é pensar que a origem desse tipo de coisa está numa espécie de autocentramento doentio, que supõe que todos querem ouvir as mesmas coisas que alguém quer escutar. É a crença numa padronização do gosto que é absolutamente falsa! É de fazer a gente duvidar que a humanidade ainda tenha algum futuro...
Por isso, nada como este cartaz que encontrei na praia, em Pernambuco:

PS - Tô ficando maluca com a nova ortografia, especialmente com o uso do hífen! Se alguém encontrar algum erro aí, me avise!

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Gente que fala alto demais

Podem me chamar de preconceituosa, mas detesto gente que fala alto. Seu avô tem problemas de audição? Ok, fale alto com ele. Mas não com o resto do mundo. Não sou nenhuma Glorinha Kalil ou Danusa Leão, mas acho que falar alto é o maior sinal de falta de educação.
Ontem cheguei ao hotel onde estou hospedada e queria fazer uma pergunta à recepcionista que mal me ouvia, devido à conversa entre dois senhores que disputavam quem falava mais alto na recepção do hotel. Será uma nova modalidade olímpica?
Adolescentes costumam ser a espécie mais barulhenta, mas pelo menos essa é uma fase que costuma passar e geralmente leva junto essa vontade de ser notado.
Outra espécie que geralmente fala mais alto do que devia e mais do que seria necessário é a de alguns brasileiros em viagem pelo exterior. Dá pra conhecer de longe! Presenciei uma cena inesquecível num free-shopping espanhol, certa vez. Marido e mulher discutiam em voz alta se deviam ou não levar um jamón inteiro para o Brasil ou se uns chorizos e garrafas de bebida seriam o suficiente. Parecia que eles queriam mostrar para todo o aeroporto de Barajas que tinham euros pra torrar. Se tivesse que falar com alguém naquela hora, juro que falaria em inglês, de tanta vergonha que fiquei daqueles compatriotas.
Ao celular, então, é o verdadeiro caos, mas esse aparelhinho tão útil quanto mal usado vai merecer um post especial, aguarde!
Falar alto, do meu ponto de vista, revela que a pessoa precisa se impor pelo volume, porque, pela qualidade das idéias expressas pela fala, ela jamais será capaz de fazer suas opiniões serem levadas em conta.
De minha parte, eu sempre prefiro falar pouco e baixo, sempre, a não ser quando estou diante das minhas turmas de 80 alunos, sem microfone!!!

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

O som e a fúria do comércio

Eu confesso que às vezes tenho um pouco de saudade do vendedor das pamonhas de Piracicaba... Mas acho que até ele, se soubesse o que viraria essa sua idéia, teria desistido de incorporar um alto-falante ao carro e sair pelas ruas fazendo propaganda do puro creme do milho verde!
Eu moro numa cidade do interior de São Paulo, e lá tem trio elétrico, carro de som, moto e até bicicleta com alto-falante! Bicicleta, alguém acredita? Isso mesmo, aquela magrela com uma caixa de som acoplada ao banco do garupa, anunciando pelas ruas alguma liquidação de alguma loja local. Aliás, nessa cidade onde moro tinha até mesmo uma loja de tecidos chamada "Ao barulho"! Parece que o dono se orgulhava da poluição sonora que gerava na cidade com os carros de propaganda... Fechou, parece, o que prova que às vezes minhas pragas pegam...
Tenho visto também, em muitas cidades (naquela onde moro, inclusive), lojas que colocam um alto-falante com amplificador na porta, creio que na esperança de com isso angariar mais fregueses. Não sei se funciona, mas de uma coisa estou certa: jamais entrei ou entrarei numa loja dessas, nem que eles vendam a última coca-cola gelada no deserto!
Estive certa vez em Santarém, e ali vivi a experiência mais enlouquecedora com carros de som: eram tantos, anunciando tantas coisas ao mesmo tempo, que não se distinguia o anúncio de cada um deles... Uma completa Babel de sons embaralhados, mas ninguém desistia de fazer sua propaganda.
Anúncios com alto-falantes em carros de som, a meu ver, ferem meu direito de não querer ouvir aquela propaganda. Na TV, no rádio, na internet, sempre é possível fugir dos comerciais. Se um trio elétrico passa na minha porta anunciando as ofertas do supermercado, não tem como não ouvir. É um completo desrespeito!
Fico também pensando nas pessoas que trabalham em horários diferentes do comercial, como guardas noturnos ou profissionais da saúde que têm plantão noturno, por exemplo. Já imaginaram? Quando começam a dormir, chegam os carros, motos e bicicletas de som! É de enlouquecer qualquer um!
E os doentes, que passaram a noite em claro, com dores, e finalmente conseguiram dormir... E os bebês, que choraram a noite toda e enfim deram uma trégua aos pais... Todo mundo acordado de novo, porque os preços estão supostamente caindo no comércio local.
Para piorar, no caso dos carros, trios elétricos e motos, ainda tem a questão do combustível que ficam queimando inutilmente pela cidade, além de ajudarem a complicar o trânsito das ruas, pois precisam sempre andar mais devagar, para dar tempo de mais gente ouvir a mensagem completa! Horror!
Já que parece que não será nesta minha vida que verei uma legislação que dê conta desses pesadelos ambulantes, faço minha parte: sempre tento boicotar estabelecimentos que usam esse tipo de anúncio. Para mim, sempre funciona como propaganda às avessas.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

Ouvido não tem pálpebra

Sempre pensei que, se é que Deus existe, ele deveria fazer uma rodada de perguntas e respostas no Juízo Final. E eu já teria minha pergunta pronta: por que ouvido não tem pálpebra? Afinal, se estamos diante de uma cena desagradável ou de uma luz muito forte, sempre podemos fechar os olhos. Os ouvidos? Nunca.
Eu já fiz essa pergunta pra um monte de gente... Afinal, a orelha poderia ter a função de fechar o nosso ouvido, quando o mundo fizesse muito barulho... É tanta carne sobrando que poderia ser usada pra fechar o ouvido diante de sons muito altos ou desagradáveis.
A resposta mais plausível que eu já ouvi foi a de que, em nome de nossa sobrevivência, um de nossos sentidos tem de permanecer sempre alerta, mesmo quando dormimos. Por isso acordamos com ruídos mais altos, para podermos fugir em caso de alguma situação que coloque em risco nossa vida.
Tudo bem, é uma explicação razoável. Mas então, já que não tem muito jeito de evitar ruídos desagradáveis, por que é que não cuidamos melhor do que entra pelos nossos ouvidos todo o tempo em que estamos acordados? E muitas vezes, até quando estamos dormindo!
Se o ouvido não tem pálpebra, vamos pelo menos filtrar melhor o que entra por ele!